Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Quo vadis, ASA!

15 de Junho, 2019
Mais uma vez, os aficionados do futebol assistiram a descida da equipa do Atlético Sport Aviação, ASA, uma formação fundada a 1 de Abril de 1953, cujo historial é por demais conhecido, desde os tempos da outra senhora.
O ASA gerou craques de grande quilate e estirpe quão Joaquim Diniz, Justino Fernandes, Domingos Inguila, José Luís Prata e outros que, sabedores do jogo da bola, conseguiram capitalizar atenções e muitas vezes somarem vitórias em provas, onde pontificavam craques de outra igualha como Chico Negrita, Zé Pedro “Zargateiro”, Vinhas, Carlos Alves, Matreira, Gomes e tantos outros, que fizeram verdadeiro furor.
Depois, já nos anos 80, surgiu nova legião de jogadores dotados, que continuaram a escrever a história de um clube, que merece respeito e uma verdadeira homenagem. Pena é se ter metido no elevador do Girabola, cuja sina é subir e descer a cada época.
Então, pontificavam nomes como os de Geovety, Eduardo Machado, Chico Dinis, Zola, Chinguito, Bondoso, Rola, Jujú, Luntadila, Tó-Zé, Juca, Sabino, Maló, Kuba, Rosinha, enfim um naipe de jogadores, que defendiam com amor e galhardia a camisola do clube do aeroporto. Não foram poucas as vezes que este mesmo ASA, naquela altura, lutou pelo título, disputando de forma ferrenha as provas com o então “todo-poderoso” 1º de Agosto, com quem tinha disputadíssimos confrontos.
Quem não se lembra das duas Chinguitadas? Os tempos de amargura passaram e, depois, com um líder chamado João Andrade, tendo como técnico Bernardino Pedroto, o ASA viria a conquistar o Girabola em três ocasiões consecutivas. Tri-campeão nacional. Pontificavam nomes com os irmãos Jamba, Jacinto, Beto Carmelino, Paulão, Yamba Asha, Serginho, Minhonha, Love Kabungula e tantos outros.
No cômputo geral, ouso fazer recurso a história, para mostrar aqui as proezas deste ASA, que hoje se mostra moribundo e sem asas para voar alto: Foi campeão do Girabola 2002, 2003 e de 2004. Venceu, ainda, as edições da Taça de Angola em 1995, 2005 e de 2010, respectivamente, bem assim como a Supertaça, prova que abre a época futebolística no país, nas temporadas de 1996, 2003, 2004, 2005, 2006, 2011.
A equipa do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro foi, ainda, finalista vencido das edições da Taça de Angola em 1993 e 1999, assim como da Supertaça de 1994. Portanto, foram 12 troféus conquistados, incluindo as três edições em que se sagrou vencedor do Campeonato Nacional de futebol da I Divisão, que nos últimos ganhou o cognome de Girabola Zap. Enfim, foram tempos de verdadeira glória, para um clube, cuja tendência era manter a bitola e reconquistar o seu lugar de segunda força do futebol nacional, que fora nos anos de 1980.
Infelizmente, essas questões estão longe de serem lineares. O ASA viria, nos anos seguintes, a escrever as piores páginas da sua história ao permitir-se ultrapassar, de forma natural, por outros clubes da nossa praça que, convenhamos, viriam a se organizar melhor. Essa melhoria organizativa passava por todos os sectores, nomeadamente infra-estruturas, recursos humanos e finanças. Foi precisamente aqui, onde as coisas começaram a ruir.
Depois das saídas de Branco Ferreira, João Andrade, Humberto Afonso e outros, que viviam realmente o ASA e dinamizavam as coisas, conjugadas com a imensa crise com que mergulhou o País, juntando o facto de a principal patrocinadora, a TAAG, ter virado as costas ao clube, tudo começou a mudar para pior. O clube, que era um exemplo de organização e gestão, começou a desmoronar. Prova disso, foram as sucessivas descidas e subidas de divisão e a perca de dignidade e respeito pelos seus adversários. O ASA começava a viver a maior crise da sua história, enquanto agremiação desportiva.
Como resultado, viriam as faltas de cumprimento de pressupostos contratuais, por parte da direcção, em relação aos atletas, enfim as greves e as descidas para divisão secundária. Porém, uma coisa sempre foi certa. A vontade, a resiliência de algumas pessoas, que amam verdadeiramente o ASA, sempre se manifestou.
Mas, verdade seja dita, nos últimos anos o que acabou “enterrando” o clube, foram algumas quezílias, que pouco ajudaram para a sua almejada reabilitação, enquanto agremiação desportiva de grande valia para o nosso “association”.
As sucessivas “lutas de comadres”, fazendo jus ao adágio segundo o qual, “em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”, fizeram jus nas hostes do clube do aeroporto, cujo relvado sintético, desde que foi colocado, dá a impressão que nunca mereceu a manutenção devida. No último Girabola Zap em que o ASA evoluiu, somou cinco vitórias, 11 empates e 14 derrotas, somando 26 pontos que ditou a sua descida à divisão secundária. ASA, quem te viu e quem te vê!...
Morais Canãmua

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