Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Recintos desportivos esto em queda no pas

16 de Fevereiro, 2019
Não é segredo para ninguém que o estado das infra-estruturas desportivas no país é deplorável. Mau. Isto todos nós sabemos e temos que aceitar e, desta forma criarmos ânimo para quiçá recuperá-las ou, no mínimo incrementar modelos de gestão que possibilitem que elas vivam mais tempo. Sejam sustentáveis.
Ou seja tenham mais tempo de vida útil, muito por aquilo que representam e o bem que fazem ao desporto e as pessoas, de uma forma genérica e abrangente. Não há desporto se quer que se vanglorie a progredir sem ter uma base infra-estrutural de apoio e consequente que lhe ajude a ter um desenvolvimento sustentável e harmonioso. Infelizmente, cá entre nós este pensamento ainda não faz morada. Rigorosamente não faz parte da maioria dos que se dignam dirigir porque, ao contrário teriam reagido de pronto, quando o volume das infra-estruturas desportivas, principalmente das construídas recentemente, esteve a ruir e a definhar.
O Estado angolano, entendendo os fenómenos e paradigmas da evolução e crescimento harmonioso e, dentro de um programa de longo médio e prazo, entendeu, a determinada altura, investir forte e bonito nas infra-estruturas desportivas. Construiu estádios, pavilhões, recuperou outros estádios e pavilhões já existentes, etc. Uns por motivos de algumas competições desportivas que aqui teriam lugar e outros, com base numa política estruturada e bem concebida. Os agentes desportivos rejubilaram. Bateram palmas. Esfregaram as mãos de contente. Porém, poucos ousaram pensar no “day after”. Ou seja, como seriam as mesmas geridas terminadas que seriam as provas de grande dimensão? Que modelos iriam ser usados para a sua preservação e manutenção contínua? Infelizmente, ninguém se recordou desta parte!
O tempo passou. As competições foram realizadas com alto padrão de organização que deixaram orgulhosos os angolanos, mas passados cerca de 10 anos, essas mesmas instalações desportivas acabaram num abandono de meter dó.
Relva estragada, pisos escangalhados, bancadas destruídas, sistema de rega danificado, geradores furtados, enfim, um sem número de problemas que fazem com que hoje por hoje continuem sem atenção e sem a manutenção devida.
Os exemplos são claros e visíveis à olho nu. O estádio da Tundavala, no Lubango e o do Chiazi, em Cabinda, juntando-se-lhe os pavilhões gimnodesportivos de Nossa Senhora do Monte (Lubango), das Acácias Rubras (Benguela), “Osvaldo Serra Van-Duném” (Huambo), só para citar alguns, transmitem uma imagem triste e desoladora. Mas também, dá a ideia que afinal o país tem muito para gastar, já que parece, com este quadro, que esbanja dinheiro a torto e a direita.
Por outro lado, além das já citadas, há outros empreendimentos onde o Estado investiu capital público nas mais variadas províncias, em que as infra-estruturas desportivas estão em igual ou pior circunstâncias.
De forma injusta, alguns agentes desportivos ainda vêm à terreiro reclamar falta de infra-estruturas de apoio para o relançamento das mais variadas vertentes do desporto quando as que temos, não soubemos, nos últimos dez anos, cuidar devidamente.
O quadro no país é desolador quando, nos centros urbano, os pequenos recintos onde a rapaziada se concentrava para a prática salutar do desporto, os locais de prática de desporto comunitário, digamos assim, foram substituídas pelo cimento armado dos edifícios megalómanos. Hoje, em quase todo País há reclamações deste foro.
Há dias, o Ministério da Juventude e Desportos (Minjud), numa acção louvável, promoveu uma actividade para um debate aberto, frontal e franco sobre as infra-estruturas desportivas. Houve, de facto, muitas contribuições.
Muitos falaram de experiências vividas; de modelos que se podem adoptar para que os males não se enraízem no nosso País. Quem diria que hoje a Cidadela seria julgada impraticável? O deslocamento das placas do segundo anel, convenhamos, por falta de manutenção, provocaram que, um dos estádios míticos do nosso futebol, fechasse às portas inclusive aos “Palancas Negras” que o transformou à época, num verdadeiro santuário onde se notabilizaram grandes nomes do futebol nacional, com particular referência ao goleador-môr dos Palancas Negras, Ákwa que, durante cerca de uma década, fez ali o seu pecúlio histórico.
Mas não são só as infra-estruturas ligadas ao futebol estão degradadas. Os pavilhões são exemplos claros da contrariedade de quem defende àquela tese. Até o pavilhão “Welwítschia Mirábilis”, no Namibe e o de Malanje, recentemente construído para albergar provas mundiais de hóquei, estão quase no mesmo caminho se não se colocar a mão para as devidas e necessárias manutenções.
Portanto, temos que acordar do sono letárgico e assumir o papel de que a sociedade espera de todos nós agentes do deporto. Vamos cuidar mais das infra-estruturas e ensaiar modelos de manutenção permanente, tornando-as em unidades orçamentadas e treinando pessoas para o exercício, proporcionando emprego a que chora por um. Este, para já é o meu sincero e humilde contributo: despertar as consciências… Tenho dito! Morais Canãmua

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