Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Recintos desportivos vazios: confundir a rvore com a floresta

07 de Maio, 2018
Sou muitas vezes \"sacrificado\", por ser excessivamente contundente e visceralmente acutilante nas crónicas que segunda a segunda apresento neste espaço.
Se por um lado entendo, por outro lado não consigo compreender.
Mas, enfim, não sou pessoa de esconder a \"profunda admiração e paixão\" que tenho, pela gestão e pelo marketing desportivo praticado actualmente em Angola, ainda por cima, feito em cima (permitam o pleonasmo), de uma borrada de defeitos e absurdos, arredondadas umas tantas vezes na mais péssima das formas, e outras tantas vezes na pior das substâncias.
Sendo assim, para esta segunda-feira resolvi fazer uma crónica sobre um assunto que foi tema de debate, no programa Clube Angola, da Rádio 5, emitido no passado dia 24 de Abril, que teve como pano de fundo, o título escolhido para esta crónica.
Acompanhei com sérias reservas, as declarações e pontos de vista apresentados pelos convidados do programa, e para mim ficou claro que eles não têm nenhuma responsabilidade, pelo que se está a passar dentro dos recintos desportivos de Angola, que estando muito mais do que vazios, estão totalmente entregue às moscas. É a mais pura verdade.
Mas também não consegui bater palmas e lançar foguetes com as intervenções apresentadas pelos referidos convidados, porque foram bastante perdulários nas suas argumentações, pois passaram boa parte de tempo do programa a dizer (quase) a mesma coisa, e sobre (quase) tudo o que já sabemos.
Porque se é mesmo verdade, o facto que se vem perpetuamente defendendo durante anos, de que Angola \"oficial\" é um país do desporto, por que razão na Angola “real” os estádios e os pavilhões estão (quase) sempre tão vazios?
Será que não estamos convencidos, de que a maioria dos nossos dirigentes desportivos e parceiros ligados ao desporto, não têm competências para planificar e activar estratégias de comunicação direccionadas para o público que manifestamente, está sedento de marcar presença no sempre apaixonante e emotivo mundo do desporto?
Com o mundo cada vez mais conectado ao redor da grande aldeia, que se chama comunicação, como compreender e entender o facto de vermos planos de comunicação para atrair público ao recintos desportivos, totalmente concebidos fora de uma realidade desconhecida, sem se basear no conhecimento sólido e cientifico de uma realidade que está a nossa vista e a nossa volta?
Pergunto: como é que os organizadores de festas e eventos musicais de fim-de-semana, mesmo cientes das dificuldades que o público enfrenta na questão do transporte, da comodidade, da escassez de dinheiro, remam contra a maré, usam e “abusam” da comunicação para atrair os seus públicos para os seus eventos?
Ora com os actuais modelos de comunicação, usados para atrair públicos aos recintos desportivos, que estão longe de ser agressivos, pouco ou quase nada se pode esperar em termos de grandes movimentações de massas.
Está-se ainda na era das cavernas, em pleno século 21! Num inquérito de opinião conduzida por mim, por sinal empírico sem validade estatística, durante uma semana, junto dos populares da cidade de Luanda, de idades e estratos socias, escolhidos aleatoriamente, cuja principal pergunta era: O QUE TE IMPEDE DE IR AOS ESTÁDIOS DE FUTEBOL?
As respostas em termos percentuais
foram as seguintes:
Falta de conforto - 34,5%.
Distância - 27%.
Falta de transporte público - 17%.
O horário dos jogos - 6%.
Falta de segurança
nos estacionamentos – 4%.
Preço do Bilhete - 3%.
A minha equipa não está a jogar
nada – 2%.
Falta de segurança - 2%.
Acredito que dirigentes e gestores desportivos sérios, deveriam buscar respostas para esses números, e de alguma forma tentar solucionar o problema do baixo número de público nos estádios.
Não vale a pena ouvir os adeptos, sócios e os apaixonados pelo desporto de uma forma geral e entender o que eles esperam de um jogo de futebol ou de uma partida de basquetebol, ouvir o que eles querem e como querem e por que não vão aos jogos?
Afinal, o que seria do futebol, do basquetebol, do andebol sem público presente nos recintos desportivos?
O que aconteceria com os recintos desportivos, se o público presente fosse tratado com respeito e como um verdadeiro cliente?
ZONGO FERNANDO DOS SANTOS


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