Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Recreativo do Libolo d novo rumo histria

08 de Janeiro, 2015
O Clube Desportivo e Recreativo do Libolo tem sido, nos últimos anos, uma estrutura lúcida e com excelente poder de análise. Como quem não quer a coisa, organizou-se em torno de um grupo coeso de empresários, da região do Cuanza Sul , dirigentes desportivos, técnicos, jogadores e face à robusta situação financeira arrecadada, escolheu um passo e pôs-se a caminho. Ou seja, a direcção liderada por Rui Campos apostou em tudo e todos.

O futebol e o basquetebol são as modalidades de referência. Campeão do Girabola em 2011 e 2012, sob a batuta do técnico Zeca Amaral, em 2013, acabou em oitavo lugar, mas em 2014, conseguiu destronar o Kabuscorp do Palanca, sagrou-se pela terceira vez campeão nacional, sob orientação de Miller Gomes, assim como conquistou o título de campeão africano de basquetebol, com alma , coração e sobretudo muito sacrifício em Tunis. Companheiro de estrada da elite do nosso futebol, onde prontificam o Petro de Luanda (15 títulos), 1º de Agosto (9), ASA (3), Interclube (2), 1º de Maio de Benguela (2), Sagrada Esperança (1), Kabuscorp do Palanca (1), o Recreativo do Libolo foi capaz de atingir esse estatuto com o mesmo mérito.

Neste âmbito, o presidente do Recreativo do Libolo, Rui Campos, veio recentemente a terreiro, afirmar, que vê o seu clube com as faixas de campeão africano em futebol, que a partir de agora não mais vai falhar presença nas competições africanas. Esse, é um pormenor que o distingue dos demais. Pode dizer-se que esta forma de encarar as coisas tem uma base de sustentação. Um clube em fase de mudança, de atitude e de perspectiva para o futuro.

Contudo, o clube de Calulo parte para pré-época com uma curiosidade. Uma situação de particular importância e o tempo vai dizer se motivadora ou incómoda. No dia dois do corrente, os desportistas angolanos acordaram “espantados” com o comunicado publicado no site do clube, cujo teor era de que o técnico Miller Gomes, a seu pedido, vai frequentar um curso de níveis III e IV, na Escócia. Pelo facto, segundo o mesmo, ter sido convidado a orientar uma equipa de Portugal. Nas entrelinhas, o clube prontificou-se inclusive em custear parte das despesas. Neste âmbito, a rescisão contratual acabou por ser amigável.

Face a versão do clube e não a do técnico, porque este (técnico) não fala, aventa-se a hipótese, porque senão nunca mais volta ao CDR Libolo, por represália, somos obrigados a pensar que Miller Gomes está a fazer a vontade ao clube. E como não temos a versão do técnico para fazer um juízo de valor, colocamos as seguintes questões:Miller Gomes foi o campeão do Girabola e como diz a máxima, “equipa que ganha, não se mexe”. Tem lógica a mudança de técnico, em detrimento de uma formação profissional, nesta fase? Uma atitude a ser analisada em várias perspectivas. Será que Miller Gomes não gerou consenso entre as hostes do clube?

Rui Campos e Miller Gomes faziam até uma boa “tabelinha” para a revalidação do título, atacar a Champions, a Supertaça e a Taça de Angola. O que deduzo, pode ter havido um desentendimento entre o treinador e o presidente do clube. A Europa está em crise. Há desemprego e como tal, não vão empregar um estrangeiro, quando no banco estão milhares de técnicos conceituados da Comunidade Europeia à espera de uma oportunidade. Miller Gomes ganha bem no Libolo e uma aposta em Portugal, ia certamente ganhar dez vezes menos. Os cursos na Europa, são ministrados no defeso, para haver mais adesão, embora este curso na Escócia pode ser uma excepção.

O técnico Zeca Amaral, campeão pelo CDR Libolo, nos anos 2011 e 2012, falou muito pouco. Observamos, que neste clube, o protagonista é o presidente Rui Campos.Miller Gomes cumpriu na medida da sua competência. Valia intrínseca dos atletas à sua disposição, ambição do grupo, capacidade de concorrência com os demais, o que da sua parte se exigia ou esperava. Foi Miller Gomes que esteve à frente do CDR Libolo que alcançou o título de 2014 e consequentemente o tricampeonato para o clube. Será que tal proeza fica a dever-se, fundamentalmente, ao Rui Campos presidente do clube ?

Miller Gomes é uma besta ou bestial nesta altura ? Será que Miller Gomes queria de facto fazer este Curso ?Quando o clube diz que vai apoiar, significa dizer, por outras palavras, que um dia Miller Gomes pode regressar. Assim, foi um caso de julgamento sumário, com absolvição ou castigo?

Para ser bem amado, o substituto de Miller Gomes, o francês Sébastien Desabre vai ter de pintar as conquistas do CDR do Libolo com mais brilho. Se conseguir fazer, a renovação de contrato fica mais perto e o seu mérito vai ser inquestionável, caso contrário, o mais provável, será abandonar o cargo e deixá-lo para Miller Gomes que regressa com os níveis III e IV, que entre os angolanos, só o conceituado técnico Oliveira Gonçalves os possui.
Sack Santos

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