Jornal dos Desportos

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Opinio

Recuperar a identidade

17 de Dezembro, 2018
O basquetebol, quem diria, deve merecer todas as atenções dos debates mediáticos e outros. De hoje até que se recupera a nossa identidade. Regressemos à filosofia que nos fez gigantes do continente. Seguramente não foi o dinheiro, que não tínhamos na altura em que tudo começou. Temos dito que na prática tínhamos um pavilhão (o da Cidadela), e apenas com ele, formou-se a nata de atletas que dominaram o continente por duas décadas aproximadamente. Foi conhecimento que nos tornou na potência que somos. Foi a formação de qualidade que nos permitiu conquistar todos os títulos que a FAB reuni na sua galeria. A partir de 1999-2000 começamos a colocar em causa esta filosofia, partimos para uma política de inflação do mercado, nacionalizamos, até chegarmos ao ponto de não termos um base à altura dos super-campeões africanos.
Logo, na posição um. Lugar em que sempre tivemos de sobra atletas, muitos dos quais nunca chegaram à selecção porque não havia espaço. Não gostaria de distribuir culpas, mas é preciso chamar os responsáveis pelos seus nomes. Sabe-se que no futebol foram o Kabuscorp do Palanca e o Libolo os arquitectos da inflação do mercado, do menosprezo da formação. Assim foi no basquetebol.
O 1 de Agosto, o tal clube que formou Jean Jacques, Herlânder, Paulo Macedo e outras estrelas do basquetebol nacional, iniciou o processo de inflação do mercado, seguiu-se o Libolo, tendo atingido o pico com a contratação do Olímpio Cipriano. É chegado pois o momento de o 1º de Agosto fazer o processo inverso. Devolver ao basquetebol o que nos caracteriza, nos fez os melhores do continente. Formar, colocando os melhores treinadores nos escalões de formação, tal como tem feito com o futebol, o que a nação agradece vivamente. Só o 1º de Agosto? Não, os outros têm o mesmo dever moral.
Fala-se do 1º de Agosto por ser o maior clube do País, aquele que despoletou o processo que resultou na inflação do mercado mas também por reunir, quanto a mim, o melhor gestor. Dir-me-ão alguns. Talvez seja o que tem mais dinheiro. Eu reitero.
O que tem melhor dirigente. Olhem para o Petro teve tanto dinheiro o que fez? O Libolo, o Kabuscorp do Palanca ou o Interclube. Não basta o dinheiro.
É preciso ter um vocacionado.
Teixeira Cândido

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