Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Regresso do desporto das multides

01 de Novembro, 2018
O dia 27 de Outubro do corrente ano, fica marcado na história do nosso futebol, como o dia do regresso à primeira forma, no molde de disputa do campeonato nacional de futebol, vulgo Girabola, que começou em 1979.
Na realidade, o primeiro campeonato nacional de futebol, depois da independência, começou no dia 8 de Dezembro de 1979. Todavia, a intenção era iniciar no mês de Outubro daquele ano, que coincidia com a realização da maior parte dos campeonatos em África.
Entretanto, por causa da morte do primeiro presidente de Angola, Dr. António Agostinho Neto, em Setembro do mesmo ano, então, a prova teve de iniciar na data acima mencionada. Desde aquela data, até hoje, o Girabola fez muitas estrelas, proporcionou momentos de muita alegria, e foi um dos principais meios de promoção da paz em Angola.
Na época da guerra civil, os clássicos como, 1º de Maio de Benguela que integrava jogadores: Kiala, André, Fusso, Sarmento, Zandú, Maluka, Fidel, Zé Águas e companhia, com o 1º de Agosto, em que perfilavam: Napoleão, Tandú, Zomi, Lourenço, Chimalanga, Ndunguidi, Alves, Amândio, Nsuka e outros, faziam parar os combates em todo o território nacional, para ouvir o relato, isso, contado por pessoas que estiveram em ambos os lados.
Por outro lado, o Girabola é um meio de ganha -pão de muitos. Além dos principais intervenientes, centenas ou mesmo milhares de pessoas de várias áreas da sociedade, desde a imprensa desportiva e não só, até aos vendedores ambulantes de vários artigos, ganham com o Girabola em movimento.
Todos, ou quase todos os mwangolês e não só, ganham quando a bola gira nos diversos estádios do país. Por isso, não é de admirar que o Girabola seja o desporto das multidões. Pois, é a falar uma “língua” de fácil compreensão (entenda-se regras). Todos entendem o idioma do futebol, e por isso, é o mais querido dos campeonatos desportivamente falando.
Ao longo dos 39 anos de existência, o Girabola proporcionou o desfile de grandes artistas da bola, como Sabino, Geovety, Chimalanga, Pedro Garcia, Ndunguidi, Praia, Santinho, Jesus, Lufemba, Basílio, Carnaval, Manecas João Machado, Zé do Pau, Maria, Lourenço, Luvambo, Arménio, Vicy, Alves, Chiby e outros, isto, na década de 80, com o Petro de Luanda a ser o grande papão, com cerca de sete títulos conquistados.
Na década de 90, surgiram outras vedetas, como Lúcio, Quim Sebas, Saavedra, Mona, Marito, Bila, Barbosa, Kissi, Russo, Avelino Lopes, Betinho, Zacarias, Minhas, Flávio Amado, Amaral Aleixo, Love, Cabungula, Renato Campos, Zé Nely, Akwá, Jony, Luizinho, Quinzinho, Zeca Langa, Mendonça, Hélder Vicente, Neto, Man Torras e muitos outros.
De 2000 a 2018, surgiram outros artistas da bola, com destaque para jogadores como, Job, Dani Massunguna, Paizo, Herenilson, Carlinhos, Ary Papel, Gelson, Neblú, Gerson, Yano, Bwá, Manguxi, Tó Carneiro, Eddie Afonso, Freddy, Vá, Dudu Leite, Nary, Bastos, Natanael, Show, Macaia e outros.
Portanto, pode dizer-se que o Girabola é um imperativo na vida dos angolanos, porque directa ou indirectamente todos nos revemos nele, por a nossa fonte de salários, negócios ou por ter algum familiar directamente ligado ao futebol, como por exemplo um jogador ou dirigente.
Entretanto, em função da situação económica do país e pela forma como o campeonato vai passar a ser disputado de 2018 a 2019, surge a grande questão: que Girabola teremos? No último campeonato, tivemos a desistência do JGM, do Huambo, por falta de recursos financeiros e o 1º de Maio de Benguela desceu de Divisão pelos mesmos motivos.
Este ano, ou seja, na presente época que o próximo fim-de-semana tem em agenda disputar a segunda jornada, esperamos que as 16 equipas que iniciaram, possam terminar o campeonato. Ainda assim, surgem outras questões: o D’Agosto, conquistará o tetra campeonato ou será destronado? Quem acabará com o reinado de Carlos Alves, como recordista dos melhores marcadores do Girabola, com 29 golos rubricados, em 1980?
Vamos aguardar com expectativa a resposta à estas e outras perguntas, que serão respondidas por equipas como: Petro de Luanda, com Tiago Azulão, como goleador -mor , o 1º de Agosto que ainda não tem um goleador nato, o Kabuscorp e o Inter de Luanda, que eu coloco na “pole position”para conquista do Girabola de 2018 e 2019. Contudo, de uma coisa podemos estar certos: Surgirão novos artistas da bola.
Augusto Fernandes

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