Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Relao entre patrocinadores e instituies desportivas

07 de Agosto, 2017
O marketing desportivo é um bom investimento de comunicação, publicidade e propaganda para as marcas em Angola?
Salvaguardando e respeitando as devidas medidas, distâncias e grandezas, julgo que esta pergunta não “casa” com a nossa realidade, só para não dizer que uma coisa não tem nada a ver com a outra! Penso ter razão, mas sei que não estou errado!

Julgo que a pergunta inicial do artigo assentaria como uma “luva” se fosse a seguinte: como você caro(a) leitor(a), deste relevante espaço, que todas as semanas acompanha as reflexões tendentes há uma mudança de paradigma na “complicadíssima” gestão desportiva profissional, que todos os dias vêem “piscando a direita, mas continua a curvar a esquerda “, analisa as relações entre as marcas de empresas patrocinadoras e instituições desportivas nacionais?

A minha resposta, que é o meu pensamento único, mas que acredito ser também consentimento mútuo, encontra-se lá no final do artigo. Mas para lá chegar, peço ao atencioso leitor, que primeiro dê atenção a abordagem técnica, porém didáctica e pedagógica sobre o assunto em causa.

Ora bem, tenho vezes sem conta, repetido, neste mesmo espaço que o marketing desportivo é uma poderosa ferramenta, fundamental para o posicionamento, visibilidade e notoriedade de uma determinada marca junto do seu público-alvo e seu mercado de actuação.
Por outro lado, o desporto tem - se mostrado uma ferramenta inovadora no que se refere à comunicação e publicidade das marcas, através de planos de marketing dentro do desporto.

Porém atenção, mas muita atenção mesmo, porque o desporto é um produto complexo com público variado e requer um planeamento cuidadoso no que se refere a sua utilização como ferramenta de marketing, pela razão de que suas decisões estratégicas precisam levar em conta e consideração os impactos e as exigências dos vários consumidores e públicos-alvo consumidores do desporto, no caso os fã, adeptos, sócios e admiradores de uma instituição desportiva ou de um evento desportivo.

Aplicar recursos em marketing desportivo tem se tornado uma ferramenta quase indispensável às grandes marcas, que tem apostado nesse mercado buscando através dele uma identidade pessoal entre cliente e marca, ligando-se não apenas de forma comercial aos seus clientes, mas também de forma afectiva utilizando o desporto como ponte para esta conexão.

Uma das formas mais conhecidas de investimento no desporto é o patrocínio, e numa definição mais estratégica do patrocínio desportivo diria que é uma plataforma de marketing que pode ser activada e integrada no mix de marketing e capaz de aumentar a eficiência e a eficácia de uma série de actividades de marketing para ambas as partes, numa base da aliança, que eu prefiro chamar de “casamento” entre marcas empresariais e instituições desportivas, apresentando oportunidades de negócios para ambos que desejam tornar suas marcas fortes.

Para o efeito, são levados em consideração pelos potenciais patrocinadores critérios específicos tais como identificar as vantagens de patrocinar uma entidade desportiva, analisar a tomada de decisão no que se refere à disponibilidade de recursos destinados a marketing desportivo e o perfil do cliente da empresa, traçando os objectivos esperados com o retorno dos investimentos feitos em publicidade e propaganda, criando a partir daí um plano de marketing estudado e trabalhado levando em consideração os pós e contras, posicionando-se no mercado de forma consciente e objectiva.

Tanto a entidade desportiva quanto o investidor empresarial precisam reconhecer a necessidade fundamental de um planeamento cuidadoso e estruturado e de uma análise de retorno sobre o investimento se quiserem atingir parcerias duradouras e eficazes.
Na nossa realidade o que deveria ser um “casamento entre pessoas da mesma igreja”, é uma pura e crua relação (patrocinadores e instituições desportivas) de “pessoas que vivem juntas faz tempo, partilham o mesmo espaço íntimo, mas que para além de não se conhecerem, vivem a desconfiar e a fugir um do outro, como o diabo foge da cruz”!
Dá para acreditar? É o que eu penso!

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