Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Remar juntos ou em rumos diferentes?

25 de Dezembro, 2017
Antes de iniciar a minha reflexão, gostaria de advertir que o artigo não tem nenhuma intenção de causar alguma espécie de confronto ou ataque a quem quer que seja.
Sendo assim, creio que as declarações públicas de um categorizado comentarista, num programa, emitido por uma das estações radiofónicas da Rádio Nacional de Angola, onde afirmou, de forma audível e em bom som: “de que” (estou citando textualmente as suas palavras) “os nossos dirigentes desportivos devem ser acarinhados”, devem ser percebidas com o significado, de que é difícil aceitar de que a mesma não tenha resultado de algum tipo de concertação colegial!
Tenho muitas dúvidas, mas penso que o referido comentarista, pode ter até certo ponto ter alguma razão, mas penso que não está redondamente certo, e não pode haver consenso nem unanimidade quanto ao peso das referidas declarações, pelas razões que todos nós sabemos e conhecemos, por um lado, e por outro pelo facto de que no contexto actual, já não é favorável fazer-se este tipo de elogios, que nos tempos da “outra senhora” davam muito pano para manga, para que a mesma tivesse uma conotação enfática e pejorativa de bajulação!
É verdade que nem tudo é regra, temos sim excepções mas que se podem contar com os dedos das duas mãos, como as dos Presidentes Pedro Godinho, Tomás Faria, Carlos Hendrick, Osvaldo Van-Dúnem e a questão “morre” exactamente ai.
As razões são sobejamente conhecidas e estão já há muito catalogadas.
Mas falemos, então, só e apenas, do muito pouco, que se vê!
É que paradoxalmente, são estes mesmos dirigentes que o citado comentarista, defende, que “devem ser acarinhados “, os ponto de partida e de chagada, para os principais problemas que enfermam o nosso desporto nacional, quando na lógica deveriam ser a parte mais importante da “laranja”, no que se refere as soluções necessárias para o desporto nacional!
Além de serem desorganizados, descomprometidos com o profissionalismo, uma boa safra dos actuais dirigentes desportivos angolanos, caem na tentação de se concentrar em resolver problemas mínimos e básicos do dia-a-dia dos clubes que dirigem, ao invés de reservarem tempo e concentrarem-se suficientemente para desenvolver uma planificação consistente, sólida e que incorpore as várias dimensões da moderna gestão desportiva.
E o pior de tudo é que a referida safra, pensa que percebem de desporto, quando hoje é nítida a constatação de que foram ultrapassados pelo tempo. Se soubessem e conhecessem, o fenómeno desporto praticado e exercido hoje, dar-se-iam conta que o perfil e os paradigmas relacionados ao dirigismo desportivo, da actualidade estão fundamentados e baseados na cientificidade, no exercício económico-financeiro transparente, num código de ética deontológica profissional do mais alto nível. Mas não é isso o que acontece e tampouco é isso o que fazem, aliás se é que alguma vez o fizeram!
Ninguém sabe quanto é que se ganhou, se gastou e qual é o rendimento financeiro de cada clube ou federação.
Os actuais dirigentes desportivos angolanos, trabalham muito no empirismo, no amadorismo e no imediatismo. Querem colher hoje aquilo que não plantaram! O pior de tudo, é que o nosso dirigismo desportivo ao invés de ser transparente, é trás - parente!
Portanto, enquanto não quebrarmos algumas barreiras em relação a forma de gerir e perspectivar os clubes e as federações, numa vertente empresarial, de certeza absoluta que também não iremos dar um passo qualitativo em relação a toda a estrutura e organização do desporto nacional.
Penso que se não houver mudança de mentalidade dos gestores e dirigentes desportivos nacionais, o melhor mesmo é trocarmos e importarmos também os gestores e dirigentes desportivos, tal como temos feito recorrentemente com a classe de treinadores e jogadores!
Mas isso, também poderá ferir o meu patriotismo, infelizmente!
Sei lá, mas talvez o desporto angolano esteja a ressentir-se da falta de um “exonerador implacável” no que dirigismo desportivo nacional diz respeito. Ou será pedir muito?
Nzongo Bernardo dos Santos *

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