Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Renncia anunciada

17 de Outubro, 2019
Razões a ver com a falta de apoio institucional para o desenvolvimento de acções e projectos ligados ao desporto adaptado, podem levar o presidente do Comité Paralímpico Angolano a renunciar o cargo, exausto que está de promessas vãs, que colidem com aquilo que são as suas expectativas à frente deste órgão desportivo.
À partida, Leonel da Rocha Pinto tem pretensão da construção de um centro de alto rendimento desportivo, na perspectiva de dinamizar o desporto para portadores de deficiência a nível de todas as modalidades, sendo que a falta de infra-estruturas é que mais tem atrapalhado todo um trabalho que se quer desenvolver.
A luta pela construção de tal infra-estrutura, remonta dos anos 90. Ou seja, há 25 anos, sem que se vislumbre uma luz no horizonte. Na verdade, se no tempo das vacas gordas as expectativas saíram goradas, em tempo de recessão o pessimismo e a incerteza terão tomado conta do homem que sempre se esmerou na reintegração social de pessoas com deficiência.
O dirigente surpreendeu no começo da presente semana a sociedade desportiva com esta boa nova. Vai-se lá depois apurar se está mesmo determinado à renúncia, ou por influência deste ou daqueloutro, venha o homem se decidir por um recuo, sendo afinal o rosto mais visível do desporto paralímpico aqui no país.
Por tudo isso, é uma novidade que ao lugar de agradar pode estar a perturbar algumas mentes em face daquilo que tem sido a dinâmica de Leonel da Rocha Pinto mais a mais pelo vigor que soube, ao longo das últimas duas décadas, emprestar a este desporto, que mais não visa senão devolver ânimo, desejo e alegria a quem um dia pensou que estava inapto para tudo.
Com a sua liderança, o desporto paralímpico conquistou feitos que a História regista. Desde os recordes internacionais de Armando Sayovo, no atletismo, ao título mundial de futebol para amputados e mais recentemente o título africano ainda no futebol, isto para não enumerar outras conquistas bem conhecidas e registadas.
Portanto, é dirigente que, em caso de sair, deixa obra e o nome escrito com letras douradas na História do desporto angolano. Vai daí também que a sua substituição não pode ser precipitada, mas bem acautelada, sob pena de mutilar um projecto, que, pelo menos até aqui, tem tudo para dar certo e proporcionar outros motivos de alegria ao povo angolano.

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