Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio
por Agostinho Chitata

Repatriar tambm para o desporto

24 de Maio, 2018
“A volta do mecenas” é o título da canção da atriz Clarice Falcão no dueto com o músico Matheus Torreão e que se encontra no álbum “Problema Meu”. A música fala da esperança de que o mecenas retornará para o surgimento da nova renascença.
Este introito serve para dizer que habemus lei que abre porta para quem tem dinheiro domiciliado no estrangeiro, sobretudo transferido de forma ilícita, puder trazer de volta para Angola. No fundo, é o que se pretende com a lei: o retorno dos fundos que muito o país precisa para alavancar a economia.
Claro que a nível da casa da lei, relativamente ao comportamento sobre a sua aprovação, é normal, nestas ocasiões, que tal suscite discussão e discórdia, mas há que perceber que a existência da lei demonstra o nobre interesse contra tal tipo de ilicitude e pelo combate ao peculato. Sobre esta vontade de ver Angola a prosperar, parece que estamos todos alinhados, independentemente de quem vote a favor, contra ou mesmo se abstenha.
O grande desafio é sairmos do sufoco económico em que estamos envolvidos e que tem comprometido os avanços da nossa economia, dificultando o ambiente de negócios e o investimento privado.
Os empresários queixam-se da falta de recursos e lançam mão do pagamento da dívida pública para voltarem ao mercado consumidor. O investidor estrangeiro precisa de ter certeza e confiança para voltar a arriscar o seu activo em projectos em Angola.
Há que motivar quem pense arrumar as malas e redescobrir Angola como palco dos seus investimentos e ajudar a potenciar-nos. Apraz-nos a notícia sobre os ex-militares sul-africanos que no sul de Angola procuram oportunidades de negócios. Nesta altura, os atritos dos actores políticos só motivam o retardar e o multiplicar dos receios de quem queira nos estender a mão.
Aquando da realização do Campeonato Africano de Futebol registou-se um salto valorativo em termos de construção de infra-estruturas desportivas. Muito antes, foram os pavilhões construídos que acolheram uma das edições do Afrobasket, para não falar do Multiusos Arena do Kilamba que serviu o mundial de hóquei em patins.
Estava-se perante um momento em que tudo indicava estarmos sobre a pirâmide do crescimento. Para tal, gastaram-se muito milhões de dólares. Dinheiro, obviamente, que serviu o desporto traduzindo-se nas infra-estruturas existentes, mas vozes também surgiram daqueles que acusavam alguns de se terem servido do desporto. Hoje qual é a realidade do sector, em todos os domínios?
Os resultados demonstram alguma amorfia. Algum desinvestimento. Falta de continuidade no que aparentemente se fez bem. Confessamos que tudo isto começa a preocupar, pois, hoje, cada fracasso faz efluir lamúrias inoportunas. Viu-se agora com o técnico da selecção de sub-20, humilhado em casa pelo Malawi. Falando à Rádio 5, até do dinheiro tirado do seu bolso para comprar água para os seus jogadores usou em sua defesa.
Mas o desabafo do técnico nos remete às declarações do Presidente angolano quando, referindo-se ao seu mandato, assumia que se iria “incentivar o desporto escolar, regressar aos campeonatos escolares e aos campeonatos universitários”. Disse ainda que “o desporto deve também assumir uma dimensão inspiradora e formativa, de modo a permitir construir uma Angola fraterna e mais inclusiva”.
Espera-se que a lei do mecenato e das associações desportivas possam gerar, por via do “retornado”, alguns mecenas apostados no reflorescimento do desporto. Que se criem incentivos para que os bons olhos financeiros atinjam este segmento que produz satisfação quando os resultados confortam. O desporto vai agradecer a volta a Angola dos capitais a repatriar à luz da lei.

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