Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Resgatar o Desporto Escolar

02 de Junho, 2015
A actividade praticada na escola, por via do desporto escolar, tem resultados positivos na inserção dos alunos na escola e nos resultados que esses mesmos alunos obtêm, no percurso escolar. Contudo, apesar do Ministério da Educação assumir a importância do desporto escolar, ainda não foram criadas as condições necessárias e suficientes para que seja um sucesso. Esta é a realidade que vivemos em Angola.

Um desporto forte, esclarecido, capaz de criar não só condições de acesso à prática, independentemente da condição social do cidadão, obriga a existência de uma organização nacional de desporto escolar. É o que todos pretendemos no nosso país. Há sensivelmente quatro anos atrás, foi criada a Comissão Multidisciplinar para a Revitalização da Educação Física e Desporto Escolar, cujo comité executivo nacional é coordenado por Rui Mingas e visa entre outros objectivos, promover as actividades desportivas nas instituições de ensino primário e secundário.

Dado que o desporto é um elemento promotor dos mais nobres elementos da identidade nacional e da paz, as políticas governativas para rápida revitalização do desporto escolar assentam na formação de formadores a curto e longo prazos. Essa é a matriz da Comissão Multidisciplinar para a Revitalização da Educação Física e Desporto Escolar.

Em declarações à margem do Fórum para Revitalização da Educação Física e Desporto Escolar, realizado há pouco menos de três anos em Luanda, Rui Mingas disse na altura, que se perspectivam três acções de formação para Março de 2012, a primeira dirigida a profissionais de educação física do ensino primário. “A primeira será dirigida a professores primários para que façam formação rápida, de modo a que a criança passe a fazer educação física clássica”, frisou.

Explicou que seguidamente vai promover-se no fim de cada ano lectivo, um curso intensivo de quatro meses para monitores, com uma carga de 420 horas, que correspondem a um ano lectivo normal. Da teoria à prática vai uma grande diferença. Isso para dizer que o projecto não saiu da gaveta. Continua engavetado. E com a crise económica que o país vive, não sei se vai ter pernas para andar.

Defendo, que o Desporto Escolar na vida das nossas crianças e jovens, deve ser valorizada. A actividade física e desportiva assume particular importância na dimensão da saúde, ajuda no desenvolvimento de práticas e estilos de vida mais saudáveis, hoje ainda mais importantes face aos problemas com o excesso de peso e obesidade nas faixas etárias mais baixas.

Assume também importância na dimensão cívica, por um lado e por outro, a actividade física e desportiva permite aos jovens um contacto directo com elementos da cultura desportiva essenciais para lá das fronteiras do desporto e da escola – a aprendizagem das regras de cooperação e da competição saudável, dos valores de responsabilidade e espírito de equipa, do esforço para atingir metas desejadas ou da importância do cumprimento de objectivos individuais e colectivos.

Estou convicto no êxito do programa de revitalização do sector, idealizado há sensivelmente três anos pelo Governo, para colmatar dificuldades a nível da educação física e do desporto escolar. Não tenho dúvidas. Mas tem de fazer-se muito mais. Não podemos ficar alheios à realidade que vivemos.

As bases para o desenvolvimento de qualquer actividade desportiva, envolvem infra-estruturas, investimentos e formação de recursos humanos. Ao colocar de parte esse “Trio”, dificilmente o desporto escolar pode atingir o desenvolvimento que se pretende. A Comissão Multidisciplinar para a Revitalização da Educação Física e Desporto Escolar, criada em 2011, funciona (funciona mesmo?) de forma tímida. Esta é a verdade quer se queira quer não. Há que ser realistas.

Anualmente, têm sido realizados os Jogos Nacionais Escolares. Os III jogos disputaram-se em Saurimo, em Agosto do ano passado, com a participação das 18 províncias do país. Um evento que contribui significativamente para a consolidação da unidade nacional, por reunir cidadãos de todas as províncias de Angola.

O empenho individual e colectivo de alunos e professores, no bom desempenho desportivo, permite a construção de vínculos entre as crianças e os jovens com a escola enquanto instituição. E os Jogos Escolares são a alavanca para que isso seja um facto. O Ministério da Educação e o Ministério da Juventude e Desportos devem unir forças e ideias para que possamos Resgatar o Desporto Escolar. Fica o meu apelo. Até à próxima terça-feira.

Policarpo da Rosa

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