Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Resgatar o futebol feminino

19 de Outubro, 2017
Uma das principais apostas, do actual elenco da Federação Angolana de Futebol, é incentivar o futebol feminino. A pretensão foi manifestada ao JD, pelo seu presidente, Artur de Almeida, na cidade do Lubango, quando presidia ao encerramento do curso de treinadores de futebol de nível I, organizado pela ATEFA.
“Uma das nossas grandes apostas é o futebol feminino, em Angola. A FIFA pede para que as federações dêem mais atenção ao futebol feminino. Nós, em Angola, estamos cada vez mais a dar importância e fazer que a mulher tome o seu espaço nesta sociedade, pelo interesse que ela tem”, disse, na altura, o responsável máximo da FAF.
Um tema que se afigura altamente sintomático, devido não só aos desleixos que tem vivido o futebol, como da falta de previsão dos seus altos responsáveis: o abandono a que está votado o futebol feminino, que já representou Angola em várias competições continentais, sob a égide da Confederação Africana de Futebol.
A verdade, diz-nos, que o futebol feminino está a ser visto no seio do futebol nacional, como curiosidade pacata e benévola, uma espécie de concessão do bicho homem à outra metade do género humano, para meter o bedelho nos campos de jogo.
É necessário chamar a atenção, para alguns factos que ainda hoje considero altamente significativos. O primeiro, é que ninguém entende a razão pela qual o futebol instaurou no seu seio, o preconceito da virilidade.
Digo isto, porque em todas as modalidades se admitiu a versão feminina, a começar pelo atletismo, modalidade desportiva por excelência, que podia trazer consigo os velhos tabus da Antiguidade grega, quando as mulheres eram proibidas de frequentar os estádios, por altura dos jogos.
Preconceito, que fez as mulheres afastarem-se do futebol, deixando-o entregue aos impulsos masculinos, e por isso mesmo às tentações da força, e quiçá da violência e deslealdade que hoje tragicamente maculam e ameaçam.
Perante todos estes factos, em minha opinião muito pessoal, atrasou-se a evolução equilibrada do mais popular dos desportos, aquele precisamente a que se deve o ressurgimento do fenómeno lúdico, depois de muitos séculos de completo alheamento.
Por outro lado, o futebol feminino, a nível nacional e mesmo internacional, obrigado pela rejeição dos homens a abrir caminho, tem-no feito com o labéu da secundarização. Hoje, seria altamente benéfico que as mulheres bem industriadas no futebol, integrassem os corpos dirigentes dos clubes, das Associações e Federações, em vez de fazerem por lá aparições excepcionais e fugazes, como se tratasse de violações monstruosas à nossa natureza. Quantas mulheres integram o actual elenco da FAF? E das APFs? A resposta a quem de direito.
A dose de conhecimento directo, temperado de bom senso, constitui hoje queiram ou não, receituário da vida e possui nas mulheres as mais preclaras intérpretes.
Talvez o futebol nacional, e quiçá o internacional, lucrasse se na sua organizaçãopreponderasse a voz da mulher, sem as subalternidades nem os acanhamentos a que se viu irracionalmente condenada. Tão irracionalmente, que o actual elenco da FAF, na voz do seu presidente, tenta agarrar o Futuro e lembra-se das mulheres, como acrescento ao seu programa.
“Queremos ver desenvolvido o futebol feminino, voltar a representar o país em provas internacionais como nos tempos idos”, defendeu Artur de Almeida que lançou o repto aos novos treinadores das províncias, presentes no curso recém -terminado no Lubango, para que o futebol feminino seja um desafio a ter em conta no seus locais de jurisdição.
Diz a sabedoria popular, da teoria à pratica, vai uma grande distância. Digo isto, porque a FAF tem um grande dilema pela frente. Cumprir com o seu programa de acção, que lançou durante a campanha eleitoral.
Não estou a dizer, que Artur de Almeida não possa levar por diante a promessa de resgatar o futebol feminino, no entanto, para ser bem sucedido nesta sua aposta, precisa de ser acompanhado por uma reorganização da estrutura que já existia, e explorar melhor o potencial popular dos clubes que têm o futebol feminino nas suas hostes, que construíram ao longo da sua história.
Sei, que mais esta empreitada do actual elenco da FAF, não se afigura fácil, dada a realidade económica que ela vive (e o país no seu todo). Talvez seja por isso, que Artur de Almeida solicitou no Lubango, um maior empenho de todos, na massificação da modalidade nesta categoria.
POLICARPO DA ROSA

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