Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Resgate da dignidade dos tcnicos nacionais

21 de Julho, 2015
A revitalização, dentro dos próximos três ou quatro meses, da Associação Nacional de Treinadores de Angola de Futebol (ANTAF), é aguardada com expectativa e grande emoção, por parte dos técnicos nacionais, cuja classe se sente como que discriminada, na globalidade do desporto angolano.

O ressurgimento da Associação, que para além de constituir-se parceira do Governo e da Federação Angolana de Futebol, na procura de resolução dos problemas que afligem os treinadores angolanos e estrangeiros que trabalham em Angola, vai aglutinar esforços e valências no sentido de contribuir para a evolução da qualidade do nível de desenvolvimento e da qualidade do futebol angolano, através de acções práticas (no rectângulo de jogo) e de contributos teóricos, (colóquios, seminários, etc.etc.

Ainda não foi tornado público, o objectivo que leva um grupo de treinadores angolanos, que tem como um dos principais impulsionadores, o ex - seleccionador nacional, Oliveira Gonçalves, na dinamização e ressurgimento da Associação. Conhecendo como nós, a competência profissional e a postura como cidadão, sem desprimor para os anteriores mandatários da Associação, não temos dúvidas em afirmar que se trata de um projecto que pode vir a ter “pernas para andar”.

Longe de qualquer cópia ou imitação, a ter como referência um pouco do que se passa em outras paragens, será da competência da Associação, conferir pareceres ao Governo por intermédio do Ministério da Juventude e Desportos ou da FAF (Federação Angolana de Futebol), em relação ao cumprimento das normas da FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado), no que diz respeito aos treinadores estrangeiros, que possuem o nível de graduação, para orientar equipas da 1ª divisão e as selecções nacionais, assim como contribuir para se elaborem normas, que não fujam aos padrões internacionais, para a quantidade e qualidade de atletas expatriados, a serem contratados pelos clubes.

Como se sabe, não é de agora que Angola constitui a “galinha dos ovos de ouro” para muitos treinadores e atletas estrangeiros, alguns dos quais contratados a peso de ouro, sem a qualidade que se exige para trabalharem e jogarem no futebol angolano.Outra questão, sobre a qual a Associação pode debruçar-se, diz respeito às “chicotadas psicológicas,” como são conhecidos os despedimentos de treinadores, sobretudo os angolanos, que acontecem em quantidades assustadoras.

Ao ter-se como base os números dos anteriores campeonatos, nos últimos três/quatro anos recentes, o Girabola que comporta 16 equipas foram registadas em média dez despedimentos, a maioria dos quais em prejuízo dos treinadores angolanos, uma boa parte viu coarctado os direitos protegidos pela Lei angolana.

No actual Girabola, que no fim-de-semana calendarizou a disputa da segunda jornada da segunda volta, estão contabilizadas dez “chicotadas psicológicas”, que envolveram seis expatriados e quatro angolanos. Isso está na base de alguns treinadores que se sentem na “corda bamba”, em função dos resultados alcançados pelas equipas, para as quais trabalham, passam por noites de sono mal dormidas, à espera que o caminho do desemprego lhes seja indicado.

O que nos foi dado a perceber, ao longo dos tempos, é que na maioria dos “casos” em que são intervenientes treinadores estrangeiros e que pelo meio, envolvem indemnizações monetárias, práticas que se aplicam quando o treinador não cumpre a totalidade do tempo contratual, por decisão da direcção da equipa, os mesmos veem as cláusulas resolvidas a seu favor, embolsam “ chorudos” montantes financeiros. Não é de agora que a maioria dos dirigentes dos clubes, vá-se lá saber por que razão, proporcionam aos estrangeiros melhores condições de trabalho e de salários do que aos angolanos, com idêntica ou superior qualificação profissional.

Sem que nos mova nada contra os expatriados, para além dos salários, os estrangeiros usufruem de acomodação, alimentação, transporte com o respectivo combustível e assistência técnica, para além de, entre outros, de telefones e linhas de internet, o que lhes permite conectarem com qualquer parte do mundo a qualquer hora.

Deveria ser normal, quando os despedimentos dos treinadores acontecessem, em consequência dos resultados que determinada equipa obtém, o que no caso de Angola, nem sempre acontece. A profissão de treinador é das mais ingratas, pois está sempre dependente dos resultados que a equipa alcança, tanto pode iniciar a noite na condição de bestial e despertar no dia seguinte como besta.

Noves fora o facto de em alguns casos começar a ter alguns que assim procedem, ainda é diminuta a quantidade de dirigentes de clubes que elogiam os treinadores, sobretudo nacionais, em função dos resultados positivos alcançados em consequência do seu trabalho. Houve épocas em que a falta de dignidade e de respeito de dirigentes de alguns clubes, vários treinadores tomaram conhecimento dos seus despedimentos, por intermédio da imprensa ou nas suas viaturas, a caminho dos locais de trabalho, para exercerem a função de treinadores.

É preciso que as pessoas tenham consciência que a Associação Nacional de Angola de Treinadores de Futebol, não vai resolver os problemas da classe. Com o apoio de todos os técnicos, vai contribuir para a resolução e ajuda no resgate, no respeito pelos profissionais dos treinos da modalidade, que nos últimos tempos tem andado por baixo.
Leonel Libório

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