Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Resilincia marcou a minha trajectria

01 de Fevereiro, 2020
Quando no limiar do ano de 1991 fui “descoberto” pelo malogrado jornalista Miguel Filipe, na altura delegado da Edições Novembro na Huíla, para fazer parte, como estagiário dos quadros de jornalistas, com pendor desportivo, ninguém imaginava que hoje, quase trinta anos passados, fôssemos crescer e atingir os patamares que conquistamos, graças a resiliência demonstrada ao longo da trajectória.
Na verdade, foi a partir desta altura, escrevendo desporto e não só, na qualidade de correspondente, iniciei na editoria desportiva do Jornal de Angola, que depois passou a ter um Suplemento Desportivo, sob liderança do já experiente Policarpo da Rosa, coadjuvado por António Ferreira “Aleluia”.
Depois, surgiu o Jornal dos Desportos, onde encontrei igualmente outros “gurús”, como Fontes Pereira, Gil Tomás, Caetano Júnior, Matias Adriano (actual director), António Félix, Muanamosi Matumona, Fernando Cunha, Honorato Silva, Amândio Clemente, Nuno Flash, Rogério Tuti e outros, com quem aprendi muito (e bem), sustentando uma formação básica que tivera então, em que o principal formador fora simplesmente Osvaldo Gonçalves. A Redacção do “JD” era lá em baixo, dividia a parede de um “caixote” com o Semanário “Correio da Manhã”, dirigido pelo malogrado Paulo Pinha.
Na altura, o instrumento de trabalho era a máquina de dactilografar. No Lubango, o envio dos textos era feito por fax e, muitas vezes por telefone (ditando). “Aleluia” Ferreira, na qualidade de chefe de redacção, era muito persistente e exigente. Sempre que viesse à Luanda aprendia muito com os colegas, que tinham imensa consideração e respeito por mim. Na Huíla ganhava tarimba com João Luhaco, José Fucato, Leonel Kassana e Sérgio Vituro. O trabalho era duro. Quase sem muitas condições. Ora faltava energia eléctrica, ora combustível no gerador, falha de sinal de fax devido às chuvas intensas na região, enfim um sem número de dificuldades, aliada à ausência de meio de transporte. Era a pé que íamos às reportagens, sobretudo aos estádios. Isso, no fundo, nos deu traquejos e ‘endurance’. Crescemos nesta realidade, “batendo no ferro quente”.
Entretanto, mais tarde, chegava a geração que “revolucionou” o nosso JD, trouxe de facto acutilância jornalística, desportivamente falando. Refiro-me às entradas triunfais de Mário Eugénio, Pedro Augusto, Josefa Tomás, Melo Clemente, Béu Pombal, António Júnior, Teixeira Cândido e outros poucos. A espaços, fui sendo correspondente regional. Deslocava-me regularmente ao Namibe, Cunene e Cuando-Cubango para reportagens, porque a minha condição militar permitia essa mobilidade.
Houve então a necessidade de se estimular o surgimento de correspondentes locais, para me “folgar” do ingente esforço. Gabo-me (modéstia a parte) de ter formado Joaquim Suami, que no início dos anos de 2000 passou a ser correspondente em Cabinda; Manuel de Sousa, que é actualmente o correspondente nas terras da mulher mucubal, o Namibe, Gaudêncio Hamelay, que actualmente é um dos correspondente do JD na Huíla, conjuntamente com o Benigno Narciso, sendo este igualmente da “minha lavra”. Outro jovem que formámos foi Batalha Ulombe, que durante largos anos foi correspondente no Huambo. O Sérgio Vieira Dias, que chegou ao Lubango no início de 1995 e fixou-se nas terras Altas da Chela, por algum período e depois voltando a alternar essas com Luanda, onde em 1997 começou a colaborar efectivamente no JD, é outro produto da nossa lavra. Hoje, nas vestes de editor principal deste título, teve ainda passagens pelo Namibe, como correspondente, assim como em Malanje, Bié e Cuanza Norte, em que cumulativamente exercia o cargo de director da Edições Novembro.
Voltando a falar do meu percurso, particularmente, destaco as missões de serviço de reportagem que fiz pelo JD no célebre jogo em que o Petro de Luanda eliminou o Ahl Ahly do Egipto, em pleno estádio do Cairo; e a missão em Conacri, em 1999 aquando da primeira participação de Angola no Campeonato Africano das Nações (CAN) de Sub-17, conjuntamente com o companheiro Honorato Carlos Silva.
A minha homenagem singela aos companheiros, que já não fazem parte do nosso convívio: Gil Tomás, Muanamosi Matumona, Sardinha Teixeira, Manuel Rosa e o nosso ‘Papin’, um “servente” de luxo que com a sua humildade e simplicidade conquistou o coração de todos. Por fim, uma palavra aos que surgiram depois e dão continuidade ao projecto, como Betumeleano Ferrão, Paulo Caculo, Silva Cacuti, Rosa Napoleão e Rosa Panzo, Francisco Carvalho, sem esquecer as secretárias Elizabeth do Espírito Santo e Conceição Amarílis da Silva, que sempre souberam exercer com profissionalismo as suas ingentes tarefas. Considero que o Jornal dos Desportos me tenha forjado como profissional, por isso é uma autêntica “escola da vida”. Morais Canãmua

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