Jornal dos Desportos

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Opinio

Roberto Bianchi sacode a presso-

10 de Maio, 2018
A vitória do Petro Atlético de Luanda sobre o Interlube, no último domingo, trouxe um grande alívio a equipa tricolor da capital especialmente ao seu treinador, o brasileiro Beto Bianchi.
Habituados a vitórias, a direcção e os adeptos do Petro estavam fartos dos maus resultados e das péssimas exibições do clube mais titulado do país. Sim, nos últimos quatro ou cinco jogos o Petro de Luanda havia perdido o rótulo de crónico candidato ao título.
Por isso, o treinador Beto Bianchi, na qualidade de comandante da tripulação, tinha todos os motivos de se sentir pressionado, aflito, sufocado, mesmo sem nada lhe dizerem.
Alguns adeptos e até mesmo pessoas com forte influência no clube já estavam a pensar em chicotear o homem. Se Bianchi perdesse o jogo diante dos Polícias da capital dificilmente continuaria no comando técnico do Petro.
É importante lembrar que a situação começou a ficar preta para Bianchi depois da eliminação do Petro no jogo da segunda-mão na África do Sul, diante do Mamelod Sundon. Pois, em função do que se viu através das imagens televisivas algumas pessoas consideram que Bianchi foi o culpado pela derrota do clube.
Como se não bastasse, depois daquele desaire, no Girabola a equipa foi decaindo de jogo para jogo e só não empatou com o Domant em pleno estádio 11 de Novembro porque os rapazes de Bula Tumba respeitaram em demasia os tricolores.
Portanto, a situação de Bianchi, era de facto muito preocupante, pois a continuar assim a chicotada seria uma certeza. É importante também frisar que em parte, o treinador Bianchi, às vezes, pela sua forma de agir constitui-se inimigo de si mesmo.
Como assim? A forma como Bianchi, aborda certos assu ntos e como se comporta quando a sua equipa está atravessar o “deserto” deixa muito a desejar. Por ser uma pessoa quente e impulsivo o homem muitas vezes recebe ordens de expulsão em claro prejuízo para a sua equipa o que é muito mau para um treinador.
Podemos dizer que Bianchi até tem tido alguma dose de sorte porque se os árbitros levarem a sério o seu génio temperamental dificilmente ele terminaria a maior parte dos jogos no banco.
Portanto, enquanto Bianchi, não souber dominar o seu génio explosivo, continuará a ter muitos problemas e nunca terá moral para disciplinar um jogador como Job por exemplo. O pior de tudo é que se a equipa deixar-se levar pelo comportamento do técnico ai é que serão elas.
Por isso Beto Biancchi, que até já deu mostras que é de fato um excelente professor de futebol, deve ter em mente que além de treinador ele deve ser bom exemplo para os seus pupilos tanto na vida desportiva como fora dela.
Jogadores como Job, que por natureza é temperamental quando acossado pelo adversário, precisam de bons exemplos para lhe darem com situações do género. Ora, quando a pessoa de quem se espera o exemplo também é um dos que precisam de ajuda então quem perde com isso é única e exclusivamente a equipa.
O mau momento que a equipa do Petro de Luanda, viveu no período que precedeu ao jogo contra a equipa do Rocha Pinto, em minha modesta opinião foi fruto do “efeito Bianchi” sobre os seus jogadores, pela negativa. De resto, sabemos que Beto Bianchi, tem massa cinzenta suficiente para separar o trigo do joio e por isso nos próximos tempos esperamos observar grandes mudanças na sua forma de estar no futebol.
Futebolisticamente falando, sabemos que um treinador não pode determinar a cem porcento, o que a sua equipa deve fazer em campo e por isso não pode ser totalmente responsabilizado por todos os desaires da sua equipa. Assim como um pai em casa não pode ser totalmente responsabilizado pelo mau caminho que um dos filhos possa escolher, um treinador de futebol também goza desta prerrogativa. Mas deve ficar patente a todos que o pai faz a sua parte para que os filhos sejam bem-sucedidos.
AUGUSTO FERNANDES

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