Jornal dos Desportos

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Opinio

Roupa suja lavada em casa

01 de Janeiro, 2016
Ao abdicar da Conferência de Imprensa, prevista para estes dias, em que ia apresentar a sua versão sobre os factos que conduziram à suspensão de que foi alvo por parte da Federação Angolana de Futebol (FAF), e enquanto aguarda por um encontro a direcção encabeçada por Pedro Neto, o seleccionador nacional, Romeu Filemon, para além de evidenciar que a “roupa suja lava-se em casa (…)”, demonstrou que os assuntos da modalidade
devem ser resolvidos em sede própria.

Não fosse a longa experiência que possui, como técnico de vários clubes e selecções nacionais, que se consubstanciam em alguns êxitos e dissabores, a tomada de posição de Romeu Filemon, deixa a entender a empatia com a comunicação social, a que se junta o interesse em manter um relacionamento estreito, sem descurar o interesse em continuar a manter o relacionamento com a entidade empregadora, a FAF, que deve nove
meses de salários.

Agora, que o futebol angolano se apresta a iniciar uma nova etapa, com a participação dos Palancas Negras na fase final da Taça de África da Nações, para atletas que participam nas competições domésticas (CHAN), em Janeiro no Ruanda, é necessário que o espírito de solidariedade se mobilize em torno dos interesses e dos objectivos da presença da Selecção Nacional, na competição, assim como em todos os jogos e competições em que estiver envolvida, dado que a preparação decorreu maioritariamente sob orientação de Romeu Filemon. A pergunta que não se quer calar, é como a FAF vai “descalçar a bota”, para resolver a questão em causa, que despoletou há menos de um mês, do início da competição, que vai ter lugar no Ruanda.

Depois de ter sido eliminada da fase final do Mundial-2016, a realizarse na Rússia, espera-se que a participação da Selecção Nacional de Angola, no CHAN do Ruanda, competição na qual em 2011 alcançou a segunda posição, marque o começo de uma nova fase para o futebol angolano, que se espera positiva, que muitos consideram estar em crise.

De recordar que o futebol angolano já contornou algumas crises ou “momentos menos bons”, como por exemplo, a que se registou aquando das eliminatórias combinadas para as fases finais do CAN, que teve lugar no Egipto e no Mundial, na Alemanha, ambos em 2006. Um sinal positivo para que a actual fase seja ultrapassada, é que as duas partes enveredem para a via do diálogo, o que se espera construtivo e conclusivo.

Qualquer que seja a Selecção Nacional, e disso devemos estar de acordo, não constitui um simples clube e nem a casa de cada um. Mais do que isso, deve ser tratada e considerada como uma Instituição Nacional. O que é importante, e os registos apresentam muitos exemplos a respeito, é que se evitem julgamentos e acusações precipitados, e que não se emitam opiniões sobre determinada matéria, sobre a qual não se tenha domínio
absoluto.

Cientes que a missão primordial consiste em servir o povo, o Estado e a Nação, os membros da família do futebol nacional, da qual a equipa técnica não está dissociada, devem ter consciência que não pode haver outro objectivo.
Leonel Libório

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