Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Rssia centraliza as atenes

14 de Junho, 2018
As atenções dos amantes do futebol e não só vão estar centralizadas, de hoje até ao próximo dia 15 de Julho, na Rússia, palco de mais uma edição do Campeonato do Munda da modalidade.
O futebol é festa e os objectivos a alcançar, diferentes e traçados por cada uma das selecções presentes, embora haja uns quantos a correr pelos mesmos e, verdade seja dita, de forma hierarquizada, serão celebrados viva e alegremente. É, no fundo, este quisito, que todas as selecções presentes na Rússia pretendem fazê-lo no dia 15 de Julho.
Infelizmente, apenas um se pode dar ao luxo de levantar o desejado troféu de campeão mundial. A conquista de um troféu não é senão o resultado do trabalho de muita gente, juntando o coração ao profissionalismo. Quem conseguir juntar estes factores, vai de certeza levar para casa o troféu em disputa. Aliás, quem acredita merece um prémio e não precisa de o esconder.
Depois da estreia no continente africano, em 2010, na África do Sul, e quatro anos depois (2014) na América, (Brasil), o Campeonato do Mundo de futebol regressa a Europa, (Rússia) na sua 21ª edição. O Rússia/2018, esta é a pura verdade, está a inflamar paixões e, ao mesmo tempo, a criar laços comuns com a partilha global das emoções.
Na qualidade de país sede da maior montra do futebol mundial, a Rússia tem pela frente um duplo desafio: o de criar condições estruturais para receber o evento e apresentar uma excelente selecção para fazer jus à condição de país anfitrião e, se possível, conquistar o seu primeiro título mundial.
O seu grande desafio, e isto é uma prática comum em todos países que albergam grandes eventos mundiais, é a modernização do país, seguindo os padrões exigidos pelo modelo do órgão reitor do futebol mundial, a FIFA, para acolher o maior evento desportivo a nível do Mundo.
O processo exigiu a construção e remodelação de estádios e a modernização de instalações, equipamentos, serviços, segurança e transportes. Aliás, uma prova com as características do Mundial de Futebol, vai muito além de um mero evento desportivo. É, digamos assim, uma ferramenta interessante para promover uma transformação social no país organizador. E na Rússia não foi diferente.
Parece caricato, mas as pesquisas apontam que das selecções presentes na prova, a Rússia é o país “menos apaixonado” pelo futebol. Segundo o resultado das pesquisas, apenas 9% dos russos são apaixonados por futebol e assistem a jogos de futebol sempre que podem.
Segundo ainda as estatísticas, outros 20% acompanham o futebol, mas só os jogos da sua equipa do coração ou da selecção. Há ainda 35% que raramente vêm jogos dos seus clubes e da selecção. Por fim, 36% disseram que não querem nada com o futebol.
Perante este cenário, não cremos que alguém coloque a Rússia entre os possíveis candidatos ao título. Alias, o próprio presidente Putin já reconheceu que a Rússia não tem qualquer possibilidade de conquistar o título mundial. Talvez reflexo das exibições paupérrimas, que realizou durante os jogos de preparação.
Falando em possiveis favoritos ao título, o Brasil, fruto dos bons resultados alcançados nos jogos amistosos, está no topo da lista, lado a lado com a selecção que tem sido vista como a sua grande rival, a Alemanha. A Espanha integra igualmente a lista de possiveis favoritos.
Em pesquisa realizada pelo instituto Ipsos, 23% dos adeptos ouvidos, acreditam que a Alemanha tem tudo para revalidar o título conquistado no Brasil, em 2014. Outros 21% acreditam no Brasil. Portugal, na qualidade de campeã da Europa, também terá uma palavra a dizer.
É a hora de África
Será? Esta é uma questão que todos os africanos se colocam a si próprios, quando se aproxima o pontapé de saída de mais um Campeonato do Mundo de Futebol. O melhor que o Continente conseguiu até aqui foram três presenças nos quartos de final. Camarões, em 1990; Senegal, em 2002 e Ghana, em 2006.
Das cinco selecções presentes no Rússia/2018, o Egipto é a selecção africana mais bem cotada. Seguem-se o Marrocos, Senegal, Tunísia e Nigéria. Será mais uma oportunidade para o Continente se impor. Ter chegado por três vezes aos quartos de final, parece que não serve de nada. Dependem todos dos resultados e esse é o pensamento dos cinco representantes do Continente.
Os dados estão lançados. O trabalho que antecedeu o inicio da competição, não se pode perder de um momento para o outro. Todos envergarão uma camiola pesada, que requer um sentido de responsabilidade e um enorme sacrificio.
Policarpo da Rosa

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