Jornal dos Desportos

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Opinio

s portas da festa do futebol africano

01 de Junho, 2019
À escassos 20 dias do tiro de largada da 32ª edição do Campeonato Africano das Nações (CAN), que doze anos depois regressa às terras das imponentes pirâmides egípcias, Angola esmera-se para realizar uma boa campanha nesta grande montra do futebol continental. O combinado nacional projecta, em Portugal, a sua oitava presença nesta cimeira do desporto-rei que se realiza de 21 deste mês até 19 de Julho no Egipto. É, enfim, o regresso da festa do futebol em África.
Ao contrário do que vinha acontecendo até aqui, nesta edição de 2019 a prova passa contar com 24 selecções nacionais, contra as anteriores dezasseis. Para já, este é um facto que deixa regozijado os milhares e milhares de adeptos de futebol espalhados pelas diferentes latitudes do continente Berço da Humanidade.
Na verdade, às portas desta edição da Taça de África das Nações em futebol, Angola ainda não realizou qualquer jogo de preparação, algo que para já se revela contraproducente. Isso é verdade. Enquanto outras selecções já vêm afinando a máquina faz algum tempo para prova, o combinado angolano está na estaca zero nesse aspecto.
Depois da qualificação do conjunto para este CAN de 2019, com a vitória sobre o Botswana, em Francistown, na última jornada do Grupo I da fase de qualificação, a 22 de Março, aventava-se a hipótese de os Palancas Negras estagiarem na África do Sul e realizarem alguns jogos de controlo na Europa. Esse objectivo redundou-se em fracasso.
Foi, pela voz do próprio presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF) que se havia assegurado o estágio na pátria de Nelson Mandela e o périplo por alguns países do “Velho Continente”, na perspectiva de o conjunto adaptar-se ao clima que vai encontrar no Egipto, dada à proximidade destes com esta nação do Magreb. Na altura, Artur Almeida e Silva deixou subjacente nas entrelinhas que tudo passava por uma componente financeira capaz de satisfazer estes objectivos.
O número “um” do órgão reitor do desporto-rei no país foi peremptório a afirmar, na ocasião, que tudo isto teria uma implicância financeira muito forte para se cumprir. O que é facto Angola chega hoje a praticamente três semanas do arranque da prova sem realizar qualquer jogo de preparação.
O que é mais caricato, ainda, neste momento apenas o jogo contra a congénere da Guiné-Bissau, que se disputa a 8 deste mês na região portuguesa de Espinho, está confirmado. Fale-se de um outro com os Camarões, uma das selecções mais contadas do continente, que deveria acontecer logo a seguir a este com os guineenses em Espanha, mas cuja data de realização e local, ainda são uma miragem.
Na antecâmara desta grande montra de futebol que o Egipto alberga, aventou-se, ainda, a realização de jogos de controlo com Moçambique e Marrocos, que ficaram descartados, mas sem saber exactamente as razões, tal como ocorreu com a troca de palco de preparação da África do Sul para Portugal. Ao que tudo indica, questões financeiras têm estado a estorvar aquilo que traduzia os objectivos iniciais da FAF.
Para já, são aspectos que marcam, pela negativa, esta fase de preparação do combinado nacional de honras, às ordens do sérvio Srdjan Vasiljevic, que terá feito durante a etapa de qualificação a melhor campanha de sempre para a corrida a um CAN.
Vale lembrar, a esse respeito, o facto de, pela primeira vez no seu historial, a Selecção Nacional de futebol de honras terminar na primeira posição do grupo. Angola ficou a frente do Grupo I da corrida ao Egipto-2019 com 12 pontos, a “ex-aquo” com Mauritânia, no segundo posto. O Burkina Faso, que entrou nesta campanha para o CAN deste ano com estatuto de vice-campeão, quedou-se no terceiro posto com nove pontos, ao passo que o Botswana segurou a “lanterna-vermelha” com apenas um. Por essa razão, quer os Cavalos burkinabes, quer as Zebras tswanesas ficaram de fora da festa do futebol do Egipto.
Agora garantida que está a oitava presença num CAN, isto depois das participações nas edições de 1996 (África do Sul e em que se estreou), 1998 (Burkina Faso), 2006 (Egipto), 2008 (Ghana), 2010 (na prova que o país organizou), 2012 (na co-organizada pelo Gabão e Guiné Equatorial) e finalmente em 2013 (igualmente na pátria de Nelson Mandela), resta esperar que o conjunto faça uma boa campanha. E uma boa prestação passa, necessariamente por ter também uma prestação aceitável no primeiro turno, em que vai competir com as similares da Mauritânia, Mali e da Tunísia, com que joga na estreia a 24 do mês em curso, em Suez. Agora que venha a festa do futebol africano... Sérgio V. Dias

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