Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Sagrada Esperana: um intruso

04 de Maio, 2017
A prova mais mediática do futebol nacional, o Girabola, disputa a terceira jornada do seu segundo terço, no final de semana. Numa análise menos profunda, posso dizer que às vezes temos a tendência de olhar para coisas menos positivas que acontecem na prova, um campeonato muito competitivo em que os quatro primeiros classificados estão separados só por três pontos.

Este nível competitivo da prova não se resume no topo. E, aqui, não fiz referência ao Recreativo do Libolo que tem só 10 jogos, menos dois, que os quatro primeiros. A diferença pontual que separa o “lanterna vermelha” do campeonato, no caso, o Santa Rita de Cássia (7 pontos) ao sexto classificado, o Interclube (17), é de dez pontos. Isto para dizer, que temos uma prova muito disputada sob o signo do equilíbrio, e que muita coisa vai acontecer até ao fechar das cortinas.

Numa análise algo superficial, costuma-se associar a percepção de competitividade à uma minoria de equipas, alternando entre si, para a vitória desta ou daquela competição. Aliás, são nestas oportunidades que os economistas, e vivemos hoje num mundo em que tudo é ou tenta ser quantificável, elaboram métricas para analisar equilíbrios de várias competições.

Não é por acaso que algumas personalidades enfatizam o equilíbrio de uma competição, como um importante factor de atractividade, e sucesso financeiro de um campeonato. E, por aquilo que está a ser o Girabola, creio que estamos no caminho certo.

Vejamos o seguinte: o desporto, e o futebol, em particular, acabam por inverter a teoria convencional económica, de que uma empresa quanto menos competidores tiver, é melhor porque pode lucrar mais, conquista um monopólio de uma área económica.

O desporto, no caso inverso, opera um conceito totalmente diverso. É preciso ter competição e competidores, para que as equipas possam digladiar -se entre si, e por via disso, aumentar a emoção e a atracção dos jogos e da prova .

Uma questão pertinente que coloco à mesa, é a seguinte: o nosso campeonato nacional de futebol, no geral, é competitivo? A grande maioria dos angolanos dirá que não! Afinal, cada um tem a sua concepção, e não sou eu a falar por eles.

Parece líquido que só quatro equipas (1º de Agosto, Petro de Luanda, Recreativo do Libolo e Kabuscorp) jogam para o primeiro lugar. As demais, estão a “milhões” de distância (!), embora exista sempre este ou aquele intruso em cada temporada.

Não quero intrometer-me na vida dos clubes, mas devo dizer que Angola é o país africano onde se regista maior percentagem em termos de disparidades de orçamentos, entre as grandes equipas e os restantes clubes. Se os “grandes” divulgassem os seus orçamentos anuais, víamos que a razão está do meu lado.

Como disse, há em cada temporada um “intruso”, que mesmo sem capacidade financeira para ombrear com os chamados “GRANDES”, intromete-se entre eles e luta para conquistar o título. Este ano, quando menos se esperava, temos o Sagrada Esperança a fazer de gato -sapato aos crónicos candidatos ao título.Qual o segredo do sucesso da equipa diamantífera, que defrontou outras mais fortes esta temporada, e à entrada da jornada 13ª, está confortavelmente na liderança? Esta é a grande questão do momento.

Garantir a manutenção, fazer um bom campeonato com bom futebol e promover jogadores, eram, à priori, os principais objectivos do Sagrada Esperança, naquela que é a primeira época do técnico Ekran Asma.

Em relação à última temporada, a equipa do Dundo esperava mais dificuldades, em função da mudança técnica que sofreu. Contudo, isso não foi empecilho para ser uma equipa vista com outros olhos. A estratégia utilizada diante dos adversários pode ter pesado muito para a evolução deste “intruso”, que de jornada a jornada está a mostrar competência.

Temos de olhar para a realidade, e verificar que a equipa está a ser construída de novo, é um novo projecto cujo objectivo passa por consolidar o Sagrada Esperança, na fina flor do futebol nacional.

Apesar do futebol ser um jogo de 11x11 e o resto é futebol, e não há vencedores antecipados, penso que o Sagrada Esperança não vai ficar por aqui.
O Petro de Luanda com quem vai jogar no fim-de-semana, que se cuide para não ser surpreendido no seu reduto, pela equipa sensação desta temporada. É apenas um aviso.
Policarpo da Rosa

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