Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Santa Rita de Cssia

23 de Setembro, 2016
Futebol de primeira água volta à província do Uige, celebrizada pelos feitos do passado, memorável época em que o Construtores de Vicy e o Futebol Clube de Arménio tiravam sono e vaidade aos papões cá do sítio. É responsável por esta façanha o Santa Rita de Cássia FC, que consegue com muita ousadia e determinação derrotar a concorrência e lograr o passe ao Girabola'2017.

Trata-se de um feito que não deve passar despercebido, porque protagonizado por uma equipa jovem, fundada, pasmem-se, há um ano e dois meses. Aqui ganha alguma lógica a tese segundo a qual quando há trabalho e determinação para se atingir um determinado fim só as forças ocultas podem colocar objecções. Eis ai a façanha! Quem há um ano quando a saga começou esperava por este passo gigantesco?

Dois anos depois da despromoção do União do Uige, as gentes da terra do bago vermelho que se identificam com a tribo do futebol, têm motivos de sobra para sorrir. A festa da bola volta a preencher espaço lúdico aos fins-de-semana, emprestando maior vitalidade a uma cidade de si já com alguma vida pulsante, onde a boémia se perde em tertúlias longe dos palcos desportivos.

Os caminhos da velha Carmona voltam a dar ao estádio 4 de Janeiro, sempre que o Santa Rita de Cássia se apresentar na condição de anfitriã.
Sabemos que dá outro gozo assistir a uma partida ao vivo, ainda que em termos clubísticos sejamos adeptos de outros emblemas. Aliás, o Girabola pode ter um significado especial em localidades mais restritas. Afinal quem só vê o 1º de Agosto, o Petro ou o Libolo pela TV, sobretudo os mais novos, tem agora a oportunidade de vê-los ao vivo quando estes se deslocarem à província.

Mais do que isso, temos de convir que o Girabola proporciona igualmente ganhos económicos onde se faz presente, sendo verdade que ele tem a particularidade de arrastar gente pelos seus caminhos. Maior será, de certeza, a demanda para o sector hoteleira, para rede de serviços de restauração. Mesmo aquelas pessoas singulares que se prestarem a vender os seus produtos como refrigerantes, água mineral e outros, nas cercanias do estádio, em dias de jogos, verão a vantagem que o Girabola traz ao mundo de negócios.

Em meio a todos elogios e floreados, impoe-se saber algo sobre a saúde financeira do Santa Rita de Cássia, para criarmos um juízo de valor mais exacto sobre que equipa teremos, sendo quase já uma peste algumas, sobretudo aquelas com sedes fora de Luanda, acusarem falta de estofo financeiro logo nas primeiras jornadas da prova, e criar embaraços à Federação Angolana de Futebol. Esperamos bem que não seja este o caso da novel formação uigense.

Na verdade, o que temos vindo a assistir ultimamente é uma vontade mórbida das equipas em atingir o escalão superior, muitas vezes sem olhar a meio e sem fazer um diagnóstico exacto do grau de exigência desta competição. Seja como for, estando a próxima edição a coisa de cinco meses do começo, tem a direcção do clube tempo suficiente para trabalhar na captação de apoios que lhe venham permitir fazer uma gestão e um campeonato sem muitos apertos de cinto.

Bom será que o Santa Rita venha ao Girabola para ficar e não para espreitar, como ocorre com certas equipas, até porque futebolísticamente falando, o Uige é uma província com história, sendo talvez a única das que souberam dar vigor às primeiras edições do Girabola que tem andado muito ausente da competição, por razões sobejamente conhecidas, não ligadas à falta de prata, mas à limitação financeira das suas agremiações.

Quem também está de regresso ao Girabola é o Bravos do Maquis, que deve igualmente merecer aqui neste espaço alguma apreciação positiva. Mas sendo uma equipa já com nome na praça futebolística nacional, as honras cabem em cheio ao Santa Rita de Cássia, que esperamos consiga juntar ao brilho da preciosidade local (o café) o brilho do jogo da bola.
Matias Adriano

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