Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Sarav Alves Simes

14 de Novembro, 2019
Dada a força que o futebol representa no universo desportivo, seguramente que depois do jogo de ontem, entre as selecções nacionais de Angola e da Gâmbia, pontuável para o apuramento ao CAN de 2021, o tema de eleição para a edição do Desporto no texto seria, sem margem para dúvidas, as incidências do referido jogo.
Mas assim não acontece, pois, considero que o futebol angolano a nível dos Palancas Negras não está a gozar de boa e recomendável saúde, o que não desmotiva abordagens para lá das tantas, já feitas e publicadas neste mesmo espaço de papel, sem que para tal alguma coisa fosse feita para se alterar o quadro.
Parece existir, da parte dos gestores do futebol angolano, o sentimento de que perante comentários e/ou opiniões de agentes desportivos sobre o estado lamurioso em que se encontra o nosso futebol, serve a perfeição, o provérbio, segundo o qual, “Enquanto os cães ladram, a caravana passa”.
Por essa e outras, decidi dar uma pausa às abordagens sobre o tratamento que a Federação Angolana de Futebol está a dar ao desporto - rei, que se encontra numa condição de refém da vontade e de caprichos de um número reduzido de indivíduos, que se sentem “cientistas da corte” e daí, fazem o que lhes dá na cachimónia, como dizem os brasileiros.
E, de nada adianta pensar que eu tenha alguma antipatia para com a equipa de todos nós, nada que se pareça com isso. Apenas, penso que chegou o estado de saturação, ao ponto de interiorizar que afinal, quem não percebe nada do ofício sou eu. Será?
Mas, de uma coisa podem ter a certeza: O “meu chipe”, já não tem espaço para aturar o conjunto de gafes que a Federação Angolana de Futebol espalha um pouco por todo o lado, ante o olhar impávido, sereno e conivente das Associações, que parecem desconhecer o “poder” que têm de dar um muro na mesa e dizer “basta”.
Enquanto nada disso ocorrer, contento-me com as tertúlias levadas a cabo pela Associação da Imprensa Desportiva Angolana (AIDA), que quinzenalmente dá passos para o seu (re)posicionamento, como uma das mais fortes do universo das Associações de jornalistas, com abordagem de temas que muitos de nós precisam (re) aprender, a exemplo da legislação desportiva e os seus muitos contornos, que foi o tema da última tertúlia.
Noves fora isso, trago como tema de conversa para hoje, o bom exemplo dado pelo presidente de direcção do Interclube, Alves Simões, que salvou a Selecção Nacional de basquetebol sénior feminina, de falhar a participação no torneio pré-qualificativo Zona África, que decorre em Maputo, capital de Moçambique.
Ao mobilizar 12 milhões de kwanzas para custear a viagem e a estadia das jogadoras e equipa técnica, Alves Simões prestou um verdadeiro e profundo serviço patriótico, que merece referências elevadas, sobretudo, nesta altura de aperto financeiro que consome cada um de nós à sua dimensão.
Exemplos como este, são meritórios de aplausos, goste-se muito ou pouco do senhor, que para o caso deve ser enaltecido, ainda que seja somente na perspectiva de que os homens passam, mas as obras são narradas às gerações vindouras, e a grandiosidade dos actos praticados, os mesmos ficam eternizados na história.
Aliás, olhando para o histórico do Interclube, no que tange à modalidade em referência, pode-se compreender a inclinação do homem de quem se fala, que tem o basquetebol feminino como uma das coroas do mandato, no que respeita aos títulos, facto que em parte deixa atónito o seu rival visceral, no caso o 1º de Agosto.
Chegados ao fim, acredito, os leitores sentirão que tive razões suficientes para alinhar a abordagem de hoje em torno da benevolência do “number one” da equipa do Rocha Pinto, que infelizmente, mais uma vez, no futebol não engata e vai, daí, avançar com a chicotada ao técnico da equipa principal, como prognostiquei no início da época.
CARLOS CALONGO

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