Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Se o Presidente prometeu, venham ento os apoios !

15 de Outubro, 2018
Julgo que não é para politicar , só é para lembrar. No sábado passado - e isto foi notícia neste jornal, o MPLA teve um encontro com dirigentes desportivos para se projectar futuro melhor desta área social, porque João Lourenço, enquanto foi candidato do MPLA a Presidente da República, já chegou a ter um encontro alargado com os dirigentes, técnicos, agentes desportivos, atletas e Imprensa desportiva, no Centro de Conferências de Belas, em Luanda.
Tendo na altura João Lourenço escutado e anotado as preocupações dos dirigentes, técnicos, agentes desportivos, atletas e imprensa desportiva para encontrar soluções, de acordo com o seu programa de governação, analistas do futebol nacional consideram então que Artur Almeida poderá ter alguma sorte em termos de apoio.
Uma vez investido no cargo de Presidente da República, João Lourenço viria a reafirmar o seu apoio ao desporto (em particular ao futebol) quando deixou claro que \" o desporto deve também assumir uma dimensão inspiradora e formativa, de modo a permitir construir uma Angola fraterna, mais inclusiva e em que as barreiras do preconceito e da intolerância vão sendo derrubadas\" e que - disse ainda o PR - \"reconhecemos que as nossas e os nossos desportistas têm sabido honrar, além-fronteiras, o hino e a bandeira nacionais, unindo ainda mais o povo angolano\".
Eu acho que, devido a este conjunto de promessas de João Lourenço, o presidente da Federação Angolana de Futebol(FAF), Artur Sousa e Silva - que nos últimos meses tem vindo a lamentar, publicamente, da falta de apoios financeiros do Estado e patrocinadores, para a instituição que preside - decidiu recentemente subir ao Palácio e apresentar as preocupação ao Chefe de Estado Angolano, João Lourenço, a fim de lograr garantias de apoio à instituição.
No final da audiência que lhe foi concedida, Artur Almeida, muito lacónico, disse apenas aos jornalistas que \"recebemos um sinal positivo do Presidente da República, no sentido de trabalharmos para equacionarmos estas situações que acabamos de colocar\".
Seja como for a promessa já é boa. Hoje em dia imaginar o futebol sem dinheiro tornou-se uma utopia. É realmente impossível reviver já hoje o seu aspecto amador como era noutro tempo, em que muito dinheiro não era necessário.
Actualmente este desporto-rei, na busca por um desempenho lindo, no foco dos seus objectivos sociais, económicos, e às vezes até políticos, caracterizariam melhor a sua adaptação à dinâmica do mundo actual. É económica e, decididamente, uma industria distanciada das meras paixões colectiva servida para espairecer os aficionados.
Para se ter uma boa selecção, um bom clube, bons jogadores e bons treinadores...custa investimento. Esta aposta é cara, só consegue fazê-la face quem superar os entraves como os da ainda nossa \" economia frágil\", quase em plena deriva, a tentar elevar-se aos solavancos.
No meio deste mosaico, o nosso futebol - e todas as nossa autoridades sabem disso - está ainda em desestabilização; à espera de bom oxigénio para estar definitivamente integrado à esfera de bons resultados em todas as frentes.
Porque antes da crise tínhamos a ilusória sensação de que a saúde financeira dos clubes e das selecções estava \"em beleza\"; que não se deterioraria significativamente.
Já chegamos mesmo, até recentemente, a assistir à inflação da estrutura do mercado do futebol. O Libolo, o Sagrada, o Caála, o Kabuscorp estavam nesta linga, mas hoje em dia, tudo esfumou-se.
E isso tem várias consequências negativas: uma diminuição significativo na competição futebolística, uma baixa de popularidade quase precedentes nos estádios, um desinteresse indisfarçado e uma imprensa sem elementos de atracção capaz de promover e comercializar o futebol e gerar capitais.
Acho mesmo que o próprio sobre-endividamento interno e exterior do Estado representa também um risco de \"crise sistema\" no futebol angolano. Porquê?
Porque vai continuar a existir injustiça competitiva e, pior ainda, \"monopólio\" no mercado já que apenas os grandes clubes comprarão jogadores caros e, assim, terão a possibilidade de competir e sobreviver.
Diante dessa restrição os clubes menos capazes acumularão \"deficit\" em tudo, as selecções ressentirão. Quem não sebe que o buraco se ampliou ainda mais com a falta de receita e principalmente se as correlacionarmos com constatações dos nossos estádios às moscas?
Será que do Palácio virão fórmulas para ajudar a evitar, entre muitas coisas, que por exemplo a folha de pagamento dos jogadores de alguns clubes e selecções continuem a aumentar; que a federação e maioria dos clubes tenham uma folha de investimentos, pagamentos maiores que o volume de \"negócios sem retorno\"?
António Félix

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