Jornal dos Desportos

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Opinio

Se ontem o Petro caiu agora...viva a seleco !

18 de Março, 2019
O reflexo do que é ( e ainda poderá ser por largos anos ) o insucesso do nosso futebol a alto nível dos clubes africanos foi mais uma vez demonstrado ontem no Quénia, onde o Petro de Luanda mesmo a jogar em vantagem numérica pouco fez para continuar a Taça CAF.
Pensávamos que nesta segunda-feira acordaríamos ainda a cantar vitória, mas afinal, caímos todos de bordo com aquela exibição deslustrada dos tricolores. Tudo acabou. Restamos, agora, na \"frente africana\" esperar que a selecção volte a entrar em campo, a ver se apanhamos alguma coisa nas competições de fora-de portas, porque, a nível doméstico, o Girabola está como está, assim, aos solavancos na liderança.
A malta do 1º de Agosto ontem saltou, a bem saltar, quando o Massunguna marcou à tangente o golo da vitória ( é o seu segundo no campeonato), dando outra certeza de que o Petro de Luanda e outras equipas terão de fazer das tripas o coração se, em boa verdade, querem destronar a equipa do Rio Seco, cada vez mais de pedra e cal neste desejo de ver Carlos Hendrick a deixar a direcção com mais um título no \"papo\".
Mas, enfim...o assunto agora são os Palancas Negras, é a selecção de todos nós. E temos de começar a dizer que observamos, há dias, um sorriso cor-de-rosa no rosto do seleccionador nacional de honras, o sérvio Srdan Vasiljevic, dizendo que os Palancas Negras vão a Gaberone com o fito de, só e apenas, amealharem três pontos, isto é, ganhar ao Botswana, para o sonho da presença na fase final do CAN deste 2019, no Cairo, Egipto, não se tornar Miragem. Batemos palma por este optimismo.
Julgo mesmo que muitos de nós rejubilaram com esta boa disposição e alvitre do treinador na nossa selecção, pois, há 120 dias receámos que seguisse o caminho triste, muito triste de facto,, tomado pelo técnico francês que já esteve entre nós - o inolvidável Hervé Renard - quando saiu de Angola para fazer a Zâmbia campeã africana e o termos visto à frente o Marrocos, no Mundial da Rússia, porque aqui não havia dinheiro para o seu contrato e salário à hora.Não sei, agora, se o treinador que orienta a selecção de todos nós já tem as condições que reclamou à saída do último jogo, sobretudo de ordem financeira, como os seus salários em dia, mas...seja como for, perder o jogo poderá significar fracasso, uma desdita que não se recomenda.
Oxalá, nesta altura, o Executivo e patrocinadores tenham já satisfeito financeiramente tudo o que a federação e a selecção precisam para garantir uma estabilidade psicológica, motivadora e competitiva.Antes do jogo que está a aproximar-se, a Federação Angolana de Futebol fez saber, publicamente, que devia ser contemplada, no mínimo, com 550 milhões de kwanzas.
O presidente da instituição, Artur Almeida, dissera que o seu órgão, em 2018, só recebeu 100 milhões de kwanzas, o que para si era reduzido para cobrir as despesas correntes da federação, como o pagamento de salários dos funcionários.Artur Almeida revelou, também, na altura, que a federação recebeu ainda 250 mil dólares americanos, para apoiar as selecções nacionais, mas lembrou que dependia muito dos patrocinadores, que também reduziram as suas ofertas em função da crise económica que afecta o país.
Por exemplo, da operadora de televisão ZAP, patrocinadora oficial do campeonato nacional de futebol da I divisão, Girabola, só disponibilizados 140 milhões de kwanzas, contra os 120 milhões que recebiam anteriormente.
Será que, nesta altura, Artur Almeida, e seus pares, ainda enfrentam tais dificuldades para proporcionar o melhor aos Palancas Negras, que têm em perspectiva o \"assalto\" à fase final do CAN de 2019? Não nos esqueçamos que o seleccionador nacional de honras, Srdan Vasiljevic, disse que andava extremamente agastado com a gritante falta de condições colocadas à disposição dos Palancas Negras, admitindo mesmo, na altura, estar a sobreviver perante um cenário de inúmeras dificuldades e contrariedades.
Mas tudo isto à parte e, se como se diz, \"é no aproveitar que está o ganho\" então a hora e a vez de os Palancas Negras sonharem mais ainda com a presença na fase final do CAN marcada para o em Egipto em Junho- seja Mateus Galiano ou não, com Gelson Dala, Wilson, Paizo ou não - a sexta feira próxima é dia deciso.Porque para estarem presentes na referida fase final os Palancas Negras terão, teoricamente, a espinhosa tarefa ( digo teórica porque pode até vir a ser fácil), de ir a Gaberone defrontar as Zebras do Botswana para mais um jogo que vai fazer-nos roer as unhas.O nervosismo, o cepticismo está em alta. Mas o Botswana está ao alcance de Angola.
E ainda bem que os nossos Palancas Negras, fortemente empenhados em lograr o passaporte, desembarcarão em Gaberone envoltos num ambiente que ainda agita os Zebras daquele país.É, por esta razão, um factor que o nosso combinado angolano pode aproveitar para facturar três pontos.
Dizemos isto porque, pelo menos, chegou-me a dica de que Federação Futebol do Botswana (BFA) despediu, há dias, o técnico David Bright, a meio do seu contrato, sucedido por Mogomotsi Teenage Mpote, este que, coadjuvado por Raizer Tsatsilebe, apenas tem um vínculo temporário.
A Federação de Futebol do Botswana considera que Bright não conseguiu cumprir alguma das metas projectadas e, quando assumiu , em Junho, até hoje: não melhorou os rankings da Zebras.
Sob o seu comando, nos últimos tempos, passaram da 138ª posição para a 145ª no ranking da FIFA e 40 no da CAF.Com sabemos , o Botswana perdeu , em casa, e fora, para os líderes do grupo ( Mauritânia) e também foi derrotado pelo Burkina Faso, em Ouagadougou, antes do empate (0-0), no Francistown Sports Complex.E, depois, baqueou no segundo jogo contra Angola, em Luanda.
Por estes desaires todos, as Zebras do Botswana estão a \"definhar\" no fundo do Grupo I, com apenas um ponto. Um fraco desempenho em que se anotam sete golos sofridos e só um marcado.
Quando a Confederação Africana de Futebol aumentou o número de vagas, Federação de Futebol do Botswana esperava que Bright qualificasse a selecção à fase final do CAN de 2019, cimeira africana do jogo da bola onde essa selecção esteve única vez em 2012.
Só que Bright, durante os seus últimos dias, acusou e respondeu à Federação de Futebol do Botswana com o fundamento de que não fornecer-lhe o apoio necessário; referindo mesmo que o órgão reitor de futebol local não tinha orçamento capa para ajuda-lo a executar seu roteiro de qualificação. Foi por isso que a Federação de Futebol do Botswana chegou até a \"piscar os olhos\" a um outro técnico conhecido, pelos angolanos porque já orientou os Palancas Negras.
O sérvio Veselin Vesco, este que, por acaso, já tinha orientado os Zebras.Na época, ganhava 8 mil dólares por mês. Bright exigia 5 mil. É caso para dizer que os Palancas Negras, vindo já, há cerca de 120 dias, de uma vitória (2-1), sobre o Burkina Faso, podem e devem ( isto é, com a obrigação) aproveitar o ambiente instável que envolve as Zebras do Botswana na sexta-feira, em Gaberone, para fortificarem as possibilidades de qualificação.
Não tem como não subscrevermos a ideia de que a vitória para Angola deve ser um imperativo. Sobretudo porque o Burkina Faso - mesmo com 7 pontos, na terceira posição - também pode chegar aos 10 pontos, isto caso supere a Mauritânia e Angola perca ( Deus que seja surdo!) com o Botswana.E vai Angola conseguir atingir tal feito?
Bom...à saída do jogo com o Burkina Faso, o treinador dos Palancas, Srdan Vasiljevic, mostrou que tem um naipe de jogadores que não mexe muito, de jogo a jogo, e que, por esta razão, dão-lhe garantia de discutir o apuramento à última jornada.
É imperioso não olvidar que a Mauritânia vem de um empate com o Botswana.
Fez pontos, mas este Botsweana, já sem hipótese de apuramento, ocupa a quarta e última posição do grupo com dois pontos, mas pode \"enguiçar\" o combinado angolano que já não carimba o passe à fase final do CAN desde 2015.Portanto, com a última vitória sobre o Burkina Faso, em Luanda, por 2-1, impõe-se aos nossos Palancas a \"missão de ganhar\" diante do Botswana, em Gaberone .Dito de outro modo, agora só dependem, competitivamente, de si para marcarem presença na próxima fase final da Taça das Nações, vulgo CAN. António Félix

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