Jornal dos Desportos

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Opinio

Segunda derrota nacional

22 de Julho, 2019
O PAÍS futebolístico continua a curar as mágoas de ter visto partir o então seleccionador nacional dos Palancas Negras, Hervé Renard. O treinador francês tinha acabado de chegar ao continente, pelas mãos do compatriota Claude Le Roy. Depois da experiência no Ghana enquanto adjunto, treinou a Zâmbia, abandonou e aventurou-se aceitar o convite para orientar os Palancas Negras.
O País fervia financeiramente, tinha, aliás, sido organizador do CAN2010, um feito só à dimensão da África do Sul na região Austral. Traduzia enfim a ideia de que o futebol neste País já era levado com seriedade análoga a de países europeus.
O primeiro choque foi quando decidiu procurar jogadores noutras províncias. Solicitou a sua equipa técnica, no caso Miller Gomes, para visitar os outros lugares com objectivo de conhecer talentos capazes de alimentar as selecções jovens, de que era coordenador. A resposta que recebeu foi: não temos dinheiro.
O segundo choque ocorreu quando os sub-20 foram obrigados a treinar no cimento armado defronte a sede da Federação Angolana de Futebol, porque esta não foi capaz de prover um campo para treino. A procissão de choques continuou com falta de pagamento de diárias no hotel no qual vivia e atrasos nos seus ordenados.
Hervé Renard concluiu finalmente que tinha sido iludido. Talvez pelos estádios, talvez pela euforia futebolística ou qualquer outra ilusão. Mais que tinha sido iludido disso não tinha a menor dúvida.
A realidade nua e crua era que tinha sido contratado por uns amadores incapazes de dirigir um clube uma autarquia de Marselha ou de qualquer outra região de França. Bateu com a porta, regressou à sua Zâmbia, dois anos depois conquistou o CAN. Repetiu o feito com a Côte d\' Ivoire, dois anos depois e hoje treina Marrocos. Esta foi a primeira derrota nacional.
O PAÍS mostrou que não era sério. A opulência dos seus prédios reluzentes, na capital, não era sinónimo de desenvolvimento organizacional. Era qualquer outra coisa. A segunda derrota nacional abeira-se de ocorrer. Vasilivic pode deixar os Palancas Negras por iguais situações. Depois do brilharete da FAF na preparação das condições para o CAN do Egipto2019, o senhor quase é corrido do hotel em Portugal por falta de pagamento das diárias.
E ainda continua à espera de receber o prémio da qualificação. Se quisermos salvar o País de uma segunda derrota, é urgente colocar Artur Almeida a correr da FAF.
O senhor mostrou ser competente noutros negócios. Até pode ser presidente de um clube qualquer, mas que se lhe retire a FAF das suas mãos. Ou se não for pedir muito, o País iria ficar eternamente grato, se do auto da sua consciência pussesse o cargo à disposição. O País era capaz de erguer uma estátua no lugar de um soldado desconhecido. A súplica é geral: vá Artur que o País agradece.
O País enganou-se redondamente com Artur Almeida e a sua equipa. Ainda é possível evitar que os Palancas Negras retrocedam. As próximas eliminatórias do próximo CAN2021 começam já. É importantíssimo segurar o treinador, que é muito bom e barato.
O Ministério dos Desportos pode fazer inicialmente um carinho ao treinador. Chama-o, ouça-o e peça que não se vá embora. O mínimo que se espera da ministra e do vice, justifiquem pelo menos porque razão são titulares da pasta do Desporto. Não deixem que País passe mais uma vergonha nacional. Por favor, façam lá alguma coisa útil.
Teixeira Cândido

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