Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Segunda volta vai ser a doer

02 de Junho, 2018
A segunda volta do Girabola Zap 2018 está a ser aguardada com imensa expectativa, por um lado, a julgar pelo desempenho que as equipas tiveram no primeiro turno, e por outro, pelo grau competitivo que a prova atingiu no declinar. Algumas equipas, como o Petro de Luanda e 1º de Agosto, que no princípio da prova titubearam, talvez pela envolvência nas Afrotaças, nas últimas jornadas da primeira volta começaram a engatar. Ou seja, por exemplo, os petrolíferos depois do abalo da eliminação nas competições africanas em que projectaram chegar longe e conquistar a África do futebol, experimentaram imensas dificuldades sob o ponto de vista psicológico relativamente a resultados positivos diante de potenciais candidatos ao título, nomeadamente, Kabuscorp, Sagrada Esperança e Recreativo do Libolo, conseguiram devolver o alento de pensar no título da competição e animarem-se. O Petro de Luanda estava literalmente de rastos. Isto, notava-se a olho nu e com a agravante, de ter Tiago Azulão e Job, os principais abonos de família, fora do onze, por lesão e por indisciplina, respectivamente. Isso, acabou por pesar no desempenho sofrível dos petrolíferos, em determinados momentos da etapa inicial da prova. Todavia, graças à perspicácia, à experiência e à audácia, em função da resiliência, os tricolores deram a volta por cima e terminam na primeira volta numa posição privilegiada..... Em relação aos militares do \"rio seco\", demonstram ser um poço de exemplo. Mantiveram regularidade na prova, que é de se lhe tirar o chapéu. Mesmo com competições acesas nas Afrotaças, o 1º de Agosto mantém a chama na competição interna com grande atitude, por vezes, com serviços mínimos.
O clube central das Forças Armadas iniciou a competição de forma pouco ortodoxa, chegou ao ponto de ficar em penúltimo lugar da tábua de classificação, em consequência de poucos jogos realizados, cujas razões principais eram as Afrotaças. Aos poucos, os comandados de Zoran Maki foram subindo e hoje, no fim da primeira volta, de facto, são os justos campeões desta primeira fase da prova. Em outros ângulos de abordagem, pode aferir-se que o Interclube não rentabilizou a posição de líder durante várias jornadas. Pode ter acusado a imensa responsabilidade de comandar um pelotão de peso. Os polícias não deram a resposta que deles se esperava. Baquearam nos jogos com os mais directos rivais. Infelizmente, para os homens do Rocha Pinto, o calendário da prova proporcionou uma sequência de jogos que ninguém gostava que calhasse. O interclube a partir da 12ª jornada defrontou o Recreativo do Libolo (empate 1-1); o 1º de Agosto, na 13ª, com quem perdeu por 0-1; o Petro de Luanda, logo a seguir, perdeu por 2-1. Mesmo tendo vencido em sua casa o Kabuscorp do Palanca (2-1), na nona jornada, quase não invalidou o revés que sofreu com os outros três adversários directos na luta pelo título. Com tudo isso, os Polícias ficavam arredados para outros lugares, superados pelos militares e tricolores que, de resto, assumiram os seus \"verdadeiros\" lugares na frenética luta pelo ceptro. Entretanto, o Girabola não se disputou apenas no topo, tanto os palanquinos como o Kabuscorp , os lundas do Sagrada Esperança, não tiveram o desempenho que deles se esperava. Depois de algumas promessas à mistura, claudicaram e comprometeram em demasia com resultados negativos inesperados, que veio a pesar demasiado agora, no lavar dos cestos, no primeiro turno da competição. Dois \"outsiders\" revelaram, que afinal podem debicar igualmente os lugares de topo: a Académica do Lobito e do Clube Desportivo da Huíla, que com grande competência assumem os quarto e quinto lugares. Quer Rui Garcia quer Mário Soares souberam preparar as respectivas formações, com argumentos suficientes capazes de fazer frente a adversários superiores, bateram o pé aos chamados grandes. Neste aspecto, realmente, o campeonato esteve ao rubro, mas há mais para contar, mesmo na cauda, com equipas bastante competitivas que falharam só na regularidade dos resultados. A prova disso está na separação de pontos entre si, não é muito grande, pelo contrário são de escassos pontitos. Neste rol, estão as formações do Progresso do Sambizanga, Sporting de Cabinda, Recreativo do Libolo, F.C. Bravos do Maquis, Sagrada Esperança, 1º de Maio, enfim.... A grande pecha da prova foi sem dúvidas a desistência do JGM do Huambo, que acabou por manchar a verdade desportiva. Os \"meninos do Huambo\" preferiram abandonar a prova, à escassas jornadas do final da primeira volta, provocaram desalento no que era a perspectiva de desenvolvimento do futebol nacional. Infelizmente, o aspecto financeiro é o grande \"calcanhar de Aquilles\" para a esmagadora maioria das equipas intervenientes e ameaça outras desistências. Oxalá, o diabo seja surdo e não oiça isso! Por outro lado, fazemos uma apreciação, ainda que superficial, ao desempenho da arbitragem durante a primeira volta da prova. Houve muitos casos, uns mais graves que outros. Ainda assim, alguns clubes vieram à terreiro, reclamar contra os homens do apito que aqui e ali, em alguns casos falharam quase de forma propositada e tendenciosa. Felizmente, o Conselho Central de Árbitros, na maioria dos casos, tomou conta dos casos mais candentes e puniu os prevaricadores. Para a segunda volta, augura-se melhorias substanciais, não só com relação aos árbitros, também para atletas, técnicos, dirigentes e outros agentes, para bem da melhoria da qualidade do nosso futebol, e que a segunda volta do Girabola traga mais emoção e espectacularidade.
Viva o nosso futebol!
MORAIS CANÂMUA

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