Jornal dos Desportos

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Opinio

Segundo turno vai ser a doer

02 de Março, 2019
O Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, Girabola Zap 2018/2019, entrou na sua fase a doer, com o início, na passada terça-feira, do segundo turno da prova, cuja liderança é assumida pelo tri-campeão 1º de Agosto, seguido pelo arqui-rival Petro de Luanda.
Na verdade, militares e petrolíferos fazem jus aos seus pergaminhos de detentor do troféu e de vice-campeão, respectivamente, superando os seus adversários na concorrência desta maior montra do futebol intramuros.
Depois do fecho da primeira volta a 20 de Fevereiro, com o jogo no Dundo, Lunda Norte, entre o Sagrada Esperança e o Petro, o Girabola Zap, que regressa esta época ao seu formado inicial, adivinha-se um aceso despique no segundo turno.
O reajuste que a prova sofreu, com a disputa agora a partir do mês e Setembro e desfecho em Maio do ano subsequente, para equilibrar com os demais campeonatos de futebol do continente, veio mesmo a calhar.
E isto na medida em que permite hoje que as equipas envolvidas na Afrotaças entrem para a etapa inicial destas já com algum ritmo competitivo nas pernas, coisa que, ao longo destes anos, não acontecia e que beliscava, de certo modo, a campanha dos nossos clubes. Grosso modo, hoje os embaixadores angolanos nas provas da Confederação Africana de Futebol (CAF) já não se podem queixar de falta de ritmo no início destas.
Felizmente, na primeira volta desta época de 2018/2019 não se registou qualquer desistência de equipas, algo que para já se tornou recorrente desde que se instalou a crise económica e financeira derivada da baixa do preço do petróleo no mercado internacional.
O único senão ocorreu, agora, com o Atlético Sport Aviação (ASA), que falhou, no arranque deste segundo turno, a disputa do duelo que lhe deveria opor ao Sagrada Esperança da Lunda Norte devido à greve reinante no seio da equipa. Propala-se pelos quatros cantos, que os jogadores estão há vários meses sem receber um tostão pintado, algo que, para já, é bastante lamentável se atendermos ao facto de que estes têm famílias para sustentar e outros encargos no seu quotidiano.
Também é de se aplaudir o facto de que apesar do aperto financeiro, que graça no seio de algumas das 16 equipas que desfilam neste Girabola, ainda assim há um esforço titânico das direcções dos clubes em manterem-se firme nas pretensões de chegar até a ponta final da prova.
Eis a razão pela qual a febre do futebol que caracteriza o nosso Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, vulgo Girabola Zap, está aí a dar o ar da sua graça, com uma disputa acesa quer no topo, quer na zona movediça da tabela de classificação geral.
E é no meio desse optimismo de uns e o cepticismo de outros que a máquina da maior prova do nosso “association” está bem lubrificada, com cada uma das equipas a procurar dar o melhor de si para, no final, atingir um lugar honroso.
À passagem da primeira jornada da segunda volta, o 1º de Agosto, nas vestes de detentor do troféu, e o Petro de Luanda, nas de vice-campeão (e embora ainda não tenha jogado), acabam por não surpreender a quem quer que seja, ao assumirem hoje o primeiro e segundo postos, com 34 e 31 pontos cada, respectivamente.
Sendo nesse momento os dois maiores papões da prova com 12 e 15 títulos conquistados, designadamente, estes dois colossos do futebol nacional travam, também, a uma luta férrea nessa vertente. Porém, a equipa do “Rio Seco” tem sido mais feliz nas últimas épocas, pois conseguiu reduzir uma desvantagem de seis títulos, que até há uns anos atrás vigorava, para apenas três. Isso é salutar e torna a prova ainda mais emotiva.
Contudo, a disputa da ‘fina-flor’ do futebol nacional não se restringe a estes dois emblemas. Na concorrência do título da presente época, entram outras agremiações na jogada, como Kabuscorp do Palanca, detentor de um troféu no campeonato, que, à passagem da primeira jornada, ocupa o quarto lugar com os mesmos 28 “ex-aquo” com o Clube Desportivo da Huíla (CDH), no 3º posto. Os militares da Frente Sul são, nesse momento, a grande revelação da época. Mesmo sem se assumir como candidato ao título, o Desportivo da Huíla não entra nessa concorrência apenas para ajudar o confrade do “Rio Seco”, como se propala em muitos casos, mas também para dar luta aos seus concorrentes e, quiçá, fazer uma gracinha em relação ao lugar mais alto do pódio.
O Sagrada (8º colocado com 19 pontos), Interclube e Recreativo do Libolo, actuais 10º e 11º colocados, com 18 e 17 cada, e que se apresentam esta época também com alguns furos abaixo, não deixam de entrar no segundo turno rotulados como candidatos. O FC Bravos do Maquis do Moxico, o Santa Rita de Cássia do Uíge e o Recreativo da Caála do Huambo, também tiveram um desempenho aceitável na primeira volta e por isso terão uma palavra a dizer nesta fase, que se vaticina como a doer do nosso Girabola.
Os maquisardes, à passagem da primeira ronda da segunda volta, somam 20 pontos na 6ª posição, a turma caalense igualmente 20 na 7ª, ao passo que os católicos 18 na 9ª. Agora numa outra perspectiva surgem as equipas que estão na zona movediça da tabela de classificação geral do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão. Nesse carrossel estão praticamente as equipas agrupadas da 12ª a 16ª e última posição. A Académica do Lobito (12º com 16), ASA (13º com 15), Sporting de Cabinda (14º com 14), Saurimo FC e Cuando Cubango FC, no 15º e último postos, com 13 e 11, são os visados. Sérgio V.Dias

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