Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Seis horas em 2012 e juzes malfeitores

30 de Julho, 2018
Estávamos ainda no ano de 2012 quando a \"tribo\" do futebol nacional - adeptos, dirigentes, treinadores, delegados de jogo, enfim - tiveram a boa nova de que, daquele ano para os vindouros, os clubes não mais pagariam directamente os árbitros que fossem apitar desafios para os quais estivessem indicados pelo respectivo Conselho Central, seja para o Girabola, seja para a Taça de Angola.
A Federação Angolana de Futebol, FAF, tomara tal decisão num encontro realizado com os presidente dos dezasseis clubes intervenientes, então, no Girabola. Isto foi no deslumbrante Hotel Victoria Garden.
As equipas deveriam depositar o dinheiro, referente às despesas com os árbitros, numa conta bancária que seria fornecida pelo Conselho Central de Árbitros da FAF, órgão que tem a responsabilidade pela arbitragem nacional. Determinou-se que os juízes permanecessem, no máximo, três dias na província em que fossem nomeados para apitar um jogo, por forma a se evitar despesas avultadas nos cofres dos clubes.
Hoje, tendo em conta os escândalos que se registam na nossa arbitragem, em que, mais uma vez, se denotam, na \"lama\" denúncias - e até citações de nomes que aqui já não reproduzo - de juízes, delegados, treinadores, dirigentes, fazem concluir o seguinte: o encontro; aquele encontro de 2012, convocado e concretizado que, estou recordado, durou seis horas em torno de assuntos arbitragem, sobretudo das péssimas actuações dos juízes , se calhar não valeu a pena.
Quanto ao conselho técnico desportivo, os participantes recomendaram a criação de mecanismos de trabalho entre a federação e os clubes, devendo existir sintonia na abordagem de questões relativas à elaboração de propostas concretas para o melhoramento das relações entre as partes. Eu estou profundamente tocado; grandemente sentido: as recorrentes denúncias de corrupção na arbitragem nacional, sobretudo, já nesta fase do Girabola Zap 2018, estão a deixar a arbitragem angolana numa espécie da \"fogo cruzado\", a que a Justiça e os agentes do futebol não conseguem para já dar solução.
Diz-se ( eu não provo!), só ouço mesmo à boca pequena ou em conversas de pé-de-orelha, que há um grupo de indivíduos a traficar influências pagas na arbitragem. E, portanto, quem forma grupo para cometer ilicitos - e a corrupção é um deles - só pode estar de mãos dadas àquilo que, criminalmente, em muitos países se chama crime de associação criminosa que, em Angola, continua a ser designado crime de associação de malfeitores.
Então, temos ou não malfeitores da arbitragem do nosso futebol? A resposta, essa, deve vir já, dentro de momentos, da Procuradoria Geral da República.
Porque, gostei, há dias, de mais uma vez, ter ouvido um grande responsável da nossa terra - desta vez ligado mesmo a nossa alta Magistratura - estou a falar exactamente de um porta-voz da Procuradoria Geral da República, pedindo paciência porque prometeu haver mais acções de investigação, combate e prevenção de crimes ligados à corrupção na arbitragem. Bonito!
Eu quero esperar para ver. Porque já vi, ouvi e escutei altos dirigentes da nossa terra com a seguinte atitude e postura verbal: quando politicamente convém, exaltam, no campo teórico, o patriótico apelo de combate à corrupção, mas, na prática, essa corrupção, mesmo configurando crime, persiste.
Não se pode colocar apenas o \"zé povinho\" a ver o sol aos quadradinhos e deixar os criminosos do colarinho branco à solta. Porqueeles ficam à solta sempre ou, então, \"lindamente\" caídos na simples suspeitas. Não pode ser assim! António Félix

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