Jornal dos Desportos

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Opinio

Seleccionador William Voigt tem misso difcil

16 de Novembro, 2017
A Federação Angolana de Basquetebol (FAB) recorreu ao mercado Norte Americano, para encontrar o substituto de Manuel Silva ( Gy), que orientou o cinco nacional no ultimo Afrobasket´2017, que foi co-organizado pelo Senegal e pela a Tunísia, em que fez a pior exibição nos últimos 20 anos.
O facto da selecção nacional não passar dos quartos de finais, no pretérito campeonato Africano, e aliado a uma exibição paupérrima, foi um dos grandes motivos da rescisão contratual com o técnico nacional.
Por isso, a FAB e os amantes do basquetebol angolano esperam que William Voigt, antigo treinador da Nigéria com qual venceu o Afrobasket´2015, curiosamente diante de Angola na final, devolva a hegemonia que Angola perdeu ou está a perder a nível do continente Africano.
Entretanto, a grande questão é: qual é o real motivo por detrás dos insucessos da selecção nacional sénior masculina, nos últimos anos a nível do continente? Pelo que se observa, podemos concluir que pelo menos existem dois claros motivos.
Primeiro: o envelhecimento das melhores estrelas do nosso basquetebol, e o facto de não haver a devida sucessão, isto, no sentido ela por ela, em termos de qualidade técnica. Por exemplo: nos últimos 10 ou 15 anos perdemos vários craques da bola ao cesto, como Jean Jaques, Miguel Lutonda, Ângelo Vitoriano, Baduna, Victor de Carvalho, e muitos outros.
Em termos de qualidade técnica, não ganhamos pelo menos 20 por cento destas perdas, com todo o respeito que devo aos actuais jogadores que representam a selecção nacional, nos últimos anos.
Segundo: a evolução das outras selecções Africanas, e o facto de alguns países, como a Nigéria e a Tunísia estarem o olhar para o Afrobasket, como a oportunidades de seus jogadores aparecerem em grandes palcos Mundiais, o que não acontecia nos últimos anos.
Em minha modesta opinião, estes dois pressupostos são o calcanhar de Aquiles da selecção nacional sénior masculina de basquetebol. Para começar, Voigt não deve ter outra opção, senão recorrer ao grosso dos jogadores que perderam o último campeonato Africano.
Isto, implica dizer, que o actual treinador vai ter de encontrar muita perspicácia para fazer um trabalho de renovação com todas as cautelas, visto ter um teste difícil neste mês, no torneio que pode apurar o país para mais um Mundial que vai decorrer na China em 2019.
A julgar pelo nível das selecções que vão disputar o torneio, a saber o Marrocos que foi uma das selecções com o privilegio de desfeitear o nosso cinco nacional, no último Afrobasket, o Egipto que é simplesmente uma das melhores selecções de África, e a Republica Democrática do Congo que sonha bater o papão de África, pelo menos uma vez na vida, podemos antever que a tarefa vai ser difícil para os angolanos.
Entretanto, as credenciais de William Voigt, à priori, dão-nos indicativos de que o homem pode vir a ter sucesso na condução dos destinos da selecção nacional, pois, se não vejamos: tem 41 anos de idade, é de nacionalidade Norte Americana, que é a maior potência do basquetebol mundial.
Com uma passagem pela selecção da Noruega, como técnico - adjunto, antes de passar pela selecção da Nigéria, com a qual ganhou o Afrobasket´ 2015. Estes pequenos dados, são indicativos de que estamos diante de um individuo, que não é um paraquedista no mundo do basquetebol.
William Voigt é o quinto treinador estrangeiro a orientar a selecção nacional sénior masculina de basquetebol, depois de Moncho Lopez, Michel Gomez ( que foi o pior treinador que Angola já teve) Luís Magalhães, ganhou um título e Mário Palma que foi o técnico mais bem sucedido ao comando do cinco nacional com quatro títulos africanos, encontra a selecção nacional na 15ª posição do Ranking da FIBA, e naturalmente a melhor de África, com 11 títulos na sua galeria.
Por si só, pode ser sinal de que o Norte Americano sabe que está diante de uma selecção de grande peso, e por isso, o grau de exigência não só da direcção como dos seus adeptos é equivalente à sua grandeza.
Voigt chega numa altura, que economicamente o pais não está bem, que naturalmente pode criar alguns entraves à execução do seu projecto, acredito que o homem está ciente da situação, podemos acreditar que estamos diante de um bom piloto. Agora, resta ver como vai montar a máquina para resgatar a mística do basquetebol angolano, em África. Augusto Fernandes

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