Jornal dos Desportos

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Opinio

Seleco com preparao humilhante

08 de Junho, 2017
A Selecção Nacional de futebol, Palancas Negras, está a preparar em Portugal para a primeira jornada do Grupo J de acesso ao CAN dos Camarões em 2019, enfreta várias vicissitudes por falta de dinheiro.O onze angolano deslocou-se às terras de Camões para a sua preparação técnica, física e psicológica. Posto no local, a FAF “descobriu” que não tem condições para fazê-la da melhor forma.

Assim, a selecção principal de Angola teve de limitar-se a treinar com uma equipa da terceira divisão, cujo nome até agora não consegui reter, de tão desconhecida ser do público angolano e não só, e o segundo “aquecimento” (dizem ter sido jogo - treino) com os caçulinhas, perdão, com os juniores da Académica de Coimbra…!

Numa altura, em que as principais equipas de Portugal estão de férias, era previsível que a Selecção Nacional tivesse dificuldade de fazer testes de verdade, com equipas de primeira água. Tinha previsão de se fazer um jogo com Cabo Verde, mas foi abortado por falta de activos, para a deslocação do Porto para Lisboa!O nosso adversário do dia 10 do corrente, chama-se simplesmente Burkina Faso e vai jogar em casa, fez um jogo de preparação com o Chile que é o bi-campeão em título da Copa América.

Este pormenor não deve ser descurado, só por aqui vemos a diferença abismal que existe entre ambas as federações no que concerne à seriedade que cada uma tem, para com o nome do seu país e da sua selecção.
Meus senhores, não nos esqueçamos, quer queiramos quer não, em termos desportivos todos se revêem na situação em nome do país. Por mais que se finja não estar lá, no fundo, acaba-se por sentir o efeito, seja positivo ou negativo.
Sinceramente! Em pleno século 21, como é possível que a direcção da Federação Angolana de Futebol comete o humilhante erro de expôr publicamente o grau de pobreza do país? Psicologicamente, é um grande activo para o adversário, até para os que gostam dos jogos fora das quatro linhas.

Não nos esqueçamos que em tempo de guerra, não se deve expor as fraquezas, porque o \"inimigo\" (leia-se adversário) tira proveito da informação para desestabilizar as nossas forças, e consequentemente, “arranjar” o caminho para uma estrondosa vitória do \"inimigo\". Será que não existem no país instituições públicas ou pessoas singulares com dinheiro, capazes de dar um empurrãozinho à equipa de todos nós?

Neste país, temos individualidades que se dão ao luxo de serem empresários da juventude, de misses e de outros eventos com menos interesse nacional, ou seja, onde a maioria não se revê. É verdade que o país vive uma crise financeira. Não estamos tão desgraçados que não possamos oferecer condições dignas de trabalho e alojamento aos nossos representantes numa prova continental, embora, a intenção principal não seja a de chegar à fase final do CAN dos Camarões em 2019, segundo a direcção da FAF, mas construir uma equipa que nos represente dignamente.

Para esta empreitada, a equipa de Artur Almeida e Silva preparou-se ou devia, antes de avançar para esta campanha. Por isso, é inadmissível que a selecção principal (mesmo que não fosse) de Angola, não se prepare convenientemente, por indisponibilidade financeira.A ser assim, e porque a FAF conhece melhor do que ninguém a sua realidade financeira, era conveniente manter a equipa no país e com mistos de jogadores de equipas, como Petro de Luanda, 1º de Agosto, Kabuscorp do Palanca, Sagrada Esperança e outras, para fazer testes a doer do que estes dois “aquecimentos” que fizeram em terras lusas.Temos de admitir, que não é fácil gerir uma Federação, com os passivos que a FAF tem.

Os actuais gestores do órgão reitor do nosso futebol estão aí, por vontade própria. Além disso, ao longo da campanha que os conduziu ao cargo, deixaram bem claro que estavam cientes das dificuldades que iam encontrar na gestão da casa do futebol angolano.Por isso, não haja lamentações. Além disso, o Ministério da Juventude e Desportos dá à FAF a fatia que cabe em função da situação financeira do país, segundo o ministro Albino da Conceição José, fica o resto sob responsabilidade da direcção da FAF, conforme prometido pelo seu líder.

Portanto, apesar dos azedumes, acreditamos que não obstante a vergonhosa preparação que os nossos representantes tiveram em Portugal, o técnico Beto Bianchi incuta na mente dos jogadores um espírito do “faz lá coragem camarada”, e façam um resultado positivo, apesar de que o adversário vive no tempo do “tratem-me bem e eu ganho”. Augusto Fernandes

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