Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Sempre iguais a ns mesmos

31 de Maio, 2018
Ponto prévio: errar é humano, mas insistir no erro já configura outra coisa. Esta é uma das lições que aprendi na escola da vida. Na verdade, expor debilidades, de forma reiterada, só reflecte a nossa incompetência e incapacidade de fazer as coisas com profissionalismo e sentido de organização. Infelizmente, neste quesito vamos nós na \"pole position\".
O nosso futebol, sem darmos por isso, vai perdendo o norte. Inclusive já foi realizada uma Conferência Nacional da modalidade, que permitisse as mentes pensantes reflectirem sobre o que estivesse mal, e se encontrarem soluções conjuntas e concertadas para se sair do marasmo, e abrir uma porta de saída para um clima mais sadio. Mas debalde.
Muitos justificam o mau estágio do futebol, a nível de selecções sobretudo, com a falta de um trabalho técnico de base, que devia, à partida, começar nos clubes. Outros há que associam a situação com a ausência de escolas especializadas à formação. Aceite-se que este factor tem, realmente, a sua influência. Mas, como estamos em termos de organização administrativa dentro das estruturas desportivas, é uma questão que se impõe.
Me parece não estarmos tão bem neste quesito. Porque se os técnicos abandonam as selecções, alegando falta de condições de trabalho, a culpa não pode, nem deve ser assacada à formação de base, mas sim a má gestão daqueles, cuja missão deve ser a de traçar políticas propensas à evolução e à competitividade das equipas, e que a páginas tantas acabam por se exonerar desta responsabilidade.
É certo que em tempo de crise financeira as limitações avultam. Mas isto não serve como subterfúgio para todas as enfermidades de que padece o nosso futebol. É que, escapa inclusive a sensação de que o futebol por cá morreu, foi enterrado e teve direito a um komba à medida do nosso ritual. Os clubes, alguns, ainda vão dando o ar da sua graça em competições africanas, mas a nível de selecções o revés é acentuado.
Se a saída de Hervé Renard dos Palancas Negras já foi um episódio vergonhoso, porque expôs na praça pública a desordem administrativa que grassa por aqui, sobretudo depois de o francês ter desatado à conquista de títulos africanos à frente de outras selecções, uma eventual saída de Srdjan Vasiljevic, por iguais razões, será o cúmulo.
E não aponto o dedo crítico apenas à direcção da FAF, mas a outros sectores com responsabilidades neste processo todo. Alguma coisa estará, certamente, enviesada. A crise financeira já não colhe. Agora, talvez sim, mas quando Hervé abalou para outra, o país ainda vivia a chamada era do boom do ouro negro, da bonança, se preferirem. Em que falhamos? A safra da Cosafa, pode decidir o futuro da lua-de-mel entre a FAF e Vasiljevic. Vamos aguardar..
MATIAS ADRIANO

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