Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Senhoras no dirigismo desportivo

05 de Janeiro, 2017
O ano de 2016 foi marcado por várias eleições nas diversas Federações que constituem o mosaico desportivo do país, com destaque para as Federações de Ténis de Mesa (FATM) e a de ciclismo (FACI). As eleições nas Federações acima referenciadas entram na lista de destaques, pelo facto de pela primeira vez desde a fundação, terem eleito uma mulher para dirigir os destinos daquelas instituições desportivas.

Demorou, mas chegou a vez do género merecer a confiança dos homens, para exercerem cargos de presidência em Federações desportivas. Antónia Simão Bernardo Ribeiro, foi a primeira mulher a ser eleita presidente de uma Federação Nacional, em Novembro do ano transacto. Foi uma eleição de consenso, e por isso, não teve concorrência. A família do Ténis de Mesa depositou total confiança na sua pessoa.

A presidente da FATM é casada, tem 47 anos de idade, elicenciada em Filosofia, rende no cargo o Dr. Filomeno Fortes, que de certeza continua a dar o suporte à nova direcção a julgar pela forma como todo o processo eleitoral decorreu. Assim, espera-se que a nova presidente, use todo o seu intelecto para dar mais oxigénio à modalidade, torná-la mais nacional pois a modalidade é praticada apenas em seis províncias.

Portanto, é intenção de Antónia Ribeiro levar o ténis de mesa para além das províncias de Luanda, Benguela, Huambo, Namibe, Huila e Moxico, apesar da crise económica que assola o país. Gostavamos de ver o ténis de mesa ser praticado nas escolas como acontecia na década de 80. Não nos esqueçamos que o desporto é um grande instrumento para manter os jovens longe dos maus caminhos.

Por isso, esperemos que a mulher forte da FATM evidencie esforços, para revolucionar a modalidade da qual é responsável. Não vai ser uma tarefa fácil. Antónia Ribeiro conta com o apoio de toda a família da FATM o que pode tornar a missão mais suave.

Na FACI, a escolha igualmente por consenso foi para Cremilde das Dores das Chagas Rangel, de 61 anos de idade, que foi vice -presidente para o ciclismo feminino, nos últimos três mandatos da direcção cessante. Cremilde Rangel, licenciada em Sociologia, substitui no cargo Diógenes de Oliveira que dirigiu a FACI de 2000 á 2016. Portanto, as duas indicações são motivos de destaques e entram na historia do desporto nacional.

A eleição de Cremilde Rangel é praticamente uma continuidade do projecto iniciado pelo seu antecessor, que de certeza absoluta continua a dar todo o apoio à nova presidente. A líder da FACI conta com o suporte de homens como Justiniano Araújo, que foi 13 vezes campeão nacional e demais membros da Federação, com vasta experiência no mundo do ciclismo além de contar também com o apoio de todas as Associações Províncias conectadas a FACI.

O grande objectivo de Cremilde Rangel é a massificar da modalidade, torná-la praticada em todo o território nacional, incentivar as mulheres a praticar a modalidade e manter regular a volta a Angola. Além disso, espera-se que a líder da FACI faça algumas inovações, como criar escolas de ciclismo, alargar o numero de praticantes, e de equipas a nível nacional , aumentar o número de provas, anualmente, e assim por diante.

Cremilde Rangel tem a vantagem de ter estado próxima da anterior direcção, durante cerca de 12 anos, e com isso está em condições de fazer uma gestão melhor do que a do seu antecessor, porque aprendeu duplamente: com os erros e as virtudes da anterior direcção.

Assim, a nova condutora do ciclismo angolano tem alguma vantagem para dirigir sem muitas dificuldades, pois o tempo e a experiência adquiridas dão-lhe equilíbrio para pedalar sem muitos problemas.
Augusto Fernandes

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