Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Sentimento do dever cumprido

01 de Fevereiro, 2018
Os Palancas Negras regressaram a casa mais cedo do que os angolanos desejavam. Quis o destino que assim fosse, para desalento dos jogadores, da equipa técnica e da própria direcção da FAF, que apesar do seu amadorismo pretendia que a Selecção Nacional chegasse mais longe, para lograr os seus benefícios.
Na previsão que fiz neste espaço, sobre o poderia ser a participação dos Palancas Negras, disse que acreditava na possibilidade de chegarem à final, como aconteceu em 2011 no Sudão.
Como homem de fé que sempre fui, acreditei no sucesso da nossa Selecção Nacional. Adverti, entretanto, para a importância do primeiro jogo. Depois do empate no jogo com o Burkina Faso e da vitória sobre os Camarões na jornada seguinte, reforcei a minha convicção.
Contudo, não passamos dos “quartos”, porque não fomos capazes de ultrapassar a selecção da Nigéria que acreditou sempre em si, mesmo quando em desvantagem no marcador. O golo do empate, marcado no período de compensação, reflecte bem isso.
No prolongamento, pouco ou nada fizemos para lograr o passe para as “meias”, permitimos que os nigerianos marcassem o segundo golo e se mantivessem em prova, empurrando-nos para o regresso antecipada à casa.
Foi assim que nos despedimos do CHAN. Não com uma vitória, como todos os angolanos acreditavam, mas com exibição morna e típica de Angola. Óptimos a fintar e a fazer malabarismos com a bola, contudo, péssimos a finalizar.
Antes da Nigéria marcar o golo do empate no período de acréscimos, Fofo e Mano Calesso tiveram excelentes oportunidades de “fecharem o caixão” . Os nossos atacantes passaram ao lado do jogo, situação que a Nigéria aproveitou para chegar ao empate e levar o jogo ao prolongamento.
Este conjunto de circunstâncias é tão rico, que oferece oportunidade para duas reflexões sobre o que desejamos para os Palancas Negras, e outra sobre a superação administrativa e o amadorismo que se verifica na actual direcção da FAF.
O que salta à vista desde logo, é uma vez o enorme potencial humano que existe nas nossas equipas, a centelha de esperança de que as forças que promovem o desporto e o futebol em particular possam vencer e ultrapassar desavenças que ainda existam.
A convicção de que Angola teve uma participação positiva no CHAN, é praticamente unânime. Todavia, para o futuro interessa reter uma ideia: esta campanha podia ser muito melhor, se o órgão reitor do nosso futebol criasse as condições mínimas exigidas. E, por aquilo que deu para ver, a equipa tinha condições para chegar mais longe.
Definindo como excepção o jogo de abertura com o Burkina Faso, em que a equipa não se apresentou visivelmente nos limites, talvez pelo pouco tempo de preparação e pelo facto do técnico não conhecer a realidade do nosso futebol, o melhor exemplo para a avaliação da capacidade nacional talvez fosse o jogo com os Camarões, que nos catapultou para os quartos de final.
Aí, num confronto equilibrado, os Palancas Negras tiveram períodos de domínio, oportunidade de mais remates e posse de bola, perante o cinismo dos camaroneses que bem podiam ter sofrido mais golos.No confronto dos “quartos” diante da Nigéria, os nossos atacantes estiveram em dia não. Fartaram-se de falhar. Podiam matar o jogo antes do período de compensação. Não foram eficazes, daí ficar a ideia de que a equipa nacional morreu na praia, assinou um bom desempenho mas podia fazer mais.Fofo não esteve no seu melhor, Mano Calesso só se viu num remate às malhas laterais, e Job foi substituído quando não devia. Estes factos aguçam a convicção de que a Selecção Nacional caso estivesse perto da perfeição, podia ser ainda mais perfeita. E, se o fosse, podia estar ainda no Reino de Marrocos e ter oportunidade de chegar à final, como aconteceu contra todas as previsões em 2011 no Sudão.
Para o futuro fica a exigência de manter o nível, e resolver os problemas que marcaram esta odisseia.
POLICARPO DA ROSA

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