Jornal dos Desportos

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Opinio

Sentimento do dever cumprido na Tanznia

27 de Abril, 2019
Depois dos apuramentos inéditos para as fases finais dos Campeonatos do Mundo de Sub-20 na Argentina (em 2002) e de Honras na Alemanha (2006), respectivamente, o futebol angolano vai voltar a marcar presença numa grande cimeira à escala planetária. Desta vez, as honras cabem à Selecção Nacional de Sub-17, que se qualificou para o Mundial deste ano a ter lugar no Brasil, entre Setembro e Outubro próximos.
O feito foi alcançado com a qualificação do conjunto às meias-finais da edição do Campeonato Africano das Nações (CAN) de Sub17, que decorre em Dar-es-Salam, Tanzânia , que cerra as cortinas amanhã ,com a final entre a Guiné Conacry e Camarões.Os dois conjuntos reeditam, assim, o duelo do primeiro turno desta cimeira de futebol continental, em que estiveram no Grupo B, depois de afastarem nas meias-finais, quarta-feira, a campeã mundial Nigéria e Angola, curiosamente na lotaria dos penálties.Depois do persistente empate nulo verificados no final dos 90 minutos de ambos os desafios, a selecção guineense impôs-se sobre a similar nigeriana com uma vitória de 10-9, após um 5-5 na primeira ronda da série de grandes penalidades, ao passo que a turma angolana perdeu para a camaronesa por 3-4.
Ambos jogos foram disputadíssimos.Angola que em Dar-es-Salam confirmou a sua quarta presença num CAN, depois de competir nas fases finais de 1997 (no Botswana), 1999 (Guiné Conacry) e de 2017 (Gabão), respectivamente, bateu-se de forma honrosa com os seus oponentes na prova.
O conjunto às ordens do português Pedro Gonçalves logrou um triunfo com sabor redobrado na última ronda da primeira fase, ao vencer por 4-2 a anfitriã Tanzânia no jogo válido para o Grupo B, que lhe permitiu, então, disputar as meias-finais e apurar-se simultaneamente para o Mundial. Foi uma vitória construída com arte e engenho.
O combinado angolano de Sub-17 provou por A+B o momento ascendente que vem evidenciando no seu futebol. Aliás, Angola havia dado já um sério aviso à concorrência com a conquista em 2018, em Belle Vue, nas Ilhas Maurícias, da Taça COSAFA, com a equipa nacional do referido escalão. Apesar de não lograrem a qualificação inédita à final deste CAN de Dar-es-Salam Angola patenteou um futebol vistoso e digno de realce. Frente aos Camarões a equipa jogou o que pôde e tendo, inclusive, criado as melhores oportunidades para visar a baliza adversária, com a mais flagrante destas a acontecer aos 89 minutos, quando David, num lance em que se isolou, mas não conseguiu bater o “keeper” camaronês.
Na lotaria das grandes penalidades, a sorte acompanhou a selecção dos Camarões, que acertou nas quatro primeiras tentativas e ao passo que a de Angola em apenas três. Na marcação do quinto penálti, o jogador angolano indicado, para o efeito, voltou a claudicar, não havendo daí mais a necessidade de a equipa adversária transformar o que lhe era reservado, garantindo daí a qualificação para a final deste domingo.
Ainda assim, deve-se reconhecer que os nossos bravos rapazes foram briosos. É verdade. Com duas vitórias e uma derrota na primeira etapa, a Selecção Nacional de Sub-17 logrou a inédita qualificação às meias-finais de um CAN da categoria.
O conjunto começou com um triunfo na ronda inaugural do Grupo A sobre a congénere do Uganda por 1-0, depois perdeu para a campeã mundial, Nigéria, na segunda pelo mesmo ‘score’. Depois, no último sábado, fez o que lhe competia, batendo a equipa da casa por 4-2, num duelo em que além de garantir a qualificação às semi-finais deste CAN, com se disse, garantiu, ainda, em antecipação, o passe para o Mundial deste ano.
Importa frisar que mesmo na derrota diante dos nigerianos, na segunda jornada, os pupilos de Pedro Gonçalves evidenciaram grande postura, dando uma excelente réplica aos oponentes e vai, daí, que se no final dos 90 minutos regulamentares o desafio terminasse empatado, não seria algo de surpreender. Hoje, no jogo de atribuiçãodo terceiro lugar, frente a este mesmo adversário, os Palanquinhas devem bater-se, igualmente, com dignidade, e, quiçá ocupar o último lugar do pódio, que dá acesso à medalha de bronze.
Por isso mesmo, é inequívoco que Angola carimbou o passaporte para a fase final do Campeonato do Mundo, que se disputa no Brasil de 17 de Setembro a 5 de Outubro deste ano, com todo mérito e sem precisar favores de quem quer que seja.
Independentemente do que venha a ocorrer no jogo das classificativas do terceiro e quarto lugares, no cômputo geral a Selecção Nacional de Sub-17 já cumpriu o seu objectivo e sai deste CAN com sentimento de dever cumprido. Agora resta esperar, então, pelo hastear da Bandeira Nacional na grande cimeira que vai acontecer nas Terras do Samba. Até lá venha o que vier para os nossos Palanquinhas!!!... Sérgio V.Dias

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