Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Ser que maka est na falta de profissionalizao na gesto desportiva nacional?

27 de Novembro, 2017
Cada ano que passa, tem-se a sensação real ou oficial, de que o desporto nacional ao invés de estar em “Queda Livre”, como defende a maioria dos amantes do desporto, em minha opinião e de uns poucos que convergem comigo em assuntos relacionados ao métier desportivo, o desporto nacional está numa autêntica “Roda Livre”.
Entenda-se por “Roda Livre”, terminologia frequentemente usada na área da mecânica, como um sistema de transmissão de movimentos, em que uma roda só é impulsionada num sentido, mas que pode livremente rodar em sentido contrário.
Será que para si, caro (a) leitor (a) são precisas mais explicações?
Trago para o artigo de hoje esta reflexão, para ser levada em consideração por quem de direito, por que nos dias de hoje, o conceito de gestão desportiva incorporou-se no conhecimento académico e é transversal a todas modalidades desportivas, desde o quesito desportivo, técnico, competitivo e administrativo de qualquer instituição desportiva, ou com quem com ela se relaciona e leva os acontecimentos que nos últimos tempos caracterizam o ambiente desportivo nacional, que verdade se diga, vai de mal a pior, fica-se com a (in)feliz sensação de que ainda temos de “comer muita mandioca”, para compreender o que é a gestão desportiva.
A definição contemporânea e básica de gestão desportiva, é conseguir as coisas executadas por intermédio de pessoas e com elas, via planeamento, organização, direcção e avaliação (controlo).
Com base nesse argumento, pergunto-me frequentemente, e aproveito estender a pergunta ao caro (a) leitor (a): será que na nossa realidade desportiva, encontramos mais semelhanças ou diferenças, de acordo com a definição acima apresentada?
O pior de tudo, e que causa estranheza e revolta, a quem é amante do desporto nacional como eu, não é necessariamente a incapacidade dos dirigentes desportivos virem a público, explicarem de forma muito atordoada e atabalhoada muitos dos casos e factos, que ocorrem no desporto nacional e que a todos nós nos atormentam, e nos tiram o sono!
É sobretudo, a atitude descompassada, descomprometida e irresponsável, que banaliza e descredibiliza a imagem do nosso desporto, por parte de quem tem como responsabilidade primeira, zelar pela imagem, notoriedade e visibilidade.
Chega-se muitas vezes, a apresentarem desculpas “esfarrapadas”que chegam ao limite de roçar o surrealismo, para poderem explicar o inexplicável. Ou, simplesmente, para não explicarem o que quer que seja!
E, ao que parece, a procissão ainda vai no adro, a julgar pelas cenas de capítulos inconvenientes a que assistimos e por assistir, que para nós apreciadores atentos e atenciosos da “(in) desejável telenovela”, resta-nos por enquanto, só e apenas, continuar a ver de tudo um pouco, desde regras com (poucas) excepções e excepções com (muitas) regras!
Creio eu, que mais do que uma declaração de intenções, porque como popularmente se diz, que de boas intenções o inferno está a rebentar pelas costuras, cabe ao Governo conduzido pelo actual Presidente da República, estar mais determinado em “Corrigir o que está mal”, do que “Melhorar o que está bem”, no actual modelo de gestão e dirigismo desportivo nacional!
Muito mais pelo sim, do que pelo não, se há algum consenso e unanimidade sobre o desporto nacional, é a falta de profissionalismo (e quiçá de formação e qualificação) na gestão desportiva nacional, pelo facto de ao longo destes 42 anos de existência da Nação angolana, devido a características especiais que o país viveu em determinadas fases da sua história, viu-se estruturado de um modo muito desarticulado e muito dependente da política, com pessoas envolvidas e muito mais ligadas a política do que ao desporto, cometeram-se erros que não precisamos de enumerar, pois, eles são visíveis a todos os que têm uma consciência honesta, deixando o actual modelo estrutural do sistema desportivo nacional, vulnerável a riscos de sustentabilidade, e mesmo de existência, como defendem alguns especialistas tidos como “mensageiros do apocalipse”.
Conhecidas que são as fraquezas e indolências do actual formato desportivo nacional, no que diz respeito à gestão (que ainda está em vigor), e reconhecidas que com as actuais condições difíceis financeiras e económicas, que exigem fazer mais com o menos disponível, nós (o comité de organização dos fóruns marketing desportivo), e tantos outros que se revêem nos objectivos claros e transparentes, e nas linhas orientadoras assertivas e dinâmicas do nosso projecto, acreditamos estar numa posição razoável, de lado a lado com o Executivo dirigido pelo Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço, introduzir muitas melhorias para atingir níveis mundialmente aceitáveis, no tocante à gestão desportiva, embora, cientes de que isso possa levar o seu tempo!
Afinal, nem Roma e tão pouco Pavia, foram feitos em um dia!
* Mentor e Gestor
do Fórum Marketing Desportivo

Nzongo Bernardo dos Santos |*

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