Jornal dos Desportos

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Opinio

Ser que falta humildade?

20 de Junho, 2019
O texto que escrevi para este mesmo espaço, na semana passada, terminou com uma espécie de apelo à união em torno dos Palancas Negras, em função das ocorrências que perturbavam a preparação da equipa nacional, que foi ao extremo de provocar a ira dos jogadores que decidiram por uma “greve”, ainda que de curta duração, teve as suas consequências.
Dizia, na altura, “(…) por ser conhecida a capacidade de resiliência dos angolanos, estamos em crer que melhores dias virão e que os compatriotas, Tony Cabaça, Isaac, Massunguna, Paizo, Djalma, Mateus Galiano, Gelson Dala & CIA, no momento que estiverem em campo, deixarão de fora todas as diatribes à que estão expostos e, em nome da Pátria mãe angolana, irão realizar um bom Campeonato Africano das Nações (CAN), e o resto será discutido em tempo e fórum adequados”.
Este desejo se mantém, pois o que no fundo todos auguramos, é que os Palancas Negras realizem exibições de encher os olhos, como se diz na gíria desportiva e, por conseguinte conquistem, na plenitude, todos os pontos em disputa, que ao ocorrer, resultará na consagração da equipa nacional como campeã africana de futebol sénior masculino! E sonhar não é crime tão pouco se paga.
Não seria mal nenhum se o meu e o desejo dos outros, quando manifestados em qualquer meio de comunicação social, ganhassem o condão de um discurso motivador e deles ser extraído o que concorre para o melhor que se pretende, como alegria colectiva.
Mas, parece-me que esta intenção não encontra acolhimento por parte da direcção da FAF, que se apresenta como sendo ela própria, um adversário dos Palancas Negras, dado o avolumar de erros que comete, sobretudo neste percurso rumo ao CAN que se avizinha. A guisa de fundamentação do que se encerra no parágrafo imediatamente precedente a este, recordo os pronunciamentos do presidente de direcção do órgão reitor do futebol angolano, que no fervilhar das “makas” no estágio, ao tentar justificar as falhas, tratou de baptizar alguns jornalistas de “antipatriotas”.
Estranha-me, portanto, o silêncio do Sindicato dos Jornalistas Angolanos, sobretudo na pessoa do seu presidente, Teixeira Cândido, que perante tão deselegante pronunciamento não se manifestou.
É propositada a referência ao Teixeira Cândido, não só pela relação privilegiada que temos de outras paragens e actos, mas até por ser conhecida a forma acutilante, perspicaz e frontal na abordagem das questões em que a honra e o bom nome da classe são colocados na lama. A não ser, e deve ser aqui que reside a razão do silêncio, que o assunto não lhe terá chegado ao conhecimento em tempo oportuno para a devida reacção, bem ao seu jeito destemido mas sempre como alguma proficuidade no que a classe precisa, e apenas isso, ser bem tratada.
Porém, entre as questões que vão da recusa dos jogadores treinarem às tentativas de justificações e acusações, a verdade nua, dura e crua é que a selecção, não goza da estabilidade psico-emocional que, por esta altura, já no palco da competição, devia desfrutar. E para provar que as acusações de antipatriotismo em nada se encaixam à classe jornalística, estão os problemas, desde os administrativos aos de campo, que os Palancas enfrentam no Egipto, sem que algum deles fosse de responsabilidade de qualquer operador do jornalismo.
Importa realçar, aliás também o disse no texto da semana passada, que a FAF, em particular o seu presidente de direcção, deve procurar ser mais pragmática e perceber que o futebol de alta competição vai muito para lá do que acontece no rectângulo do jogo, que até nem sempre é o corolário do que se “cozinha” administrativamente.
Falta, porém, alguma humildade por parte da direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF), que não perderia nada em beber da experiência das pessoas que em matéria de organização e participação em provas do género têm lições apuradas para dar, a exemplo de Armando Machado, Justino Fernandes e Pedro Neto, só para citar ex presidentes da FAF, que juntos, levaram os Palancas Negras em oito edições do CAN, sem querermos contar o Mundial de 2006. Então, falta humildade. Carlos Calongo

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