Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Sinal de combate corrupo

16 de Junho, 2017
Nem tudo vai mal no reino de Artur Almeida. Depois do desânimo pela forma pouco digna como as selecções nacionais prepararam os respectivos compromissos, esta semana tivemos um sinal que de certo pode animar as expectativa de quem muito espera dessa direcção.

O Conselho Central de Árbitro, pelo seu próprio pé, decidiu publicitar as sanções aos árbitros, homenageando desse modo o princípio da igualdade de tratamento. Como se sabe, os jogadores, técnicos e dirigentes têm visto publicado os seus castigos, por quaisquer infracções que cometam,. Os árbitros, como que virgens, nunca aceitaram adoptar o tal procedimento, o que transmitia a ideia de que os conselhos de árbitros compactuavam com a postura dos seus colaboradores. Postura que não poucas vezes decidiu o título da maior competição futebolística nacional.

A equipa de Jorge Mário Fernandes e Inácio Cândido decidiu despir a burka dos árbitros, publicitando os sancionados. É, quanto a mim, um primeiro sinal no caminho do combate a corrupção no futebol. É certo que há dois lados da moeda, a cara são sem dúvidas os clubes e a coroa dos árbitros. Porém, acontece a corrupção porque a coroa aceita a oferta da cara, pelo que não podem os árbitros acharem que são menos responsáveis pelo fenómeno.

Dizia que pode ser um primeiro sinal, por acreditar ser capaz de inibir a actuação dos árbitros, a menos que esses estejam vacinados contra isso.
Dito por outras palavras a menos que muitos não velem pela sua reputação nem desejem proteger a sua honra, já que se diz que o dinheiro tudo pode. Se existir alguns que queiram proteger as respectivas honras, acreditamos que tudo farão para evitar constarem dessa lista.

É importante considerar que são punidos apenas árbitros cuja actuação o Conselho Central entenda que seja evitável, ou à altura da sua capacidade. Todas outras que entram no âmbito da falta de vontade do árbitro para tal, essa não, por isso, felicitamos esse exercício que o Conselho Central de Árbitros ensaia.

Era bom que houvesse um outro mecanismo para sancionar igualmente os clubes, porque a origem do problema está nos clubes, são esses como disse um dia Jorge Mário Fernandes que têm orçamento para oferecer aos árbitros, e seria bom que também o Conselho de Disciplina interagisse mais com o Ministério Público, ainda que não haja muita confiança que ela seja capaz de fazer alguma coisa. Tem havido situações que o obriguem a agir, mas sempre assobiou de lado, como se fosse responsabilidade alheia.

Um dos exemplos foi a morte dos adeptos no Uíje, que ao que nos parece será um assunto que irá ao encontro de outros debaixo do tapete. É lá onde o Ministério Público coloca situações dessa natureza, como outras mortes que ocorreram no campo da Académica do Lobito.

Ainda assim vale apena, mesmo sabendo que poderão não tungir nem mungir, pois enquanto for competência do Ministério Público o impulso processual em crimes públicos, achamos que o Conselho de Disciplina da Federação Angolana de Futebol devia acenar o Ministério Público, repito apesar da sua surdez aguda para essas situações.

Vide o que está acontecer em Portugal, bastaram denúncias sobre a conduta dos dirigentes do Benfica de Lisboa, que o Ministério Público acendeu logo as luzes vermelhas, entrou em campo, e está investigar para apurar que matéria existe, e se é susceptível de constituir um indício criminal. Portanto, aprendemos quase tudo com eles, qualquer legislação é sempre filho português, mas na hora da prática é assobiar por todos os lados. Mas como se diz que vale apenas morrer a tentar, do que carregar a culpa de nada fazer.
Teixeira Cândido

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