Jornal dos Desportos

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Opinio
por Morais Canmua

So Silvestre marca

09 de Dezembro, 2017
A corrida pedestre denominada São Silvestre que a cada final de ano, precisamente nos últimos dias de Dezembro, sai às ruas de Luanda é uma enorme marca para relançarmos as nossas competências desportivas em todas as vertentes.
Para lá de ser um palco onde se juntam inúmeras sensibilidades competitivas, no que ao atletismo diz respeito, quer os da alta competição como os da alta recreacção, na verdade, a corrida pedestre São Silvestre assume-se à partida, como um grande cartaz que pode catapultar outras valências e possibilitar inclusive que se relance a modalidade de atletismo, que tem história a preservar e substancial peso, no cômputo do desporto nacional.
Mesmo que, por vezes o carácter da evolução da corrida seja amplo, abrindo o leque de participação às famílias e à pessoas que, a título individual encaram a mesma para se divertirem, manterem a forma, mostrarem aos outros que se são capazes tendo como fim único a preservação da mente sã em corpo são; há no fundo o aspecto competitivo salvaguardado pela própria Federação que organiza e que ao longo dos tempos foi capitalizando e privilegiando este aspecto.
Infelizmente, nos últimos tempos, mergulhados numa crise financeira sem precedentes, o desporto angolano vem pagando uma factura bastante pesada e, obviamente o atletismo não fica de parte. Muito se pode dizer em relação à isso, desde a falta de parcimónia que se assistia antes, até aos parcos investimentos que vemos. Indo ainda mais além, pode-se espreitar a falta de pistas de tartan e a degradação de infraestruturas que custaram imensos dinheiros públicos para as erguer.
Portanto, o problema não está isolado. Torna-se necessário, por isso, procurarmos ver a floresta e não apenas um imbondeiro isolado.
Voltando a São Silvestre, mete dó hoje assistir a Federação da modalidade pedinchando apoios para sustentar uma corrida que, em muito o País ganhou e pode continuar a ganhar. Hoje, a fatia que o Estado confere naturalmente não chega. Há que se entender que este valor, seja ele qual for, tendo como referência o orçamento global, deve ser complementado por outras acções de angariamento que o órgão federativo deve desencadear. Deve ir a busca de patrocínios, incentivar os clubes para “de per si” sustentarem a vinda de atletas renomados, deve estimular os aspectos de marketing desportivo para conferir credibilidade e confiança à quem irá colocar o seu valor em jogo e convencer os mesmos patrocinadores de que, ganham sempre algum, seja por meio da notoriedade, da publicidade e por via disso, da visibilidade da marca, etc., etc.
Noutras paragens acontece a mesmíssima coisa. É necessário mais acutilância. Não é aceitável que a nossa São Silvestre que já foi, a seguir a do Brasil, a segunda melhor do mundo, esteja hoje literalmente de rastos. Não pode!
Os interesses do País estão acima dos interesses pessoais. Tudo isso surge no facto de, na maioria das vezes, sempre que se cumprem os ciclos olímpicos com a consequente realização de eleições nas Federações desportivas, o elenco entrante manifesta-se órfão, hostilizado e muitas vezes marginalizado por indivíduos que não se revendo na lista vencedora, rompem o vínculo, provocando deste modo divisão na família da modalidade. Os que entram, assumem o passivo e, na maioria das vezes bastante altos, perigando por isso, todo um processo de reajuste e gestão de continuidade. Na Federação Angolana de Atletismo foi precisamente isso que sucedeu quando o actual elenco iniciou o seu consulado.
Meus senhores, a família do atletismo angolano é das maiores e com grandes referências nacionais. E mais, Angola tem potencialidades natas. A Huíla e Huambo, por exemplo, são potenciais na especialidade de fundo e meio-fundo. Lembram-se os casos de Aurélio Mity, João Ntyamba, Arnaldo Kachiunha, Augusto Diogo “Seco”, Ana Isabel Elias, João Carvalho, Eugênio Catombi, Gaudêncio Hamelay, Rosa Tomás, Antónia Margareth, Pedro Dala, Cambilo Vingunga, Paulo Kintique, José Dala, Leontina Madalena, Teresa Tchiculile, entre outros que, nos primórdios sob a batuta de técnicos como Miguel Doxiano, Dorito, Ângelo Amado e outros, possibilitaram que, desses houvesse continuidade e surgissem valores como Avelino Dumbo, Joaquim Chamane, António Manuel só para citar alguns que, ao longo dos anos, tiveram participações notáveis a nível da São Silvestre.
Ana Isabel Elias, a “gazela” do atletismo nacional, actualmente Presidente da Associação Provincial da modalidade na Huíla, onde desenvolve um notável trabalho, ousou vencer inclusive uma das edições para além de ter tido outras participações de vulto ao lado de diversas feras africanas, particularmente as do Kénia e da Etiópia. José Dala, outro huilano, venceu igualmente uma das edições, justificando que se pode apostar na prata da casa.
Paralelamente à isso, em tempos idos, angolanos como Joaquim Morais, Bernardo Manuel enfim e outros deram igualmente cartas nesta célebre corrida onde o etíope Berharnu Ghuirma brilhou por mais de duas vezes na década de 1980.

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