Jornal dos Desportos

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Opinio

So Silvestre para todas emoes

29 de Dezembro, 2018
É já ao cair da tarde da próxima segunda-feira, dia 31 de Dezembro, que sai mais uma vez às ruas da capital do nosso país, Luanda, a corrida pedestre de fim de ano, conhecida também por São Silvestre.
A prova faz disputar neste último dia do ano que se apresta a passar para história a sua 63ª edição e tal como nos últimos três últimos, ocorre num momento particularmente difícil, originada pela persistente baixa do preço do petróleo no mercado internacional.
Não obstante isso, esta corrida pedestre de fim de ano continua a ser hoje uma marca do atletismo nacional, não fosse a expectativa criada em seu torno. E, como não podia deixar de ser Luanda esmerou-se para neste dia 31 de Dezembro a nata do atletismo nacional e de outras latitudes do mundo estar reunida em torno desta grande festa.
Apelidada por muitos de Demóstenes de Almeida Cligthon, a corrida deste ano, tal como a de 2017, volta a contar com a presença de atletas do estrangeiro, depois de em 2016 testemunhar apenas a participação de fundistas angolanos.
O momento menos bom que o país enfrenta financeiramente, como se disse atrás, constituiu o grande calcanhar-de-Aquiles que originou esse aspecto. A situação arrasta-se desde os finais de 2015, mas ainda assim, a Federação Angolana de Atletismo tem procurado encontrar soluções para ultrapassar todas essas adversidades.
Estão, para o feito, confirmadas presenças de corredores da Zâmbia, Namíbia, África do Sul, Zimbabwe, Botswana, Quénia, Etiópia e Portugal, além de de Angola, que desfila neste certame na condição de anfitriã.
Os angolanos vem dando ao longo dos anos provas da sua grande capacidade de organização de eventos e, como é óbvio, com a São Silvestre de Luanda, as coisas não fogem à regra. Por isso, no dia 31 a festa do atletismo corre pelas ruas da capital.
Ao longo dos anos, esta corrida inscrita nas provas da Federação Internacional de Atletismo Amador (IAAF) e na Associação das Corridas de Maratonas e de Estradas a nível do mundo tem sido dominada por fundistas originários do estrangeiro.
Quénia, Eritreia e Etiópia, cujo atleta Berharnu Ghuirma notabilizou-se com várias consagrações nos idos anos de 80, têm sido dos países com créditos bem firmados nesta corrida pedestre de fim de ano, que vai testemunhar a sua 63ª edição, com já se frisou.
Em termos de conquistas de atletas nacionais, sobressaem nomes como os de antigos velocistas Isidro Louro, Joaquim Morais, Bernardo Manuel, João Ntyamba, Aurélio Mity, entre outros, a nível da classe masculinos. Ana Isabel, a chamada gazela do atletismo angolano, e Adelaide Machado, que triunfou nas edições de 2016 e de 2017, são dois dos nomes que podemos apontar na classe feminina.
Ainda no que se refere participação de fundistas nacionais nesta prova há outras nomes que merecem destaque e que ao longo destas 62 edições já disputadas da São Silvestre souberam ombrear com as chamadas feras do atletismo africano e mundial.
Apesar de um e outro contratempo, que são naturais em eventos do género, a Federação Angolana de Atlestismo (FAA), que tem à testa o antigo fundista Bernardo João, tem procurado encontrar soluções para contrapor a todas adversidades.
Uma destas, acredito plenamente, tem a ver com a atribuição de prémios aos vencedores das diferentes categorias, que nos anos constituiu um grande handicap.
Para esta 63ª edição da corrida pedestre de fim de ano a Federação conseguiu angariar patrocínios de algumas instituições, com realce para Chevron e o Banco de Fomento de Angola (BFA), respectivamente, o que permitiu arrecadar 35 mil dólares norte americanos, além dos 18 milhões de Kwanzas disponibilizados pelo Ministério da Juventude e Desportos (Minjud). Os prémios para os nacionais vão até ao 10º lugar.
O primeiro classificado vai receber 500 mil Kwanzas, o segundo 400 mil, o terceiro 300 mil e o décimo 15 mil. A premiação estende-se, também, aos atletas paralímpicos.
Já os veteranos, até ao oitavo lugar vão receber 30 mil Kwanzas de participação, enquanto o vencedor estrangeiros será agraciado com o valor monetário de 3 mil euros, o segundo 2 mil e o mil, designadamente.
É importante destacar, nesse particular, que desde o ano passado que corrida pedestre de fim de ano conheceu já uma inovação, como o surgimento da Feira de São Silvestre que acontece na Marginal de Luanda e onde a prova tem sido realizada.
Na mesma montra, em que se montam “kits” da competição, os parceiros da mesma, patrocinadores e outras agentes têm, aí, a oportunidade ímpar de expor as suas marcas. Por isso, mesmo esta corrida acaba por ter o condão de fazer casar a cultura nacional com a vertente turística, o que para já constitui uma mais-valia. Agora só resta aguardar pelo tiro de largada desta competição, na tarde de dia 31, na Mutamba.
Sérgio V.Dias

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