Jornal dos Desportos

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Opinio

Scio Palanca precisa-se

09 de Março, 2017
Um dos maiores problemas da Federação Angolana de Futebol (FAF) é a falta de dinheiro. No tempo de Justino Fernandes, por exemplo, ouvimo-lo dizer publicamente que a “ FAF anda de mãos estendidas.” Com esta declaração, o antigo presidente da FAF, que teve o mérito de colocar os Palancas Negras, no seu primeiro Mundial, em 2006 na Alemanha, pretendia dizer que a FAF encontrava-se na condição de pedinte.

Muito recentemente, no reinado de Pedro Neto, também ouvimo-lo dizer que a FAF tinha dívidas com os seus funcionários de vários meses de salários em atraso. Por exemplo, o ex seleccionador nacional Romeu Filémon foi despedido do comando técnico do onze nacional com mais de dez meses de salários em atraso.

Este problema na FAF é muito antigo e não é novidade para ninguém. Mas, a triste realidade é que nesta situação é impossível dar-se passos firmes rumo ao desenvolvimento do nosso futebol. Isto acontece porque o principal patrocinador do futebol angolano é o Estado e em algumas ocasiões , empresas renomadas dão o seu contributo financeiro em troca de publicidade, mas tal apoio pode ser retirado a qualquer momento.

Ao Estado cabe disponibilizar verbas para necessidades prioritárias, como a compra de equipamentos, construção de estádios, custear viagens e outras despesas de vulto. A direcção da FAF deve encontrar mecanismos para conseguir outras fontes de patrocínios para as demais necessidades da selecção.

Ora, se os funcionários da FAF ficam meses a fio em jejum o que dizer dos jogadores que representam a selecção nacional? Que motivação terá um jogador em representar as cores nacionais sabendo que no seu clube tem melhores condições ? Uma selecção nacional é um clube do Estado e consequentemente do povo do país que representa. Só por este facto seria de esperar que este clube fosse o mais organizado e estável em sentido financeiro e não só.

Por outro lado, o nível de exigência do público que apoia a selecção nacional é muito elevado, pois todos nós, independentemente da nossa condição social, religião, partido político, tribo e raça, nos revemos na Selecção Nacional. Como é possível que um clube como o 1º de Agosto, Libolo, Kabuscorp do Palanca e outros do nosso campeonato tenham melhores condições sociais que o clube que representa o Estado?

É verdade que a nível do mundo a tendência é esta. Por exemplo, só o Real Madrid, tem mais dinheiro que a selecção espanhola.
Mas o que pretendemos dizer é que a nossa equipa principal não pode continuar a andar de mãos estendidas.

Se os nossos clubes normalmente contam com o apoio de renomadas empresas como a Sonangol e outras, porque não se faz o mesmo com a Selecção Nacional? Se um clube como o 1º de Agosto, tem mais de 100 mil sócios e com isso uma saúde financeira boa, porque não fazer o mesmo com o clube de todos nós?

Pela força e capacidade de unir as pessoas que o futebol tem, acredito que dentre os cerca de 24 milhões de habitantes do país, os que tenham capacidade contributiva aceitariam do bom grado tornar-se sócio dos Palancas Negras.

Para que tal aconteça, a direcção da FAF deve trabalhar neste sentido, fazendo muita publicidade sobre o assunto, persuadindo as pessoas a ajudarem a selecção nacional a ter uma estabilidade financeira que possibilitasse a criação de melhores condições sociais para jogadores e não só, da Selecção Nacional.

Se pelo menos seis milhões de pessoas contribuírem com o mínimo de cem kwanzas mensalmente adicionado ao valor dos patrocínios quer do Estado quer de outras entidades então no mínimo a FAF deixaria de mendigar. Sim, se os clubes normais vivem de contribuições de seus sócios e outras, porque não fazer o mesmo com o clube de todos nós? Não custa nada experimentar. O mais importante é criar condições para entrada de dinheiro nos cofres da FAF.

Naturalmente, espera-se que tais prováveis valores sejam muito bem usados pelos gestores da FAF assim como fazem os clubes canalizando-os para as necessidades reais do pessoal como das infra-estruturas como por exemplo a manutenção dos estádios usados pela Selecção Nacional.

Neste artigo, falamos da selecção nacional de futebol por ser a de maior representação e que mais adeptos tem no país. Não pretendemos de maneira alguma ignorar as de mais federações como a de basquetebol e Andebol, cujas selecções têm dado muita alegria ao país. Assim, tendo em mente a crise financeira que assola o nosso país, os dirigentes das federações devem encontrar formas de obtenção de recursos financeiros, como a angariação de sócios para suportarem as necessidades sociais dos seus atletas.
Augusto Fernandes

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