Jornal dos Desportos

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Opinio

Sofrer para rir no fim

27 de Outubro, 2015
Os Palancas Negras deram mais uma prova da sua maturidade, ao qualificarem-se para a fase final do CHAN (competição para atletas que actuam em África), que tem lugar no Ruanda, entre os dias 16 de Janeiro e 07 de Fevereiro do próximo ano, depois de afastarem a selecção da África do Sul, por 3-2, no cômputo geral da última eliminatória de qualificação a referida competição.

A qualificação de Angola, a segunda, depois de em 2011, ter alcançado a medalha de prata, no Sudão, para além de evidenciar que os Palancas Negras de constituem uma selecção a ter em conta por quem que seja, demonstrou uma vez mais a sua maturidade competitiva, depois de num período não muito distante, ter estado quase desacreditada.

Mesmo que tenha passado por algumas dificuldades no confronto de sábado, próprias em situações do género, em função da pressão inicial dos visitantes e de algum nervosismo que se apoderou dos seus jogadores, a selecção angolana pautou-se por uma postura igual a si própria, fundamentalmente na etapa complementar, facto que confundiu a selecção sul-africana, constituída maioritariamente por jovens, e cujo treinador, no habitual jogo de palavras, em antevisão ao jogo, atirou a pressão para os seus ombros.

Não tendo feito uma exibição brilhante, em Luanda, o onze angolano foi letal, facto que começa a deixar os seus adversários a tremelicarem. Mesmo tendo perdido o segundo jogo, a qualificação à fase final do CHAN é algo heróico, se tivermos em linha de conta que a volta ao texto foi dada a partir da casa do adversário, que do ponto de vista morfológico impõe respeito a qualquer selecção do continente africano.
É de referir que no confronto de Luanda, os Palancas Negras tiveram que recorrer uma vez mais a sua extraordinária capacidade de sofrimento, principalmente na fase derradeira, em que depois de alcançarem o segundo golo, os visitantes criaram vários embaraços a sua defesa. Ao socorrer-me de alguns dados estatísticos, a selecção sul-africana constitui um conjunto algo perigoso quando joga fora de casa, onde, tal como aconteceu no passado sábado, costuma criar dificuldades aos seus adversários, seja ele quem for.

É assim que a qualificação dos angolanos para a segunda mais importante tribuna do futebol africano a nível de selecções nacionais, adquire mais importância, quanto mais não seja pelo facto de contribuir para que marquem uma posição inequívoca na competição que vai ter lugar no Ruanda, onde têm a obrigação moral e competitiva de lutar pelo primeiro lugar, em função da medalha de prata que alcançaram no Sudão, assim como das várias participações que têm tido nos CAN’s (campeonatos africanos para as selecções principais).

Além de moralizadora, a qualificação de Angola à fase final do CHAN, vai também ajudar a aumentar os níveis de confiança dos angolanos, em função de alguns deslizes que costumam cometer, quando complicam o que parece fácil. Esta proeza serve de antecâmara para o embate da eliminatória, zona África, de acessão à fase final do Campeonato do Mundo-2018, na Rússia, a ser protagonizado pelas selecções principais dos dois países, em Novembro próximo, com o jogo da primeira mão a acontecer no dia 13, no estádio de Ombaka, em Benguela, e o segundo, quatro dias depois, no estádio Moses Mabhida, na cidade de Durban.

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