Jornal dos Desportos

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Opinio

Solues no futebol precisam-se

18 de Novembro, 2017
Nos últimos dias, muito se tem falado acerca da saída do técnico Beto Bianchi, do comando dos Palancas Negras, e a manutenção no Petro de Luanda. Aliás, o alarido iguala ao que foi levantado aquando da “contratação” do referido treinador para a selecção nacional, em acumulação com a função de timoneiro dos tricolores.
Naturalmente, que a crítica desportiva, e de um modo geral a sociedade desportiva, reagiu. Uns de forma extrema, e outros, de maneira mais comedida e equilibrada. Hoje, o cenário é outro. Tudo voltou à primeira forma. Ou seja, Bianchi fica apenas e só no “seu” Petro de Luanda, o clube que o contratou e que paga os seus ordenados. Em consequência disso, a selecção nacional de futebol acaba de ficar “órfã”. Fica sem comando, deixa a direcção da FAF atarefada e estonteante, para em tempo apertado “descobrir” novo “pastor”, que seja tão “patriota” quanto foi Bianchi.
Claro, que acaba por ser este, o principal imbróglio da questão. Se por um lado, o Petro de Luanda, em função da demanda e dos objectivos resolve numa sentada a problemática do seu treinador, com a garantia de continuidade exclusiva nas suas hostes, por outro, ficam salvaguardadas todas as questões de progressão ambiciosa em busca da conquista da África do futebol, que de resto se pretende.
Porém, qual faca de dois gumes, Bianchi ao “abandonar o cavalo na travessia do rio”, fere os desígnios da FAF que terá exacerbado a satisfação e os galanteios aquando do anúncio do “empréstimo a curto prazo” do técnico ao onze nacional, a 8 de Março do corrente. O órgão reitor do futebol no país está “com as calças nas mãos”, à porta do CHAN de Marrocos e de outros compromissos de suma importância, nomeadamente, o apuramento para o próximo CAN. A obra que o hispano-brasileiro iniciou, fica a meio e sem hipóteses de ser concluída por ele.
Perante este imbróglio que se afigura urgente, é mister saber como a FAF vai sair - se dessa, dado o facto dos compromissos competitivos já no dobrar da esquina. Naturalmente, que saberão com que linhas se coser, mas os pronunciamentos do Presidente Artur Almeida e Silva deixam notar nas entrelinhas, tamanha tensão e responsabilidade, em função do momento em que a “ruptura” abrupta aconteceu. Acredito que não foram acauteladas as situações. Parece claro, que tenham sido apanhados em contra-mão. “Vamos procurar alternativas viáveis (…)” disse algo descrente há dias Artur de Almeida.
Bem vistas as coisas, mesmo no meio de deste palheiro, a FAF tem muito por onde escolher. Em função do momento menos bom, no capítulo financeiro que por si só quarta a possibilidade de contratar um seleccionador estrangeiro que não esteja em Angola, pode optar por um dos técnicos nacionais ou no mínimo, optar por uma comissão técnica se calhar com dois ou três categorizados profissionais “mwangolés”, para a “emergência” que se impõe. Assim, acho que podia resolver pelo menos, a chamada “operação -CHAN”.
Ao que se consta, Bianchi parece que deixou uma convocatória, em minha modesta opinião devia ser anulada (nem devia ser tornada pública) e elaborada outra que se enquadre na visão dos novos “inquilinos”.
Vem à tona, com maior relvo a questão CHAN. Será que o hispano-brasileiro, mesmo a levar “dois ossos” não podia ter permanecido até depois da disputa do CHAN?
É que do feitio como as coisas estão, ficam muito mais complicadas, se nos atermos ao facto de que o combinado nacional estava a ter uma filosofia própria no seu futebol, grande atitude e forma de jogar, à maneira da irreverência de Bianchi. Deste modo, fica difícil nesta mescla de tempo que separa até à efectivação da competição, “achar” um timoneiro que mantenha o figurino, como se sabe, cada um tem o seu e também a sua filosofia, forma de pensar e o tempo parece “padrasto” para esses acertos e concessões.
Julgo que ser difícil, mas não há obstáculos que não se transponham, aliás, ao longo da história do futebol nacional já tivemos às centenas, com maior ou menor esforço foram superados graças à determinação, sapiência, resiliência e estoicismo dos homens do futebol.
Com Bianchi ou sem Bianchi temos de continuar a defender a Bandeira do futebol. A seu tempo vamos ter o técnico que o combinado nacional merece. Fazer furor no CHAN e reconquistar o nosso posicionamento no CAN, afiguram-se como objectivos imediatos.
A nossa vontade, fé, crença e determinação podem superar até as dificuldades financeiras, que nos consomem e ameaçam todas as nossas apetências….
Vamos em frente!

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