Jornal dos Desportos

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Opinio

Somos todos culpados

04 de Dezembro, 2015
Não sendo embora o único coisa que retive, devo dizer que, até hoje, marcou-me profundamente a grande verdade dita no ano de 2005 por Amílcar Silva, no Encontro Nacional de Futebol: "Somos todos culpados da decadência do futebol angolano e, por isso, devemos nos reunir para encontrarmos as soluções", disse na altura esse respeitado dirigente que já passou pela presidência da Federação Angolana de Futebol.

O problema é que, passados já dez anos, continuamos todos a ser "culpados". E Porquê? Porque as terapias não surgem com eficiência a fim das nossas equipas e selecções crescerem e aparecem com grandes craques saídos da formação. Os agentes da modalidade só falam, comentam, sugerem, em fóruns privados e públicos, mas o desenvolvimento que se quer continua adiado.

Como é, por exemplo, que não "somos todos culpados" se ainda em Junho desta ano tivemos o Encontro Nacional de Futebol, no Palácio da Justiça, onde todos os oradores e moderados apelaram à primazia para as escolas e academias de formação para, destes "viveiros" serem forjados potenciais jogadores para os clubes federados e assim se limitar que as equipas tenham menos jogadores estrangeiros, mas - vejam só ! - na segunda feira passada vir a federação e os clubes acordarem que a partir de 14 de Fevereiro de 2016 o número de atletas expatriados deve sair de três para cinco?

Isto ilustra claramente que de facto "somos todos culpados. E tanto mais que vamos de contradição e contradição. Passo a me referir, desde já, aqui e agora, aos mais recentes. No seguimento da decisão de segunda-feira - essa mesma de se sair de três para cinco jogadores estrangeiros em campo - o presidente do Petro de Luanda, Tomás Faria, disse que se os clubes procuram investir em atletas com experiência é porque os jovens foram excluídos já que, para si, o modelo corrente não ajuda os jovens a fazerem parte das equipas principais. Paradoxalmente, este mesmo líder do clube petrolífero, assumia, em 2014, que em 2015 a sua equipa passaria apenas a contar com dois jogadores estrangeiros, como forma de valorizar mais os atletas formados no clube.

"Vamos ter apenas dois estrangeiros na nossa equipa, não apenas por questões financeiras, mas porque queremos valorizar mais os atletas formados no clube, como era no passado", disse na altura e todos nós ouvimos e tomámos boa nota. Da parte de um outro grade clube - me refiro ao 1º de Agosto - o presidente de direcção, Carlos Hendrick, garantia ainda 18 de Novembro passado, no campo Nicola Berardinelli, que o grande objectivo é a aposta na formação. "O nosso objectivo é começar bem a formação ", explicava também este. O Petro e o 1º de Agosto são os únicos na contradição? Não. Entre os "grandes", que também andam nas luzes da ribalta o discurso é o mesmo. No Kabuscorp do Palanca se dizia que haveria "porta aberta" para dois jogadores oriundos dos escalões de formação, Coca Cola e Medalha, para o plantel principal, mas nada disso foi concretizado.

No campeão Libolo, fala-se, há anos,da abertura de pólos de formação para o surgimentos de valores nacionais. Isso disse o presidente Rui Campos, disse também o director-geral Bruno Vicente, mas na prática, a aposta vai para o aumento de jogadores estrangeiros.

Na abertura do último campeonato nacional de Su-20, o presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Pedro Neto, reiterou a necessidade da apostar-se mais nos escalões de formação por parte da instituição que dirige e dos clubes, com vista a salvaguardar o futuro do futebol nacional, mas, contraditoriamente, viu-se o contrário na segunda-feira.
E, portanto, não "somos todos culpados"?...
ANTÓNIO FÉLIX

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