Jornal dos Desportos

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Opinio

Somos todos culpados da decadncia do futebol

19 de Julho, 2016
Ontem correu de boca em boca, e na midia também, que o 4 de Abril vai desistir do Girabola Zap. Isto é ou não sinal de desorganização? Por isso é que o que Joaquim Diniz disse agora sobre a necessidade de melhor organização não é já novidade porque figuras notáveis do nosso futebol - do presente e passado - e também em fóruns promovidos por instituições públicas e privadas ligadas a este jogo inteligente de pontapé à bola já falaram, discutiram e sugeriam melhorias que tardam a chegar.

E antes se prosseguir permitam-me uma pergunta: acham que, amigos leitores, que em melhor organização, sem forte aposta e gestão eficiente, excelente formação...será possível termos mais craques como Pedro Garcia, Lourenço, Julião Dias, Gomes, Alves, que eram jogadores do Benfica, Ângelo, Manecas Leitão, Capelo, Lutukuta, Dinis, Laurindo Salviano Magalhães e outros que estão na memória do futebol nacional do "bom tempo"?

Certa vez antes de ser o actual presidente do actual Conselho Técnico da Federação Angolana de Futebol, Nando Jordão, disse (e bem !) que "somos todos culpados da decadência do futebol angolano e, por isso, devemos reunir para encontrarmos soluções".

Ele teve razão. Ainda há onze anos, numa cimeira da modalidade, aqui mesmo no país, ficou claro que dada a pretensão do Governo conceber um plano de desenvolvimento de recuperação da economia a médio prazo ( e já passou este prazo) havia a necessidade da Federação Angolana de Futebol e os clubes prepararem também o desenvolvimento do nosso desporto-rei, mediante grupos de trabalhos especializados e, até, fazerem recuso de consultores externos, se fosse o caso.

Para isso era necessário procederem à uma inventariação e diagnóstico das situações grosseiras, como o que impedem haver mais campos relvados para as competições; a dignificação destes mesmos recintos; uma melhor gestão dos clubes; o reforço e consolidação da independência financeira das associações provinciais; a formação de agentes desportivos e, enfim, uma série de questões abrangentes que envolvem o futebol. Enfim, muitas soluções.

Porque, sendo o futebol uma manifestação festiva e cultural, este problema do (sub) desenvolvimento do nosso futebol mobiliza não só os agentes a ele directamente ligado, mas muitos angolanos, no país e fora de portas, isto é no estrangeiro. Costuma dar que falar.O problema é que uns dizem que o atraso do nosso futebol está no discurso de desculpas recorrentes de que há escassez de recursos financeiros e, então, por isso, não vai a lado algum. Não sei se é assim.

Ultimamente, tenho dado o exemplo do nosso país irmão Cabo Verde, pequeno se comparado a Angola em sentido de recurso, mas onde o futebol sendo uma paixão que envolve homens e mulheres tem resultados à vista de todos, com o ponto mais alto a ser revelado pela sua selecção nacional, os Tubarões. Isto é mentirá?

Mesmo que o antigo presidente da Federação Angolana de Futebol, Armando Machado, esteja a dizer num "spot" televisivo que se tivesse o dinheiro que o futebol movimenta agora poderia cantar como Pavarotti, sinal de que, pela sua experiência, em gestão e dirigismo desportivo, faria coisas melhores para o futebol..não se fico do seu lado ou se não.
Às vezes há disperdício de dinheiro no que observamos em certos clubes. Em muitos deles são pagos contratos, salários ou prémios melhores que em em certos clubes portugueses. Porquê que muitos jogadores daquele país e até treinadores, e ainda muitos africanos estão a vir a Angola, as vezes sem níveis equiparados aos nossos jogadores? Portanto, resumindo e concluindo:

1 - O que se passa é que se fazem eventos, aprovam-se documentos, estratégias, mas, depois não há fiscalização e a prática. A implementação não se verifica. Tem de haver e sancionar se melhor.

2 -Não pode haver falta de autoridade e falha de visão para o crescimento que costuma ser dissecada nos congressos ou encontros nacionais de futebol realizados pela federação e pelo Ministério da Juventude e Desportos.3 -Hoje muitos falam de organização e disciplina, mas sem soluções e como se sabe, só falar por falar não basta. Tem de se criar soluções para que, de facto, no capítulo prático, haja melhorias.4 - Apesar do que disse hoje aqui, acredito que há entidades que estão a dar os primeiros passos com um bom trabalho na formação. Como o que é visto no 1º de Agosto e na AFA.

António Félix

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