Jornal dos Desportos

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Opinio

Sorteio do Mundial ao CHAN sem tcnico

05 de Dezembro, 2017
Sem Girabola, a maior festa do nosso futebol, no último fim de semana, a minha atenção esteve virada aos acontecimentos na Europa futebolística, onde os destaques foram os clássicos jogados nos campeonatos português e inglês, marcados pelo Porto-Benfica e Arsenal- Manchester United, respectivamente.
Existem, de facto, razões várias para que angolanos, amantes do bom futebol como eu, dediquem especial atenção aos campeonatos e jogos atrás mencionados, sendo uma das mais fortes, a qualidade dos executantes que, consideramos, anda furos acima do que nos proporcionam os \"fazedores\" do futebol doméstico, sem que isso represente demérito ao que é nacional, nosso e gostamos.
Em relação ao campeonato português, as razões são ainda maiores, se considerarmos os laços que unem os povos daquele país do velho continente e os angolanos, cuja história cruzam-se em várias vertentes, fazendo-nos, em certos aspectos, povos com interesses comuns no que acontece em cada um dos citados países.
Não é por mero acaso que, durante algum tempo, certos angolanos, à esta altura, davam-se ao prazer de propositadamente assistir in loco aos jogos do calibre do que aqui referimos, ademais quando a separação de pontos (três), fosse um motivo para \"apimentar\" ainda mais o desafio.
Também podemos evocar razões de paixão de alguns angolanos que são tão elevadas ao ponto de tornarem-se sócios com quotas em dia e por via disso beneficiarem de lugar cativo quer no Dragão como na Luz, estádios das equipas em referências, que também já tiveram nos seus plantéis jogadores angolanos de boas referências.
E por que falamos em angolanos que desfilaram quer no Porto como no Benfica, remetemo-nos à memória de Abel Campos, Paulão, Akwá, Mantorras, Quinzinho, Djalma Campos, que desabrocharam o perfume do seu futebol por aquelas paragens onde acumularam experiência que revelou-se benéfica para a selecção nacional de Angola.
Neste particular, curiosamente todos os citados passaram pelos Palancas Negras, e alguns deles, como são os exemplos de Matorras e Akwá, chegaram mesmo a disputar o único Campeonato do Mundo em que os Palancas Negras marcaram presença, no caso, em 2006, na Alemanha.
E por que falamos em Mundial, o fim de semana também ficou marcado pela realização do sorteio da maior competição futebolística que no próximo ano de 2018, será disputado na Rússia, numa edição inédita em terras de Lénine, patrono da Revolução de Outubro e de Putin, actual Chefe de Estado, daquela potência mundial.
Com inovações no modelo de disputa, destaca-se a impossibilidade de não constar num mesmo grupo, mais de duas selecções do mesmo continente, pelo menos na primeira fase da prova, o que na opinião de alguns especialistas, fez com que não houvesse os chamados \"grupos da morte\".
Como não poderia deixar de ser, merece destaque o cruzamento entre Portugal Espanha, que pode ser considerado como \"el juego de irmanos\", que será uma verdadeira festa do espaço ibérico, recanto com bons executantes da bola e cujas referências dispensam apresentações.
Merece também referência o facto da Selecção da Itália não estar presente no referido Mundial, sendo uma ausência de vulto, a julgar pelo número de troféus que a Esquadra Zurra já conquistou, para além de ser um regalo de todo o agrado, ver jogar um dos melhores sistemas defensivos do mundo.
Finalmente, uma pincelada ao jogo de abertura que será entre a anfitriã Rússia e a Arábia Saudita, dois países sem muita tradição no futebol, que muitas vezes é valorizado mais pela quantidade de dinheiro que circula nos campeamos locais, e muitas vezes \"arrasta\" para lá jogador de uma qualidade acima da média mas, normalmente, já na fase terminal da carreira.
Seja pelo que for, vem aí o mundial no ano em que também será realizado o CHAN para o qual os Palancas Negras estão apurados e até agora, lamentavelmente, não tem definida a situação do treinador para a referida empreitada, algo que diminui a crença em fazermos uma boa campanha, mas até ver.
CARLOS CALONGO

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