Jornal dos Desportos

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Opinio

Sub-17 pode fazer histria

31 de Outubro, 2019
O futebol Angolano pode fazer historia no Mundial de Sub 17, que decorre no Brasil, desde o dia 26 do corrente. Em dois jogos, os angolanos somaram duas vitórias, marcaram quatro golos e sofreram dois, isto, diante da Nova Zelândia na estreia e no segundo, frente ao Canadá.
Em função da qualidade técnica, atitude, grande capacidade de lidar e superar adversidades, acredito que os nossos rapazes podem chegar mais longe neste Mundial, se conseguirem o apuramento para os quartos -de -final.
Em minha modesta opinião e porque estou a analisar o assunto em termos de qualidade e resultados numa competição de nível Mundial, se a memória não me atraiçoa, esta selecção de Sub 17 é das melhores ou a melhor que o nosso futebol teve depois da independência nacional.
Desde a fundação da Federação Angolana de Futebol (FAF), até à nossa primeira grande representação internacional, no Campeonato Africano da Nações (CAN) que se realizou na África do Sul, em 1996, esta é a selecção mais completa.
É verdade que tivemos selecções que nos brindaram com bons momentos de futebol, como a célebre selecção que em 1987 (?) disputou a qualificação para o Mundial que a Itália organizou em 1990, com jogadores de grande valia técnica.
Vale recordar, que aquela selecção só não chegou mais longe, ou seja, ao Mundial de Itália, porque no jogo da primeira mão empatou a zero com a Argélia, em Luanda, e na segunda mão realizada em Argel, o árbitro da partida, simplesmente, impediu tal proeza ao invalidar o terceiro golo limpo de Angola, que daria a vitória ou no mínimo o empate.
Depois da nossa grande presença em competições internacionais realizadas pela FIFA, isto em 1996, o futebol angolano ergueu o primeiro troféu em torneios Internacionais, ao vencer a Taça Cosafa, em 2000. Mas o primeiro e grande triunfo do nosso futebol a nível internacional foi a conquista do CAN de Sub 20, em 2001, com jogadores como Marito, Mendoça, Loló, Mantorras, Rats, e outros.
Esta mesma selecção disputou o primeiro Mundial da historia do nosso futebol que se realizou na Argentina, em 2002, em que fez muito boa figura, pois, chegou aos oitavos -de -final e só não foi mais longe, porque faltou-lhe discernimento, sobretudo, atitude competitiva necessária para o efeito.
Consequentemente, em 2006, disputamos o primeiro Mundial em seniores, na Alemanha, em que diga-se, em abono da verdade, fizemos boa figura. Perdemos, por uma bola a zero, diante de Portugal, com Luís Figo, Pauleta, Ronaldo e companhia, empatamos a zero com o México e a uma bola com o Irão.
Depois do Mundial da Alemanha, o nosso futebol regrediu. Felizmente, nos últimos dois anos as coisas tendem a melhorar, especialmente no futebol jovem, com realce para os Sub 17. Por aquilo que podemos ver, nos dois primeiros jogos dos nossos rapazes, podemos acreditar que eles de facto podem fazer muito mais do que já fizeram, ao passar para os oitavos de finais, feito alcançado pela selecção de Sub 20 em 2002.
No entanto, esta selecção é diferente. Tem estrelas como Zito Luvumbo, que está a ser cobiçado por grandes clubes, como o todo poderoso Barcelona, de Espanha. Além de Zito, ainda podemos contar com o talento de Capita, de Zini, David, do guardião Geovani e de outros.
Esta selecção é muito forte psicologicamente, com grande capacidade de lidar com momentos desfavoráveis, como aconteceu no jogo com o Canadá, em que os putos resistiram à anulação (injusta) de um penálti e um golo anulado, em momentos decisivos da partida.
A forma em que os nossos jogadores reagiram às adversidades e posteriormente conseguirem vergar os canadianos, nos últimos segundos da partida, indica, claramente, que estamos diante de uma selecção com um nível a cima da média e cheia de atitude, o que tem faltado até mesmo aos Palancas Negras.
Isto, implica dizer, que o Estado angolano deve olhar para estes rapazes de forma especial, mesmo que fiquem pelos oitavos -de -final. Entretanto, todo o apoio deve ser-lhes dado para que o nosso futebol faça história no presente Mundial. Augusto Fernandes

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