Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Superar o feito alcanado no Sudo

24 de Agosto, 2017
O povo angolano já respira o ares da Nova República, depois do acto eleitoral ontem realizado. E é com estes novos ventos que a Selecção Nacional de futebol vai disputar, pela terceira vez no seu historial, a fase final de um CHAN, depois de deixar pelo caminho o Madagáscar.

A prova, destinada a jogadores que evoluem nos campeonatos nacionais internos, vai realizar-se no Quénia, entre os dias 11 de Janeiro e 2 de Fevereiro do próximo ano. A primeira presença dos Palancas Negras numa fase final aconteceu em 2011, no Sudão, onde alcançamos a segunda posição, depois da derrota na final por 0-3, diante da Tunísia. Na segunda presença, no Rwanda, em 2016, a equipa nacional não passou da primeira fase.

Angola conseguiu de forma justa e meritória o apuramento para a fase final do CHAN do Quénia e, deste modo, afastou os fantasmas que a perseguiam desde há um tempo a esta parte. Junto a este feito o facto do “Onze” Nacional ter conseguido somar a sua oitava vitória consecutiva sob comando do hispano-brasileiro Beto Bianchi e esse feito deve ser motivo de orgulho de toda a Nação Angolana.

O actual elenco da FAF e o técnico devem-se dar por satisfeitos pelo feito alcançado que, diga-se, não é inédito. As atenções devem estar agora centradas para o Quénia/2018, onde tudo poderá acontecer. Quando digo que tudo poderá acontecer, traduzo essas minhas palavras no faco dos Palancas Negras poderem muito bem chegar, à final, como aconteceu em 2011, no Sudão, sob comando do angolano Lito Vidigal, depois de deixar pelo caminho adversários, à priori, mais candidatos.

A campanha de qualificação de Angola para o Quénia/2018, em função de tudo o que aconteceu, parece ter voltado ao caminho certo. O caminho que levou à Selecção Nacional a patamares muito altos, no Continente e a nível Mundial. O futuro da equipa parece assegurado.

Os Palancas Negras, por mérito próprio, alcançaram o visto de entrada no Quénia. Já ninguém tira isso ao Povo Angolano, que durante anos esteve de costas viradas com a sua Selecção Nacional. Mas e agora? Qual o futuro da Selecção? Pergunto eu e todos os angolanos.

Na minha opinião muito pessoal, Beto Bianchi tem duas opções: ou dá continuidade à “renovação” que encetou desde que assumiu, de “borla”, o comando do “One” Nacional ou segue a máxima de que “em equipa que ganha não se mexe” e faz com que os angolanos voltem a sonhar com a presença, uma vez mais, numa final da competição.

Importa olhar para o futuro e perceber que selecção teremos em 2018, já que para além da fase final do CHAN teremos ainda as eliminatórias de acesso à fase final do CAN, cuja fase final será disputada nos Camarões. Convém recordar que perdemos o jogo de abertura com o Burkina Faso.

As coisas terão de ser feitas de forma progressiva, de forma a que possamos continuar na senda das vitórias. É lógico que poderão haver mudanças no futuro, mas Beto Bianchi não deverá fechar aos jogadores que alcançaram este feito as portas de um espaço que lhes deu muito trabalho a conquistar.

O que importa, na minha opinião, é o potencial que existe hoje e que pode ser trabalhado no imediato. Claro que não haverá espaço para todos, mas todos merecem lutar pelo seu espaço. Em causa não está apenas o bem da Selecção Nacional, mas sobretudo o da Nação Angolana e de toda a mística e história que granjeou num passado não muito distante.

Pessoalmente acho que uma equipa só é uma boa equipa se for boa em todos os sectores e Angola, apesar de ter deixado pelo caminho os seus adversários com resultados tangenciais, parece ser uma equipa capaz de ultrapassar qualquer adversário que os caprichos do sorteio lhe colocarem pela frente.

Se os jogadores escolhidos para a “Operação Quénia”estiverem com os seus níveis de concentração e eficácia na máxima força, poderão chegar longe na prova. Angola não terá nada a temer. Aliás, o grande objectivo é superar as performances alcançadas, em 2011, no Sudão.

A presença de Angola na final surpreendeu tudo e todos, já que não estava nas previsões de ninguém. Nem dos mais optimistas. Uma final que marcou todos os angolanos, que esperam que Beto Bianchi volte a colocar Angola na final de uma prova continental.
Policarpo da Rosa

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