Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Suspense at ao correr das cortinas

21 de Setembro, 2017
O Girabola caminha a passos largos para o final. Estamos a cinco jornadas, frenéticas, para o correr das cortinas da maior prova desportiva do País, e as coisas prometem aquecer (se já não estão). Não só no topo, também, na cauda da tabela classificativa. A luta nos dois pólos está bem evidente, embora, com algumas diferenças. Se, por exemplo, em relação a luta pelo título, as atenções estão centradas em duas equipas, Petro de Luanda (56) e 1º de Agosto (55) , sem qualquer desprimor para o Kabuscorp (43), cujo presidente disse que nada ainda está perdido, o mesmo não posso dizer em relação à despromoção.

Aqui, salvo o Santa Rita de Cássia, que ao perder em casa no fim de semana, ditou, praticamente, a sua sentença. São cinco as equipas que travam despique cerrado, para não acompanharem a equipa do Uíge.Do quinteto, Bravos do Maquis (26), Académica do Lobito (24), ASA (23) JGM (21) e Progresso da Lunda - Sul (20), saem as duas equipas para acompanharem, na próxima temporada, o Santa Rita de Cássia.

Ao meio da tabela está tudo tranquilo. A luta não é tão frenética, comparada com o que acontece no topo e na cauda. Kabuscorp (43), Sagrada Esperança (43), Recreativo do Libolo (42) e Interclube (39), equipas que inscreveram os nomes na galeria dos campeões, já resignadas à possibilidade de não chegarem ao título, embora, teoricamente o Kabuscorp e o Sagrada Esperança vejam uma luz no fundo do túnel. Mas não passa disso mesmo.

A sede de vencer está nos olhos de todas as equipas. Contudo, pese toda esta sede na luta pelo título, e para evitar a despromoção, nem todos podem atingir este desiderato. Só uma equipa vai ser campeã nacional, e apenas duas acompanham o Santa Rita de Cássia, para o “Inferno”.

Pessoalmente, acho que vamos ter uma ponta final escaldante, disputada, competitiva, como aliás, costuma ser apanágio nestes últimos anos. Aquilo que o Girabola nos tem direccionado desde o pontapé de saída, é a grande ambição, grande dedicação ao trabalho, e grande rigor da parte de todas as equipas, embora, nem todas atingem as metas traçadas no início da prova.

No final das 30 jornadas, quem somar o maior número de pontos, vai sagrar-se campeã nacional e quem não atingir os mínimos imprescindíveis, vai suportar a descida de divisão. No final, os resultados são definitivos, terminada a prova, nada mais há a comentar.É a rotina, de qualquer campeonato nacional, e não só. Em Angola e no mundo inteiro.

Realisticamente, manifesto o meu orgulho pela competitividade da presente edição do Girabola, em que o título de campeão está por decidir. As alternâncias, semanalmente, no topo da tabela classificativa, ajudam a apimentar mais a prova.Peço aos adeptos das equipas, que lutam pelo título e as que evitam a despromoção, que se focalizem no que é fundamental, e que se dê espaços e visibilidade aos verdadeiros artistas, que são os jogadores e os treinadores, com estes a terem um papel preponderante no tocante à disciplina.

A faltarem cinco jornadas, o equivalente a 15 pontos, é normal dizer que aguarda-se com elevada expectativa o correr das cortinas.Contudo, mais do que abordar estas cinco derradeiras jornadas de um campeonato que está aos níveis máximos de emoção, analisar acontecimentos trágicos que nunca deviam acontecer, como aconteceu na primeira jornada, no Uíge, no jogo Santa Rita de Cássia -Recreativo do Libolo (para quando os resultados do inquérito?), ou detalhar erros grosseiros, que prefiro sugerir a preparação do encerramento da época com a indispensável imparcialidade, e a organização criteriosa na próxima temporada.

A conclusão de um campeonato, deve ser usada, também, para sugerir rumos e processos para melhorar o futuro. Parabéns antecipados a quem for campeão, confiança no regresso a quem descer de divisão, e a todos os outros felicitações por darem o máximo.Profunda reflexão a todos, porque até à disputa da 30ª e última jornada, muita água vai correr ainda, por debaixo da ponte.
Policarpo da Rosa

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