Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

"Suspense" at ao fim

20 de Outubro, 2016
O bicho vai pegar! Esta é uma alusão daquilo que sinto deste final emocionante da presente edição do Girabola, quando restam três jornadas para o cair do pano, da prova mais emblemática do futebol nacional.

Talvez pareça um exagero e mesmo surreal, mas a restarem 270 minutos a cada equipa e nada estar decidido em relação ao título, e da descida de divisão, é prova mais elucidativa de que estamos perante uma ponta final escaldante.

Aliado a isso, está o facto das três equipas poderem conquistar o título. É algo diferente daquilo a que estamos habituados. No início do Girabola ninguém adivinhava que isso hoje fosse possível.

Pessoalmente, acredito que o título seja decidido no final, está dependente de erros a serem cometidos pelo 1º de Agosto, Petro de Luanda e Recreativo do Libolo, nas três jornadas que ainda faltam.

A jornada, do pretérito fim de semana, não podia ser sido melhor para o 1º de Agosto. O líder fez a sua parte e viu pelo retrovisor a derrapagem de um dos perseguidores, no caso, o campeão em título, o Recreativo do Libolo.

Foi um passo importante na luta pelo título, ainda não definitivo, é claro, mas a equipa do Rio Seco está bem encaminhada. Ainda tem jogos complicados, mas mostra consistência nesta recta final do campeonato.

A equipa de Calulo comprometeu as suas aspirações. A derrota no jogo com o Progresso do Sambizanga aconteceu na pior altura. Fica agora a seis pontos do 1º de Agosto. Por outro lado, está em desvantagem nos jogos entre si. Perdeu na primeira volta, no Estádio 11 de Novembro, empatou em casa, no inferno de Calulo.

Se por exemplo, os militares vencerem o Interclube, na próxima jornada, o Recreativo do Libolo deixa de ser um acérrimo concorrente ao título, com o conjunto do Rio Seco, porque em caso de igualdade pontual no final do campeonato, a vantagem pertence aos militares.

Na minha opinião e acho que outras pessoas também pensam assim, nesta escaldante ponta final, as equipas não precisam de dar espectáculo, não precisam de jogar bonito. O mais que têm a fazer é somar os três pontos, de modos a manterem intactos os objectivos.

Faltam três rondas para o campeão levantar a Taça, mas muita coisa pode ainda acontecer. Os três candidatos podem baixar de produção, como aconteceu com o Libolo, na jornada passada. Tudo isso, somente podemos saber no próximo dia 6 de Novembro, por volta das 18 horas (!), claro, se nenhum dos três disparar na liderança, aproveitar o tropeço dos concorrentes.

Levanto aqui uma questão que considero pertinente, nesta ponta final do Girabola: as arbitragens tendenciosas. Um mal que atormenta o nosso campeonato, e que nesta ponta final se tem agudizado ainda mais. O Conselho Central tem uma palavra a dizer.

É comum ouvir-se, nos bastidores do nosso futebol, a seguinte expressão. “A primeira volta é dos técnicos, a segunda pertence aos dirigentes”. Certo ou errado, verdade é que a prática está a confirmar essa realidade.

No nosso futebol, árbitros incompetentes e desonestos existem em quantidade considerável. O mal não é de hoje e continua por muito mais tempo, caso as autoridades com a missão de dirigir a classe não ponham termo à escalada de erros que se verificam semana a semana nos nossos Estádios.
Arbitragens que geram fraudes e fortunas que nunca podem ser desmascaradas, porque foi um “erro” do árbitro ou do auxiliar, ou uma “interpretação” se foi ou não grande penalidade.

Tem de se ter a coragem de separar o trigo do jóio, para o bem da valorização nacional e internacional da arbitragem angolana. Peço ao Conselho Central que seja astuto, na indicação dos trios de árbitros nesta ponta final, para que prevaleça a verdade desportiva. Internacionais ou não, devem acima de tudo, serem capazes de fazer o seu trabalho com dignidade.

Deixo apenas uma pergunta: se eu (e quem sou eu!) sei de muita coisa suja que gira à volta da nossa arbitragem, como podem as nossas autoridades judiciais não saber?
Até para a semana.

Policarpo da Rosa

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