Jornal dos Desportos

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Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Talentos que (no) temos

04 de Fevereiro, 2015
Em meio a febre da fase final da Taça Africana das Nações, que se apresta a finalizar na Guiné Equatorial, e o inicio do Girabola de 2015, que dentro de duas semanas arranca nos diversos estádios do país, veio uma vez mais à tona em alguns círculos onde se discute futebol, a polémica sobre a existência ou não de talentos na modalidade rainha angolana.

É um dado adquirido que no período pós 11 de Novembro de 1975, mesmo com a evolução natural das coisas, apenas Joaquim Dinis “Brinca n’Areia, Jesus, N’Dunguidi, Alves e outros (poucos), oriundos da República Democrática do Congo, na década de oitenta, deram os primeiros pontapés na bola na vivência do regime colonial português, tornaram-se talentos.

As gerações que se seguiram produziram craques e bons jogadores cuja postura em campo nunca produziram “coisas inimagináveis” e nem lhes permitiram “tratar a bola por tu e carregar as suas equipas às costas”, o que significa dizer, resolverem os jogos de forma individual, quando as coisas corressem mal para as suas equipas.

O período que se seguiu ao 11 de Novembro de 1975 brotou craques à dimensão de Praia, Sabino, Chinguito, Paulão Salviano, Santinho, Mantorras, Akwá, Túbia, Mendinho, Santinho, Luís Bento, Avelino, Laika, entre outros.

Para isso, contribuiu o trabalho que era feito no desporto escolar, assim como nos clubes e nas escolas talhadas para desenvolver o trabalho específico nos escalões de formação, onde despontou o nome de Fernando Peyroteu, um natural da Humpata (Huíla), integrante dos cinco violinos que se destacou no Sporting de Portugal na década de cinquenta.

As mesmas eram orientadas por pessoas vocacionadas para tal, mas sem uma formação específica que os habilitasse a desenvolver tal tarefa. Nos dias que correm, as condições em todas as vertentes são superiores, pelo que fica difícil entender, que ainda assim, o número de craques e bons jogadores saídos dos escalões etários continue diminuto.

Trata-se de um assunto que deve ser discutido e analisado em sede própria, mas pode concordar-se que os escalões etários que são os alicerces da pirâmide desportiva, devem merecer a atenção que se impõe por parte das entidades afins e constituir motivo de análises ponderadas e de debates francos e abertos para que o quadro actual seja invertido.

O surgimento de algumas escolas e academias vocacionadas para a descoberta e a lapidação de crianças e jovens contribui para isso, ali começam a adquirir os conhecimentos científicos sobre as diferentes etapas do futebol, até atingirem o escalão sénior.

Neste particular, merece destaque a Academia de Futebol de Angola (AFA), a Academia do 1º de Agosto, as escolas do Petro de Luanda, Progresso do Sambizanga, Petro do Huambo, Interclube de Angola, Polivalentes. E aqui é de se destacar o trabalho que foi desenvolvido pela Escola Norberto de Castro cujo proprietário viu-se obrigado a encerrá-la, por dificuldades financeiras.

Umas com maiores dificuldades que outras desenvolvem o trabalho, assente em bases científicas cujos resultados podem vir a incidir na melhoria do nível do futebol nacional a todos os níveis que podem vir a ser sentido nos próximos cinco/seis anos. Aguarda-se o surgimentos de talentos em todos os sectores, como guarda - redes (muitas vezes esquecidos), defesas, médios e avançados.

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