Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa

Opinio

Tapete estendido a Toms Faria

03 de Outubro, 2019
Com ímpar ousadia, dou-me a replicar certos aspectos da entrevista concedida pelo presidente de direcção do Petro de Luanda, Tomás Faria, que num só dia teve o tapete estendido numa rádio local e em uma estação televisiva, nas quais (atenção que não disse, que nas quais) destilou tudo que lhe fosse à alma.
Confesso, em primeira instância, não ter entendido a razão da elevada passividade dos jornalistas encarregues de entrevistar o senhor Tomás Faria, em que perante as pontas soltas que deixava, viu-se “apertado” pelos entrevistadores a quem até reconheço capacidade e qualidade para fazer melhor.
Na prática, a impressão com que fiquei, é que estendeu-se um tapete, à medida do que o presidente de direcção do clube do Catetão quis transmitir, sem a mínima preocupação com a “chatice” dos jornalistas, obrigados a perguntar tudo que necessário, sobretudo, nas situações em que o entrevistado dá pano para a manga, como se diz na gíria, e esteve em muita evidência nas referidas entrevistas.
Por outro lado, fiquei sem entender as reais motivações para a realização das entrevistas, que mais cheiraram encomendas, pois, a súmula dos assuntos abordados não tinha, em minha opinião, grande relevância para a romaria das abordagens feitas, numa altura em que o campeonato de futebol viu a jornada amputada, por via dos compromissos internacionais do Petro e do 1º de Agosto.
Se fosse pela entrada na fase de grupos da Liga dos Campeões africanos, feito logrado pelos petrolíferos, em nada seriamos diminuídos caso felicitássemos o referido clube, o que não foi o caso, até porque o 1º de Agosto, também, conquistou tal proeza.
À propósito, aproveito o ensejo para felicitar o Petro de Luanda e o 1º de Agosto, pelas conquistas desportivas atrás citadas, que reflectem um caso inédito, consumado com a entrada de duas equipas angolanas na fase de grupos da Liga dos Campeões africanos, pelo que auguro boa campanha aos representantes angolanos.
Mais do que isso, faço votos que os dois emblemas nacionais obtenham os melhores resultados, e que passem pela conquista do troféu, que seria algo inédito para a história do futebol angolano, que verdade seja dita, está na hora de vencer em África, a ombrear com os chamados gurús do Magreb, tidos por “senhores absolutos” do futebol continental.
Fora dos assuntos que até aqui considero periféricos e de regresso às entrevistas acima referidas, como uma nota de rodapé, quero sinalizar a falta de elegância que o presidente do Petro de Luanda teve em relação ao Jornal dos Desportos, à quem acusou, mais ou menos palavras, de ser um local em que a cultura é falar mal da equipa que dirige.
Não vou sair em defesa de causa alheia, não só por não ter mandato para o efeito, mas por compreender que alguns pronunciamentos de Tomás Faria estiveram prenhes de fortes emoções, daquelas que às vezes dispensam comentários, para não ampliar o assunto e atribuí-lo um valor que não merece.
Contudo, alguém tem de dizer ao presidente Tomás Faria, que ao notar alguma intenção de quem quer que seja, no exercício jornalístico, pautar a sua conduta por qualquer acção que fira a ética, a deontologia profissional e outros “comandos” da profissão, pode accionar os mecanismos e instituições afins, para ver reparados os eventuais danos causados à sua esfera jurídica.
Da mesma forma, deve ser dito ao senhor Tomás Faria, que quando se assume a direcção/gestão de qualquer instituição, os seus líderes obrigam-se a assumir o activo e o passivo, sendo totalmente reprovável o hábito de assacar responsabilidade pelo errado dos anteriores gestores, para apenas ficar com os louros do passado.
E, deste ponto de vista, o entrevistado deu o show pretendido, às vezes até usando impropérios que chegaram ao extremo de acusar um dos anteriores PCAs da Sonangol, de ter pautado por uma conduta de quem fosse adversário do próprio clube que a empresa que dirigia, patrocina.
No campo desportivo, equipas da dimensão do Petro e 1º de Agosto, que comparativamente a Portugal e Espanha, são representativas do Benfica, Porto, Real Madrid ou Barcelona, podem ganhar os campeonatos em todas as modalidades, todos os dias, mas se o futebol não ganhar, é como se nada fosse feito.
Então, deveria continuar a ser uma preocupação de Tomás Faria, não terminar o mandato sem se deixar fotografar com os campeões de futebol sénior masculino, que verdade seja dita, ainda é o desporto das multidões, também chamado de desporto rei e por conseguinte, das paixões e emoções. Carlos Calongo

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